A estreia da Inglaterra na Copa do Mundo de 2026 foi marcada por uma vitória convincente por 4 a 2 sobre a Croácia, resultado que reforçou o status dos ingleses como uma das seleções favoritas ao título. O time de Thomas Tuchel mostrou força ofensiva, poder de reação e um elenco recheado de opções capazes de mudar o rumo das partidas. No entanto, em meio às diversas atuações positivas, um nome saiu de campo cercado por questionamentos: Anthony Gordon.
O novo reforço do Barcelona recebeu uma oportunidade importante ao começar como titular na estreia mundialista. A expectativa era elevada. Afinal, Gordon vinha de uma excelente atuação contra a Costa Rica em um amistoso preparatório, desempenho que ajudou a consolidar sua vaga no time inicial de Tuchel. Porém, diante da Croácia, o atacante não conseguiu repetir o mesmo nível de rendimento e acabou se tornando um dos assuntos mais debatidos após o jogo.
A situação ganhou ainda mais repercussão porque Marcus Rashford, justamente o jogador que entrou em seu lugar, teve impacto imediato e fortaleceu sua candidatura para assumir a titularidade nos próximos compromissos da seleção inglesa.
Uma atuação abaixo das expectativas
Anthony Gordon entrou em campo carregando uma responsabilidade considerável. Além de representar uma das grandes apostas da Inglaterra para a Copa, ele também chegou ao torneio cercado pela expectativa criada após sua transferência para o Barcelona, negócio que envolveu um investimento milionário do clube catalão.
Durante os 72 minutos em que esteve em campo, porém, o atacante teve dificuldades para participar do jogo. Os números ajudam a explicar as críticas recebidas após a partida.
No primeiro tempo, Gordon registrou apenas nove toques na bola, o menor número entre todos os jogadores ingleses em campo. Ao longo de sua participação no jogo inteiro, somou apenas 17 toques, não completou nenhum dos dois dribles que tentou, não venceu nenhum dos dois duelos disputados e também não realizou cruzamentos.
Além dos números discretos, um lance específico chamou atenção. Ainda no segundo tempo, Gordon desperdiçou uma oportunidade clara dentro da área, situação que poderia ter mudado a percepção sobre sua atuação. Em jogos de Copa do Mundo, especialmente contra adversários de nível elevado, oportunidades como essa costumam ser decisivas.
A imprensa inglesa não demorou para reagir. O Daily Mail foi um dos veículos mais críticos, classificando o jogador com nota 3, uma das piores avaliações da equipe. O jornal destacou que Gordon parecia atuar abaixo de seu potencial e lembrou que a exibição esteve muito distante daquela apresentada no amistoso contra a Costa Rica.
Rashford aproveita a oportunidade

Se a atuação de Gordon gerou dúvidas, a entrada de Marcus Rashford trouxe respostas para Thomas Tuchel.
O atacante do Manchester United precisou de apenas 18 minutos para causar impacto. Além de participar ativamente das ações ofensivas, Rashford marcou o quarto gol inglês com uma jogada individual de alto nível, mostrando exatamente as características que o treinador busca em seus jogadores de frente.
A comparação entre os dois atletas surgiu de maneira natural após a partida. Enquanto Gordon encontrou dificuldades para criar jogadas e levar perigo ao gol croata, Rashford entrou demonstrando agressividade, capacidade de drible e eficiência na conclusão das jogadas.
Esse cenário cria uma disputa interessante para a sequência da Copa. A Inglaterra possui um dos ataques mais talentosos do torneio, com nomes como Bukayo Saka, Marcus Rashford, Morgan Rogers e o próprio Gordon brigando por espaço.
Em competições curtas, o momento costuma pesar bastante nas decisões dos treinadores. Por isso, a atuação de Rashford pode influenciar diretamente a escalação para o confronto diante de Gana.
O que preocupa o Barcelona

Embora a situação esteja diretamente relacionada à seleção inglesa, o Barcelona acompanha tudo com atenção.
O clube catalão investiu pesado para contratar Gordon justamente acreditando que ele poderia oferecer profundidade, velocidade e capacidade de desequilíbrio pelos lados do campo. Essas características continuam presentes em seu repertório, mas a estreia contra a Croácia evidenciou um aspecto que ainda gera questionamentos.
Gordon é extremamente comprometido sem a bola. Sua intensidade na pressão, sua dedicação defensiva e sua disposição física são amplamente reconhecidas. No entanto, em um clube como o Barcelona, espera-se mais do que apenas entrega e esforço.
Os dirigentes e torcedores querem ver um jogador capaz de decidir partidas nos momentos mais importantes, contribuindo com gols, assistências e jogadas individuais que mudem o rumo dos jogos.
Foi justamente isso que Rashford apresentou ao entrar em campo. E foi justamente isso que faltou a Gordon na estreia mundialista.
Uma reação ainda é totalmente possível
Apesar das críticas, seria precipitado tirar conclusões definitivas com base em apenas uma partida.
O próprio Gordon demonstrou maturidade ao comentar sua atuação após o jogo. Em entrevista à BBC Radio 5 Live, o atacante destacou a importância do coletivo e elogiou os companheiros que entraram durante a partida.
A postura revela um jogador consciente da pressão que envolve uma Copa do Mundo e disposto a colocar os interesses da equipe acima das questões individuais.
Além disso, seu desempenho recente contra a Costa Rica mostrou que existe potencial para muito mais. A própria comissão técnica inglesa reconhece as qualidades do atleta e sabe que ele pode ser uma arma importante ao longo da competição.
Ainda assim, a realidade do futebol de alto nível é implacável. Em um elenco repleto de talento, cada oportunidade precisa ser aproveitada. Contra a Croácia, Gordon não conseguiu transformar a confiança recebida em uma atuação marcante. Agora, diante da crescente concorrência interna e da excelente entrada de Rashford, os próximos jogos poderão ser decisivos para determinar qual será seu papel na caminhada da Inglaterra na Copa do Mundo de 2026.
(Foto de capa: Getty Images)