O Barcelona concluiu a primeira edição da Copa Friuli Venezia Giulia na condição de vice-campeão neste sábado (8), embora tenha deixado a Itália com mais dúvidas do que certezas. Em um triangular de pré-temporada com partidas de 45 minutos, os catalães venceram o Nottingham Forest por 1 a 0, com gol de pênalti de Raphinha, porém acabaram derrotados pelo mesmo placar para a Udinese, que aproveitou uma falha da defesa nos minutos finais para garantir o título.
No entanto, a campanha não foi apenas um laboratório, mas também colocou em evidência um problema que Hansi Flick disporá de pouco tempo para resolver: o Barcelona continua sem uma solução convincente para a posição de centroavante.
O formato da competição exigia três partidas de 45 minutos, com a classificação geral definindo o campeão. Depois de derrotar o Forest, o Barça chegou ao confronto decisivo contra a Udinese precisando de uma vitória para ficar com o título. O empate sem gols parecia encaminhar a decisão, mas os italianos aproveitaram a linha defensiva alta dos catalães para encontrar Vakoun Issouf Bayo, que marcou o gol da vitória nos minutos finais.
No fim das contas, o único gol do Barcelona em 90 minutos de futebol saiu de uma cobrança de pênalti. É um número que chama atenção principalmente pelo momento vivido pelo elenco, já que a equipe se aproxima do início oficial da temporada ainda sem uma definição clara para o comando do ataque.
Raphinha e Fermín López voltam, mas Barcelona ainda busca ritmo
A boa notícia para Flick foi poder contar novamente com Raphinha e Fermín López. Os dois retornaram de problemas físicos e disputaram os 45 minutos contra o Nottingham Forest, mostrando que estão próximos de recuperar completamente a condição ideal. Ainda não foi uma atuação brilhante de nenhum dos dois, até porque o Forest conseguiu dificultar bastante a construção ofensiva do Barcelona, mas ambos tiveram participação importante no único gol da partida.
Fermín foi quem sofreu o pênalti. O meia se antecipou a dois defensores para dominar uma bola pelo alto dentro da área e acabou sendo atingido no braço por Nikola Milenković, que tentou afastar o lance. Raphinha assumiu a responsabilidade e bateu com tranquilidade para garantir a vitória.
A tendência é que os dois cresçam fisicamente com o passar das semanas, principalmente com a proximidade do retorno de outros jogadores importantes, como Pedri e Lamine Yamal. A presença desses nomes deve elevar consideravelmente o nível ofensivo do Barcelona, mas também não resolve uma questão específica que ficou evidente na Itália: quem será o responsável por ocupar a vaga de camisa 9?
Barcelona ainda não encontrou seu novo centroavante
A situação ganhou ainda mais importância depois da notícia de que Ferrán Torres estaria próximo de acertar sua transferência para o PSG. Caso o negócio seja concretizado, o Barcelona ficará sem um centroavante de origem no elenco principal, justamente em um momento no qual o clube ainda tenta encontrar uma alternativa para Robert Lewandowski.
O grande sonho é Julián Álvarez, mas o Atlético de Madrid não parece disposto a facilitar a negociação. Com recursos financeiros limitados e cada vez menos tempo antes do início da temporada, Flick pode ser obrigado a encontrar uma solução dentro do próprio elenco.
Hamza Abdelkarim chegou a aparecer como uma possibilidade interessante. O atacante de 18 anos foi contratado junto ao Al Ahly em junho e chamou atenção na última partida do Barcelona, quando marcou duas vezes no empate por 2 a 2 contra o Birmingham. Contra Nottingham Forest e Udinese, porém, não conseguiu repetir o desempenho.
O egípcio mostrou disposição e intensidade, mas ainda é um jogador em formação. Contra o Forest, inclusive, teve uma oportunidade clara após pegar o rebote de uma defesa do goleiro, mas finalizou diretamente em sua direção mesmo com o gol praticamente aberto. É natural que Abdelkarim ainda precise de tempo para amadurecer e ganhar experiência, mas a realidade é que o Barcelona não pode depender de um jogador de 18 anos para assumir sozinho a responsabilidade de ser o principal camisa 9 da equipe.
E o problema ficou ainda mais evidente diante da produção ofensiva do time: apenas um gol em duas partidas, justamente em uma cobrança de pênalti.
Adeyemi também não convence como solução
Karim Adeyemi tinha uma oportunidade importante para mudar esse cenário. Com a possível saída de Ferran Torres e a necessidade de encontrar alternativas para o ataque, o alemão poderia aproveitar a pré-temporada para convencer Flick de que é capaz de atuar como centroavante. O próprio jogador já havia afirmado que poderia jogar em diferentes posições, colocando-se à disposição para disputar a vaga deixada por Lewandowski.
Até agora, porém, o desempenho não convenceu. Contra o Forest, Adeyemi passou boa parte do jogo sem conseguir participar efetivamente das ações ofensivas. Faltaram intensidade, movimentação e, principalmente, capacidade para criar desequilíbrio. O alemão parecia um passo atrás dos companheiros em diversos momentos e teve dificuldades para pressionar a saída adversária, algo fundamental no modelo de Flick.
Também é verdade que o contexto não ajudou. O Barcelona concentrou boa parte de suas jogadas pelo lado oposto e Adeyemi acabou ficando isolado em vários momentos. Ainda assim, foi significativo que algumas das melhores investidas do time pela direita tenham partido justamente de Raphinha, que estava atuando em outra função.
Quando Lamine Yamal retornar e reassumir a ponta direita, a situação de Adeyemi ficará ainda mais clara. Se quiser conquistar uma vaga entre os titulares, o alemão provavelmente terá de disputar espaço como centroavante. E, pelo que apresentou até aqui na pré-temporada, ainda precisa evoluir bastante para convencer Flick.
O Barcelona ainda tem tempo para ajustar sua equipe antes do início da temporada, e os retornos de jogadores importantes naturalmente vão melhorar a qualidade do time. No entanto, a Copa Friuli Venezia Giulia deixou um alerta que não pode ser ignorado: enquanto não encontrar um jogador capaz de assumir o protagonismo no ataque, a equipe de Hansi Flick continuará convivendo com uma dúvida importante justamente no setor que mais precisa produzir gols.
Créditos da foto de capa: Timothy Rogers/Getty Images


