Lutas UFC

Barrado, Dan Hooker não é tratado como estrela pelo UFC

Com o anúncio do UFC retornando a Perth, em 28 de setembro, o neozelandês Dan Hooker estava pronto para lutar no card, mesmo ainda se recuperando de uma cirurgia na mão em março passado. Entretanto, ele mudou de ideia na semana do UFC 317, em junho, quando teve seus ingressos negados na T-Mobile Arena, em Las Vegas, para assistir ao amigo e companheiro de equipe, Kai Kara-France, desafiar o campeão peso-mosca Alexandre Pantoja.

O incidente deixou um gosto amargo na boca de Hooker. “Eles tentaram me tirar da cama às 7h30 da manhã, o UFC me marcou por uma merda, que são 3 da manhã no horário da Nova Zelândia”, disse Hooker à Submission Radio.

“Eu nem saí. Dormi cedo, mas não vou sair da cama às três da manhã para fazer praticamente nada. Dormi até tarde e não fui ao UFC. Cancelaram meus ingressos para a luta do Kai e aí é tipo, vou voltar correndo e lutar machucado para uma empresa que vai cancelar meus ingressos para o evento depois que eu tiver viajado até Las Vegas. Eu teria lutado machucado, mas aí alguém na recepção riscou meu nome de uma lista.”, contou.

“Você trabalha no escritório, mano, eu trabalho no… você acha que haveria um pouco mais de respeito por caras que literalmente dão a vida? Com a quantidade de sangue, suor e lágrimas que dediquei para montar shows para aquela empresa, pensei que haveria um pouco mais de respeito. Mas não há, o que é legal, negócios são negócios. Podemos lutar nos meus termos então… Não vou me esforçar muito por uma empresa que não me respeita.”, seguiu Hooker visivelmente incomodado.

Dan Hooker não esclareceu exatamente por que seus ingressos para o UFC 317 foram revogados e deixou claro que não se esforçará para “salvar” mais nenhum evento.

O que aconteceu mostra a diferença de Dan Hooker para as grandes estrelas

No universo do UFC, fica cada vez mais claro que a organização adota uma postura de paciência seletiva: seus grandes nomes podem errar repetidamente, mas seguem recebendo oportunidades e perdão. Já os lutadores com menor apelo comercial, mesmo dedicados, enfrentam punições duras e rápidas por deslizes.

O caso Dan Hooker evidencia uma cobrança dura por parte do UFC quando se trata de lutadores que não são grandes estrelas. Hooker, veterano comprometido e há anos no Top 10 dos leves, teve uma punição bem exagerada para um problema perfeitamente compreensível.

Dan Hooker, já travou diversas batalhas espectaculares no octógno do UFC
Dan Hooker, já travou diversas batalhas espectaculares no octógno do UFC (Imagem: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Comparando com o cenário de outras figuras emblemáticas da organização, o contraste é evidente. Estrelas como Conor McGregor e Jon Jones acumularam erros sérios, como suspensões, polêmicas e até pendências judiciais, sem que isso significasse afastamento duradouro da promoção. Para esses nomes, os erros são frequentemente minimizados ou absorvidos como parte da trajetória dos maiores lutadores.

No caso de Hooker, a consequência foi imediata e pessoal: cancelamento de ingressos, possibilidade de exclusão de lutas futuras e o enfraquecimento da relação com o UFC.

Essa discrepância simboliza como o UFC gerencia seu produto. Lutadores com grande impacto comercial recebem mais tolerância, suas falhas são “períodos”, “momentos de turbulência”, não definem suas carreiras. Para os demais, a tolerância zero significa que um deslize fora do octógono, mesmo que pequeno, pode gerar consequências severas.

Em resumo, o episódio com Dan Hooker não foi apenas um caso isolado: é mais um sintoma de uma política que valoriza a celebridade, a visibilidade e o retorno financeiro mais do que a dedicação ou o histórico de contribuições do atleta. Hooker foi tratado com rigidez não por um deslize grave, mas por não seguir uma obrigação promocional. Algo que, para grandes estrelas, seria atenuado ou ignorado.

(Imagem de capa: Paul Kane/Getty Images)