Existem rivalidades que definem épocas. Na Premier League dos anos 2010 e do início dos anos 2020, poucas disputas individuais simbolizaram tanto o nível de excelência do futebol inglês quanto Mohamed Salah e Kevin De Bruyne.
Por anos, os dois foram protagonistas da rivalidade entre Liverpool e Manchester City que dominou o futebol inglês e moldou uma geração inteira da liga. Agora, o destino coloca os dois novamente frente a frente, desta vez representando seus países.
Na abertura do Grupo G da Copa do Mundo de 2026, Bélgica e Egito protagonizam um dos confrontos mais simbólicos da fase inicial do torneio. Não apenas pelo peso das seleções, mas porque o duelo pode representar o último encontro entre duas das maiores estrelas de sua geração.
Ambos chegam ao torneio aos 34 anos. Salah, inclusive, entra em campo no dia do próprio aniversário. Ainda que uma participação em 2030 não seja impossível, o cenário torna difícil imaginar os dois voltando a dividir o palco de uma Copa do Mundo. Mais do que um jogo, o encontro parece funcionar como um encerramento simbólico de trajetórias que seguiram caminhos surpreendentemente parecidos.
De descartados no Chelsea a ícones da Premier League
Poucos imaginariam que Kevin De Bruyne e Mohamed Salah se transformariam nos jogadores que se tornaram quando passaram por Stamford Bridge. Chelsea contratou os dois ainda jovens em momentos diferentes, mas nenhum conseguiu se firmar. De Bruyne fez apenas nove partidas pela equipe principal. Salah teve um pouco mais de espaço, mas também saiu sem deixar grande impacto.
De Bruyne encontrou minutos e confiança durante o empréstimo ao Werder Bremen antes de se transferir para o Wolfsburg. Salah foi emprestado à Fiorentina e depois consolidou sua carreira na Roma. Foi justamente na Alemanha e na Itália que ambos deram o salto.
Depois de temporadas iniciais de adaptação, explodiram estatisticamente no segundo ano em seus respectivos clubes. De Bruyne acumulou números impressionantes de produção ofensiva e virou alvo imediato do Manchester City. Salah repetiu o processo na Itália antes de receber a ligação do Liverpool.
Recordes, títulos e domínio na Inglaterra
O impacto dos dois na Premier League foi imediato e duradouro. Salah redefiniu padrões ofensivos em Liverpool. Tornou-se artilheiro em diferentes temporadas, quebrou recordes históricos de gols e liderou uma das eras mais vitoriosas do clube na era moderna.
Do outro lado, De Bruyne transformou o papel do meio-campista criativo na Premier League. Sua capacidade de criar chances e controlar partidas o colocou entre os maiores passadores da história recente da competição.
Os dois conquistaram ligas nacionais, copas domésticas e Champions League. Individualmente, também acumularam premiações e recordes que consolidaram seus legados. Mais importante ainda: ambos foram pilares de projetos que elevaram o nível competitivo do futebol inglês.
Quem levou vantagem nos confrontos diretos?
Apesar do domínio coletivo maior do Manchester City em títulos durante esse período, os confrontos individuais contam uma história diferente.
Nos encontros entre equipes lideradas por Salah e De Bruyne, o egípcio terminou mais vezes do lado vencedor. Ainda assim, o histórico importa pouco quando o palco muda para uma Copa do Mundo. Agora não existe Guardiola nem Klopp. Não existe Anfield ou Etihad; existe apenas um jogo que pode definir o rumo do Grupo G.
O que está em jogo para Bélgica e Egito
Para Kevin De Bruyne, esta Copa pode representar a última oportunidade de liderar a Bélgica em um grande torneio. A geração dourada belga já perdeu boa parte dos nomes que chegaram à semifinal em 2018, e embora novos talentos tenham surgido, a seleção ainda busca recuperar aquele nível competitivo. Já para Mohamed Salah, o contexto talvez seja ainda mais emocional.
Mesmo sendo o maior rosto do futebol egípcio moderno, o atacante ainda busca deixar sua marca definitiva em torneios internacionais pela seleção. O Egito possui enorme tradição continental, mas nunca conseguiu transformar isso em campanhas históricas em Copas. Avançar além da fase de grupos já seria um feito relevante para uma equipe que raramente conseguiu se afirmar no torneio.
Foto: ABC.