Bélgica - Lukaku e De Bruyne
Futebol Copa do Mundo

Bélgica reencontrou seus protagonistas na hora decisiva da Copa do Mundo

A seleção da Bélgica assegurou a liderança do Grupo G da Copa do Mundo de 2026 de forma contundente ao golear a Nova Zelândia por 5 a 1 no estádio BC Place, em Vancouver, Canadá. O triunfo, combinado ao empate por 1 a 1 entre Egito e Irã em Seattle, posicionou a seleção belga na chave que promete cruzar caminhos com os donos da casa na fase de oitavas de final.

Caso confirmem o favoritismo no confronto inicial do mata-mata, que será contra Senegal, os belgas enfrentarão nas oitavas de final o vencedor do duelo entre os Estados Unidos e a Bósnia e Herzegovina. Embora a projeção de um embate contra os norte-americanos agite os bastidores da competição, o real valor da vitória sobre os neozelandeses aconteceu graças a resposta técnica de suas principais referências. Em uma noite histórica, Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku reviveram seus melhores momentos, espantando as desconfianças sobre o vigor físico da geração belga e provando que ainda possuem capacidade para conduzir o país em provavelmente a última Copa do Mundo desses históricos jogadores.

De Bruyne e Lukaku voltaram a decidir

A principal reclamação em relação ao desempenho da Bélgica nas duas primeiras rodadas da fase de grupos estava no desperdício de chances criadas. Nos empates anteriores diante de Egito e Irã, os comandados de Rudi Garcia finalizaram 38 vezes ao gol, mas converteram apenas uma oportunidade. A ansiedade ofensiva vinha pesando especialmente sobre Kevin De Bruyne, que aos 33 anos ainda não havia balançado as redes no torneio, gerando comparações com as estreias impactantes de outros jogadores veteranos, como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

O cenário da seleção da Bélgica mudou drasticamente em Vancouver. Após Leandro Trossard abrir o caminho com dois gols, De Bruyne desencantou com uma linda finalização de longe, coroando uma atuação em que dominou os espaços do meio-campo. A Nova Zelândia ameaçou estragar a boa partida da Bélgica ao diminuir o placar para 3 a 1 aos 84 minutos, resultado que, pelas contas do grupo, rebaixaria momentaneamente a seleção para a segunda posição do grupo.

Dois minutos depois, Romelu Lukaku apareceu para definir o jogo e anotar seu sexto gol na história do torneio, ultrapassando Marc Wilmots e virando o maior artilheiro da Bélgica em Copas do Mundo. Além disso, o gol selou o feito inédito de Lukaku e De Bruyne, que se tornaram os primeiros atletas do país a marcar em três edições diferentes da competição.

Rudi Garcia prefere enxergar jogo a jogo

Além do brilhantismo da dupla de veteranos, a partida marcou o retorno aos gramados de Jérémy Doku. O ponta do Manchester City havia se ausentado temporariamente da delegação para viajar ao Reino Unido para acompanhar o nascimento de seu primeiro filho, o que gerou debates na imprensa europeia sobre o impacto de sua saída no planejamento tático. Apesar de não ter balançado as redes, a entrada de Doku na segunda etapa devolveu a capacidade de drible e velocidade pelos lados que a Bélgica havia perdido nas partidas anteriores.

Apesar da euforia da torcida com a goleada e o retorno das peças fundamentais, o técnico Rudi Garcia adotou uma postura pragmática na coletiva de imprensa. Ao ser questionado sobre um eventual confronto contra a seleção dos Estados Unidos nas oitavas de final, o treinador francês classificou a projeção como desrespeitosa com os adversários imediatos da fase de 16 avos de final. Garcia relembrou que a Bélgica precisa primeiro superar seu próximo oponente no Lumen Field, em Seattle, antes de voltar suas atenções para o lado americano da chave, que irá enfrentar a Bósnia.

Bélgica pode enfrentar os donos da casa

Caso a previsão se confirme e as duas equipes avancem em seus respectivos jogos, o confronto entre Bélgica e Estados Unidos irá representar um teste de estilos e de vigor físico. Em março de 2026, as duas seleções se enfrentaram em um amistoso preparatório que terminou com uma grande vitória da Bélgica por 5 a 2 sobre o time comandado por Mauricio Pochettino. Hoje, o cenário é diferente daquele amistoso no início do ano.

Além de jogar em casa, os Estados Unidos chegam para o mata-mata com um nível de intensidade física superior. O elenco belga carrega o rótulo de ser um grupo envelhecido em setores-chave e pode sofrer com o desgaste físico graças ao curto intervalo de recuperação entre as partidas da fase decisiva.

Por outro lado, a recuperação da confiança de De Bruyne e a presença ofensiva de Lukaku na área mostram que a experiência técnica da Bélgica ainda é perigosa. Se os Estados Unidos contam com o fator de jogar diante da sua torcida, os belgas demonstraram na última partida da fase de grupos que o talento de seus grandes jogadores segue intacto para decidir jogos em alto nível.

Créditos da foto de capa: Reuters/Blake Dahlin