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Jude Bellingham assume o protagonismo e mantém vivo o sonho da Inglaterra na Copa do Mundo

A classificação da Inglaterra para as semifinais da Copa do Mundo de 2026 reforçou uma característica que vem marcando a campanha da seleção comandada por Thomas Tuchel: nem sempre o desempenho coletivo convence, mas o time sempre encontra alguém capaz de decidir. Contra a Noruega, esse jogador voltou a ser Jude Bellingham.

Em uma partida que tinha como principal atrativo o duelo entre Harry Kane e Erling Haaland, foi o meio-campista do Real Madrid quem roubou a cena ao marcar os dois gols da vitória inglesa por 2 a 1 na prorrogação. A atuação colocou Bellingham entre os grandes protagonistas desta Copa e fortaleceu a impressão de que, atualmente, ele é o jogador mais decisivo da seleção inglesa.

Ao mesmo tempo, o confronto também levantou questionamentos sobre o futebol apresentado pela Inglaterra. Apesar da classificação, a equipe voltou a sofrer durante boa parte da partida e precisou recorrer ao talento individual para avançar. O cenário abre espaço para uma discussão importante: será que a seleção inglesa conseguirá manter essa fórmula contra adversários ainda mais fortes?

Bellingham confirma que é o homem das decisões

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 (Photo by Richard Pelham/Getty Images)

Desde o início da Copa do Mundo, Jude Bellingham vem assumindo uma responsabilidade que normalmente pertence aos atacantes de uma seleção.

Contra a Noruega, o roteiro se repetiu.

Os holofotes estavam voltados para Harry Kane e Erling Haaland, dois dos maiores artilheiros do futebol mundial. A expectativa era de que um deles fosse o responsável por decidir a partida.

No entanto, ambos passaram boa parte do confronto bem marcados e encontraram poucas oportunidades claras para finalizar.

Quem aproveitou os espaços foi Bellingham.

O primeiro gol surgiu pouco antes do intervalo, quando a Inglaterra ainda perdia por 1 a 0. O meio-campista acompanhou a jogada ofensiva, recebeu um passe preciso de Anthony Gordon, dominou com qualidade e finalizou no canto do goleiro para empatar o jogo.

Já na prorrogação, mostrou novamente excelente leitura de jogo ao aproveitar o rebote de uma finalização de Morgan Rogers para marcar o gol da classificação.

Mais do que os dois gols, chamou atenção a capacidade de aparecer justamente nos momentos de maior pressão.

Esse comportamento já havia sido visto nas oitavas de final, quando também marcou dois gols diante do México.

Com isso, Bellingham passou a acumular atuações decisivas em sequência justamente na fase eliminatória da competição.

Os números reforçam esse protagonismo.

O meio-campista chegou a sete gols em Copas do Mundo pela seleção inglesa ainda com apenas 23 anos. Entre jogadores dessa faixa etária, apenas Kylian Mbappé possui desempenho superior.

Além disso, tornou-se o primeiro atleta desde Diego Maradona, em 1986, a marcar dois gols em partidas eliminatórias consecutivas de uma Copa do Mundo.

São estatísticas que mostram o crescimento de um jogador cada vez mais acostumado a decidir partidas importantes.

Inglaterra ainda convence menos do que outros favoritos

Anthony Gordon, México x Inglaterra. Foto: Reprodução/La Tribuna.com
Anthony Gordon, México x Inglaterra. Foto: Reprodução/La Tribuna.com

Apesar da classificação, a atuação inglesa voltou a gerar algumas dúvidas.

Durante boa parte da partida, a Noruega conseguiu competir em igualdade de condições.

As estatísticas do confronto demonstram esse equilíbrio.

As duas seleções finalizaram dez vezes e acertaram cinco chutes no gol. Cada equipe também teve um gol anulado pelo árbitro de vídeo.

Em diversos momentos, os noruegueses conseguiram controlar a posse de bola e pressionar a saída inglesa.

Isso evidencia uma característica que acompanha a Inglaterra desde o início da competição.

Ao contrário de seleções como França e Espanha, que em alguns jogos conseguiram dominar completamente seus adversários, os ingleses frequentemente precisam construir suas classificações com muito sofrimento.

O time de Thomas Tuchel nem sempre consegue controlar o ritmo das partidas.

Por outro lado, demonstra enorme capacidade emocional para suportar momentos difíceis.

Contra o México, precisou jogar parte da partida com um jogador a menos.

Contra a Noruega, buscou a virada depois de sair atrás no placar.

Essa força mental passou a ser uma das maiores virtudes da equipe.

Mesmo quando o desempenho coletivo não impressiona, a Inglaterra permanece competitiva até o apito final.

Boa parte disso passa pela qualidade individual de jogadores como Bellingham, Kane, Gordon e Morgan Rogers, que conseguem produzir lances decisivos mesmo em partidas pouco inspiradas.

A semifinal será o verdadeiro teste da seleção inglesa

Argentina - Copa do Mundo
Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.

A classificação coloca a Inglaterra diante de um desafio ainda maior.

Na semifinal, o adversário será a Argentina, atual campeã mundial e liderada por Lionel Messi.

Historicamente, trata-se de um dos confrontos mais importantes do futebol internacional.

Além da enorme rivalidade construída ao longo das Copas do Mundo, as duas seleções chegam em momentos positivos e contam com jogadores capazes de decidir partidas individualmente.

Para a Inglaterra, o duelo servirá como um verdadeiro teste sobre o potencial desta equipe.

Até aqui, a campanha foi marcada por classificações difíceis, jogos equilibrados e muito protagonismo de Jude Bellingham.

Contra a Argentina, porém, depender apenas de momentos individuais poderá não ser suficiente.

Será necessário apresentar um futebol coletivo mais consistente, controlar melhor a posse de bola e reduzir os espaços oferecidos ao ataque argentino.

Ao mesmo tempo, o excelente momento vivido por Bellingham aumenta a confiança dos ingleses.

O meio-campista chega embalado por atuações históricas e consolidado como o principal nome da seleção nesta Copa do Mundo.

A Inglaterra ainda desperta dúvidas quanto ao desempenho apresentado.

Não é considerada, até aqui, a seleção mais dominante da competição.

Mesmo assim, continua avançando.

Muito disso acontece porque possui um jogador que aparece sempre quando o cenário parece mais complicado.

Foi assim diante do México.

Foi novamente contra a Noruega.

Agora, resta saber se Jude Bellingham conseguirá repetir esse protagonismo diante da Argentina e aproximar a Inglaterra de uma final de Copa do Mundo pela primeira vez desde o histórico título conquistado em 1966.

Se depender do momento vivido pelo camisa 10, os ingleses têm motivos para acreditar que o sonho de voltar ao topo do futebol mundial continua mais vivo do que nunca.

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Kaique