Bernardinho, eliminação em Paris
Olimpíadas Vôlei

Bernardinho assume responsabilidade por eliminação em Paris e avisa: “Aprenderam com a gente, agora é nossa vez”

A eliminação nas quartas de final deixou o Brasil em oitavo lugar no voleibol dos Jogos Olímpicos de Paris, a pior posição da seleção masculina desde as Olimpíadas de Munique, em 1972. Há 24 anos, desde os Jogos de Sydney, a equipe não caía antes das semifinais.

Após a derrota para os Estados Unidos, na última segunda-feira (05), o técnico Bernardinho se colocou como principal responsável pela campanha ruim do Brasil na competição em solo francês. O treinador assumiu a equipe pela segunda vez na carreira, e teve apenas três meses de trabalho para implantar seu estilo de jogo, numa elenco mesclado por experientes e novatos.

Responsabilidade toda minha de não ter dado aos rapazes a condição de aproveitar oportunidades. Eu talvez não conhecesse totalmente o grupo, não soubesse como extrair o melhor. Fico muito triste pelos veteranos, porque sei o quanto eles se doaram para estar aqui. Bruninho se machucou, voltou, deu um gás. Lucão também tentando da melhor maneira possível. Então, vi o quanto eles se dedicaram para dar experiência e confiança ao time.”

Triste pelos rapazes (mais novos), pela frustração de não ter conseguido um pouco mais, mas eles têm muita coisa pela frente. Então que chorem mesmo, que essas lágrimas sejam de motivação para o próximo ciclo que começa amanhã.”

Novo ciclo de Bernardinho foi mais curto na eliminação em Paris

Ao citar o pouquíssimo tempo que teve para trabalhar e conhecer o grupo que estaria com ele no ciclo dos Jogos de Paris, Bernardinho relembrou que a segunda passagem pela seleção masculina do Brasil teve apenas uma competição antes da olimpíada, a Liga das Nações deste ano. Bernardinho assumiu a equipe ainda no final do ano passado depois da saída de Renan Dal Zotto, porém, conduziu o time somente em 2024, há três meses dos Jogos.

Estando também à frente do cargo de coordenador de seleções da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), Bernardinho ainda não sabe se permanecerá no comando do time masculino após a inesperada eliminação nas Olimpíadas. O treinador afirmou que precisará de um tempo para pensar e refletir sobre a decisão que pretende tomar.

Mesmo que não permaneça no comando, Bernardinho também reconhece que o trabalho será árduo no próximo ciclo, visando os Jogos de Los Angeles. Sobre 2028, o técnico crê que o vôlei do Brasil voltará a ter sucesso, mas que precisará ter muito esforço e inspiração no trabalho aplicado no exterior.

O voleibol mudou muito tecnicamente. Não é força só. O jogo até é um pouco mais sujo. Você agarra bolas, toca para atacar. Aí tem que trabalhar muito o sistema defensivo. O sistema de treinamento também mudou. É muito mais jogado o jogo, e a gente tem que fazer isso. A cultura do vôlei brasileiro tem que melhorar. Ter a humildade de aprender com os outros lá fora. O Brasil esteve na frente, e aprenderam conosco. Hoje, há um jogo muito mais de jogar, de fazer e tal, do que apenas de potência.”

A humildade e necessidade de aprender foi vista no decorrer da caminhada brasileira em solo francês, com as três derrotas que a equipe masculina sofreu na disputa pelo ouro. Itália, Polônia e Estados Unidos já haviam batido o Brasil na Liga das Nações deste ano, e as três estão classificadas para as semifinais dos Jogos de Paris.

Foto: Carl Recine/Getty Images