A lenda do skate brasileiro e maior medalhista da história do X-Games, com 30 medalhas, Bob Burnquist criticou as falas do skatista Kelvin Hoefler, que competiu nesta segunda-feira (29) nos jogos olímpicos de Paris e criticou o formato da competição na disputa dos jogos.
Segundo Hoefler, o atual modelo favorece aos atletas da nova geração, que errariam mais e teriam menos repertórios de manobras, mas conseguem vencer.
”Sempre haverá espaço para discutir formatos e regras, mas o importante é evoluir juntos, com respeito e reconhecimento pelo esforço e conquistas de todos. É triste ver um talento como o Kelvin escolher um caminho de críticas constantes, sem reconhecer o esforço e trabalho dos outros para que ele tivesse essa oportunidade.” afirmou Burnquist ao O Globo.
”Precisamos lembrar que nossas palavras e ações tem impactos, e o respeito é fundamental para o crescimento do esporte como um todo.” completou Bob, que também foi presidente da Federação Brasileira de Skate (CBSK) por dois anos.
Críticas de Kelvin Hoefler
Após terminar na sexta colocação na final do skate street na praça da concórdia, em Paris, Hoefler não mediu palavras nas críticas feitas ao atual formato da competição nos jogos olímpicos. O paulista do Guarujá afirmou que não pensa em disputar os próximos jogos de Los Angeles, em 2028, e que só mudara de ideia caso o COI mude o modelo de pontuação até lá.
”Com essa nova geração é difícil (disputar). Tóquio foi diferente, a pista era grande, formato diferente. Eram quatro notas totais, aqui eram três, tirando uma da volta. Aí você tem cinco tentativas, para acertar as duas. Então, a margem de erro é muito maior que em Tóquio. Eu, particularmente, acredito que o pessoal tem que mudar o formato dos próximos jogos olímpicos para ser mais divertido.”.
”O pessoal erra, erra e erra, e ganha. Acertam duas e ganham. Então, para mim, que vejo a galera errando, errando e vencendo, tem que ser mais legal o formato de disputa.”, concluiu.
Kelvin, que colocou a hipotéticas mudanças como preponderantes para que repense na decisão de não disputar os próximos jogos, afirmou que ”não aguenta mais” e que precisa de férias por conta do cansaço do período olímpico.
Bob Burnquist parabeniza vencedor
Burnquist também aproveitou para elogiar o medalha de ouro, o japonês Yuto Horigame. A lenda do skate brasileiro disse que o bicampeão olímpico ”entendeu bem o formato e se manteve na estratégia de tentar uma manobra super difícil até acertar”.
Ainda em atividade, mas longe das grandes competições, Bob também parabenizou Kelvin Hoefler por ter chegado a sua segunda final olímpica, porém se mostrou contrário as críticas do brasileiro, dizendo que o formato proposto por Hoefler certamente beneficiaria ele na competição.
”Entendo as críticas do Kelvin sobre o formato que ele prefere, e como isso se encaixa no estilo de skate dele, o que certamente o beneficiaria. No entanto, acredito que reclamar publicamente do formato ou culpar outros fatores não ajuda a crescer como skatista ou como pessoa. Respeitar a vitória e o mérito dos outros é essencial para manter a integridade e o espírito do Skate.”, analisou.
”Sempre preferi formatos que enaltecem o progresso técnico, onde manobras difíceis as vezes levam mais tempo para acerta. E essa final do street masculino foi uma das mais incríveis que já vi, com manobras inacreditáveis”, concluiu Bob Burnquist.
(Foto: Julio Detefon)