Nas Olimpíadas de Paris 2024, o brasileiro Kelvin Hoefler terminou na sexta colocação na final do Skate Street disputada na manhã desta segunda-feira (29). O brasileiro não conseguiu repetir o desempenho de Tóquio 2020, onde ficou com a medalha de prata na competição.
Em uma final de tirar o fôlego, o japonês Yuto Horigome conquistou o bicampeonato olímpico em sua última manobra, deixando os americanos Jagger Eaton e Nyjah Huston com as medalhas de prata e bronze nas Olimpíadas.
Kelvin começou muito bem a fase final, sem erros em sua volta. O brasileiro emplacou uma nota 87.25 dando mais tranquilidade para o restante da final. A queda na segunda tentativa, somada a uma leve torção no tornozelo, deixaram o skatista em condição difícil de brigar por medalha.
Final em alto nível
O brasileiro entrou em sexto lugar na fase de manobras e começou jogando a pressão para os rivais, fazendo uma manobra que lhe deu uma nota 90.14.
Após errar sua segunda manobra, Hoefler se colocou na briga por medalha ao emplacar um 92.88, assumindo a terceira colocação na classificação geral, mas o desempenho do japonês Sora Shirai acabou com as esperanças de medalha de Kelvin.
O brasileiro ainda foi pra última tentativa precisando de um 97.99 para ter a sua medalha, mas acabou errando a manobra e tendo que se contentar com o sexto lugar no geral.
A disputa pela medalha de ouro foi de altíssimo nível, com os americanos Eaton e Huston dominando a fase final desde o início, mas em sua última volta, com uma manobra fantástica, Horigome emplacou uma manobra que lhe deu um 97.06, assumindo a primeira colocação no geral. Além disso, contou com duas quedas dos americanos em suas tentativas.
O japonês repetiu o seu desempenho de Tóquio e garantiu mais uma medalha de ouro para o Japão na modalidade nas Olimpíadas.
Classificação final nas Olimpíadas
Yuto Horigome (JAP) – 281.14
Jagger Eaton (EUA) – 281.04
Nyjah Huston (EUA) – 279.38
Sora Shirai (JAP) – 278.12
Richard Tury (ESQ) – 273.98
Kelvin Hoefler (BRA) – 270.27
Cordano Russell (CAN) – 211.80
Matias Dell Olio (ARG) – 153.98
Insatisfação
O brasileiro, que ficou fora do pódio nas Olimpíadas, detonou o formato adotado para o Skate Street nas olimpíadas de Paris. Segundo ele, o modelo atual permite mais erros e favorece a nova geração da modalidade que, para ele, tem menos repertórios de manobras.
“Com essa nova geração é difícil, ne. Uma pista muito pequena, que a galera consegue tentar bastante coisa, ter mais tranquilidade, mais técnica. A nova geração é essa daí. Bem difícil de acompanhar. Consegui acertar minhas manobras, por milésimos, muito pouco. Em Tóquio foi diferente, a pista era grande, o formato era diferente”, argumentou o brasileiro após a prova.
“Eram quatro notas totais, aqui eram três, tirando uma da volta. Aí você tem cinco tentativas, para acertar duas. Então a margem de erro é muito maior do que em 2021. Eu, particularmente, acredito que o pessoal tem que mudar o formato para os próximos jogos olímpicos para ser mais divertido.
“É fato que o pessoal erra, erra e erra, e ganha. Acertam duas e ganham. Então, para um público mais leigo e para mim também, que vejo a galera errando, errando e vencendo, tem que ser mais legal para o público.”
Mudança para os Jogos Olímpicos de 2028
O brasileiro citou rumores de que o formato de avaliação do skate street pode mudar para as Olimpíadas de Los Angeles 2028. Ele ainda colocou o skate park como formato a ser seguido.
“Igual o [street] park. Os competidores têm três voltas, e a melhor da sua vida que você vai colocar lá, as melhores manobras. Tem que ser isso.”
Para Hoefler, mudar o formato da pista e o modelo de avaliação para o próximo ciclo olímpico serão importantes. Essas modificações passam pela decisão de querer disputar a modalidade nas próximas Olimpíadas.
“Acredito que sim [muda a decisão de não disputar Los Angeles]. Porque vai ser mais fácil. Não vai ser na pegada da nova geração, aprender duas manobras e ganhar… Eu e o Nyjah [skatista norte-americano], a gente tem bagagem de manobra muito grande. A gente consegue encaixar várias.
“Então, essa nova geração aprende de uma forma só e não consegue ter um leque de manobras grandes. Mudando o formato, segundo alguns rumores, o pessoal vai ter que ter um leque maior, vai ter que aprender bastante.”
Dúvida sobre Los Angeles
A presença de Kelvin na próxima edição das Olimpíadas é incerta e ele explicou o motivo de não pensar em disputar a próxima edição dos jogos olímpicos em Los Angeles. Segundo ele, o ciclo para esses jogos de Paris foi muito desgastante.
“Eu não aguento mais. Preciso de férias. Estou cansado. Ando de skate há uns 23 anos, nunca estive velho. Preciso de férias para descansar um pouco. Esse ciclo foi muito difícil, tivemos em competição há cerca de um mês atrás. E de um alto nível muito difícil. A gente não sabia que viria para esses jogos de Paris, tivemos que chegamos nessa correria.”
(Foto: Miriam Jeske/COB)