O Boca Juniors desembarcou nos Estados Unidos para a Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025 com expectativas discretas. Com um primeiro semestre pra esquecer, com eliminação nos pênaltis na pré-libertadores para o Alianza Lima, em plena Bombonera, e eliminação precoce no Campeonato Argentino, o time argentino não era apontado como favorito em seu grupo, que contava com Bayern de Munique, Benfica e o semiprofissional Auckland City.
Surpreendentemente, a estreia do Boca foi eletrizante e reacendeu a esperança dos torcedores. Os argentinos abriram 2 a 0 no placar contra o Benfica, mas acabaram cedendo o empate no fim. Na segunda rodada, perderam por 2 a 1 para o Bayern em partida muito disputada. O resultado deixou o Boca ainda em condições de avançar, mas dependia de um feito quase impossível no último jogo, com goleada sobre o Auckland e vitória ou empate do já classificado Bayern contra o Benfica.
Principais resultados do Boca Juniors no Grupo C:
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Boca Juniors 2 x 2 Benfica (16/06/2025): O time abriu 2 a 0 com gols de Miguel Merentiel e Rodrigo Battaglia, mas permitiu o empate do Benfica nos minutos finais.
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Bayern de Munique 2 x 1 Boca Juniors (20/06/2025): O Boca saiu atrás (gol de Harry Kane), empatou com um belo gol de Merentiel, mas sofreu o gol da vitória alemã nos minutos finais novamente.
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Auckland City 1 x 1 Boca Juniors (24/06/2025): Esperava-se goleada sobre o frágil time da Nova Zelândia, mas o Boca empatou e sofreu o único gol do Auckland – o que decretou sua eliminação do torneio (que era inevitável, já que o Benfica acabou vencendo o Bayern por 1×0).
Chegada discreta, torcida vibrante
Os torcedores do Boca Juniors provaram ser o grande destaque inicial do torneio. Mesmo sem favoritismo declarado, o clube levou milhares de fãs a Miami e Nashville. Em todos os jogos em que participou, a torcida azul e amarela lotou as arquibancadas. Na estreia contra o Benfica houve cerca de 55 mil pagantes – na maior parte torcedores xeneizes – e no jogo seguinte contra o Bayern foram 63 mil no Hard Rock Stadium, novamente em maioria Boca.
A imprensa registrou a festa: faixas, bandeiras e cantos históricos criaram uma atmosfera semelhante à Bombonera, uma “mini Buenos Aires” fora da Argentina. A presença massiva dos fãs chamou atenção mundial e reforçou a imagem de que, apesar das expectativas modestas, o Boca teria o apoio de uma torcida apaixonada, capaz de pressionar adversários e empolgar outras equipes sul-americanas no torneio.
Empolgação vai virar pressão
Em suma, a campanha do Boca Juniors no Mundial de Clubes de 2025 foi marcada por dois extremos: entusiasmo inicial e frustração total. Chegou à competição sem pressão, mobilizou sua fanática torcida e alcançou resultados que, a princípio, alimentaram um sonho improvável de classificação. O empate contra o Benfica e a partida acirrada contra o Bayern convenceram todos de que o time era competitivo. Mas na reta final tudo desabou. Saiu do torneio sem vitórias e sem vaga nas fases seguintes, retornando à Argentina com lições duras.
Do ponto de vista tático, o Boca mostrou bons momentos de posse de bola e contra-ataque rápido (os gols de Merentiel revelaram capacidade ofensiva), mas faltou consistência. A equipe cedeu espaços nas bolas paradas e perdeu chances claras diante do último adversário. Os erros defensivos e a queda de rendimento no calor de Nashville acabaram sendo fatais. Fisicamente, a combinação de clima hostil e falta de pique também prejudicou no terceiro jogo. Em termos emocionais, a expectativa criada pelos primeiros jogos virou decepção: a torcida saiu dos estádios decepcionada após ver o time ficar de fora das semifinais.
O resultado final foi avaliado como um dos piores desempenhos recentes do clube em torneios internacionais. De quebra, o Boca Juniors deixa o Mundial de Clubes sem faturar nada — pelo contrário, acumulou gols sofridos na fase final das partidas mais importantes e a eliminação precoce em um grupo que parecia muito complicado, mas se mostrou acessível ao longo dos jogos.
A campanha terminou longe do que se esperava depois da estreia animada, servindo como um alerta: não há jogo fácil no futebol moderno, mesmo contra um time semiprofissional. Em termos organizacionais, cobra-se revisão na preparação física e alertas táticos para evitar novas surpresas. Para os torcedores, fica o orgulho pela presença maciça em Miami e no Tennessee, mas também a lembrança amarga de que a campanha acabou em decepção completa, longe do sonho de erguer mais um troféu. A pressão que já era grande sobre Juan Roman Riquelme, um dos maiores ídolos da história do clube, e atual presidente do time, será gigantesca.
Créditos foto de capa: Getty images



