Niko Kovac sorri para a vida, ao colocar o Borussia Dortmund nos trilhos.
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Borussia Dortmund renasce na reta final da temporada sob comando de Kovac

O Borussia Dortmund venceu o Bayer Leverkusen, por 4 a 2, e manteve a sequência de vitórias. Este foi o quinto triunfo consecutivo dos Schwarzgelben, sendo quatro na Bundesliga e um na Champions League. Sob o comando de Niko Kovac, o BVB demonstra ter encontrado o caminho perfeito para que o time desempenhe um bom futebol.

A vitória incontestável na BayArena permitiu que os torcedores voltassem a sonhar com uma vaga na UCL, mesmo que a temporada, como um todo, tenha sido repleta de turbulências. No entanto, todo este processo perpassa pelo momento “divisor de águas”: a eliminação diante do Barcelona, no torneio continental.

Dentro deste contexto, as alterações drásticas no esquema tático, na queda perante os Blaugranas, renderam bons frutos. Veja como está sendo o renascimento do clube da Muralha Amarela neste final de temporada 2024/2025:

Desconfiança em relação à chegada de Niko Kovac no Borussia Dortmund

Niko Kovac em sua estreia como técnico do Borussia Dortmund, contra o Stuttgart — derrota em casa, por 2 a 1.
Niko Kovac em sua estreia como técnico do Borussia Dortmund, contra o Stuttgart — derrota em casa, por 2 a 1. Foto: Ralf Ibing/firo sportphoto/Getty Images — Divulgação.

 

Antes de desembarcar em Dortmund, Kovac vivia um período de desconfiança por parte da torcida Aurinegra, justamente pelos trabalhos abaixo do esperado no Wolfsburg e no Monaco. Em Die Wölfe, nos 66 jogos sob seu comando, o treinador croata venceu 23, empatou 17 e perdeu 26, com um aproveitamento de 43,3%. Um dos pontos mais sensíveis desse período foi o equilíbrio negativo entre gols marcados e sofridos: foram 99 a favor e 96 contra — ou seja, a equipe balançava as redes quase na mesma proporção em que era vazada.

Essa estatística evidenciava a fragilidade do sistema defensivo. E os números não se restringiam apenas ao Wolfsburg — refletiam também sua passagem pelo Monaco. Pela equipe francesa, embora o aproveitamento tenha sido superior (65%), Les Rouge et Blanc mantinham a média de um gol sofrido por partida: foram 136 gols marcados e 80 sofridos. Neste sentido, todos estes fatores faziam com que os adeptos do Borussia Dortmund ficassem com o pé atrás em relação a figura de Niko.

Esta sensação de repulsa tornou-se ainda maior quando sua estreia teve como resultado uma derrota, contra o Stuttgart em casa, por 2 a 1. Realmente naquela ocasião, era precipitado analisar o desempenho do Dortmund, principalmente porque o legado deixado por Nuri Sahin – demitido no final de janeiro – foi de quatro derrotas consecutivas. Nesse sentido, não era para menos que a torcida estivesse impaciente e exigia melhorias, ainda mais estando a beira de uma decisão — contra o Sporting, nos playoffs da Champions.

Mudança no esquema tático

Kovac se reúne com seus auxiliares. no jogo entre Borussia Dortmund e Mainz 05.
Kovac se reúne com seus auxiliares. no jogo entre Borussia Dortmund e Mainz 05. Foto: Ralf Ibing/firo sportphoto/Getty Images — Reprodução.

 

Conforme os jogos foram passando, o Borussia Dortmund seguia sem convencer seus adeptos — até mesmo nas vitórias. Desde que o croata passou a comandar a área técnica dos Schwarzgelben, foram dez partidas com o mesmo esquema tático como base: o 4-2-3-1.

Nessa disposição, o BVB atuou desde o confronto contra o Stuttgart, em 8 de fevereiro, até o duelo diante do Leipzig, em 15 de março. Nesse intervalo, o desempenho era visivelmente insatisfatório, marcado por instabilidades tanto defensivas quanto ofensivas. No entanto, tudo mudou no jogo contra o Mainz 05.

Diante dos Nullfünfer, uma mudança drástica foi feita na formação inicial. Naquela partida no Signal Iduna Park, pela primeira vez, Kovac escalou um time com um sistema de três zagueiros. Antes disso, a dupla Nico Schlotterbeck e Emre Can ficava demasiadamente exposta — mesmo quando Waldemar Anton ou Niklas Süle eram improvisados na lateral direita. Com a adoção do trio na última linha, a dinâmica mudou completamente, inclusive na forma de vencer.

A nova formação agradou — e muito. Contra o time de Bo Hendriksen, a vitória por 3 a 1, somada aos números da partida, evidenciou a melhora ofensiva do Dortmund, com mais objetividade e amplitude pelas laterais graças à atuação dos alas. Essa mesma proposta foi repetida no jogo seguinte, contra o Freiburg, e novamente funcionou: vitória por 4 a 1.

No entanto, no meio do caminho surgiu um verdadeiro teste para as convicções táticas de Kovac: enfrentar o Barcelona, de Hansi Flick. Para essa missão, o treinador optou por retomar a linha de quatro defensores — uma decisão que custou caro. A derrota por 4 a 0 escancarou as fragilidades da equipe nesse modelo, deixando claro que o sistema com três zagueiros era, de fato, o mais adequado. O placar poderia ter sido ainda mais elástico, e os aurinegros colocaram em risco sua honra diante de um dos melhores times da Europa na temporada 2024/25.

Niko Kovac cumprimenta seus jogadores, em uma demonstração de felicitação pela partida bravamente disputada.
Niko Kovac, treinador do Borussia Dortmund, cumprimenta seus jogadores, em uma demonstração de felicitação pela partida bravamente disputada. Foto: Federico Gambarini/picture alliance — Reprodução.

 

Foi no jogo de volta contra os Blaugranas que ocorreu o verdadeiro “divisor de águas” para o Borussia Dortmund. Aquela foi a melhor exibição da equipe na temporada. Kovac parecia ter preparado algo especial para enfrentar Lewandowski e companhia. Com o eficiente sistema de três zagueiros e os alas bem abertos, o time conseguia explorar os corredores ofensivos e também criar alternativas na saída de bola, mesmo sob pressão.

O resultado de 3 a 1, embora insuficiente para garantir a classificação, deixou os torcedores orgulhosos. O Dortmund foi superior durante boa parte dos 90 minutos em seus domínios e mostrou ao mundo os caminhos para superar o poderoso Barcelona. Foi uma atuação brilhante, com destaque para Serhou Guirassy (artilheiro da equipe), Julian Brandt, Karim Adeyemi e Pascal Groß (principais assistentes).

Desde a adoção do sistema com três zagueiros, o Dortmund passou a marcar dois ou mais gols por jogo. As tramas ofensivas, a precisão nos passes e a efetividade nas finalizações são reflexos diretos dessa nova organização tática, que recolocou o clube em alto nível de competitividade.

Retorno para a parte de cima da tabela da Bundesliga

O treinador do Borussia Dortmund comemora mais uma vitória.
O treinador do Borussia Dortmund comemora mais uma vitória. Foto: Christof Koepsel/Getty Images — Reprodução.

 

A saída de Nuri Sahin pode não trazer boas lembranças aos torcedores. Até sua demissão, o time do Norte da Vestfália ocupava a parte de baixo da tabela, em 11º lugar. Após as mudanças, porém, subiu para a 5ª posição. Poucos aurinegros imaginariam que o clube sairia de uma fase turbulenta para encerrar a temporada em alta e com chances reais de disputar a próxima edição da Champions League.

Na próxima e última rodada da Bundesliga, o Borussia Dortmund terá a missão de vencer o Holstein Kiel, no Signal Iduna Park. O duelo está marcado para o dia 17 de maio (sábado), às 10h30 (de Brasília). Para garantir vaga na principal competição de clubes da Europa, os Schwarzgelben precisam da vitória e ainda torcer para que o Eintracht Frankfurt derrote o Freiburg.

A Bundesliga caminha para seu último capítulo, mas o calendário aurinegro ainda está longe de terminar. O Borussia Dortmund também disputará o Super Mundial de Clubes da FIFA, e seu primeiro adversário será brasileiro: o Fluminense. O torcedor tricolor pode esperar um confronto difícil — o novo BVB promete ser um desafio à altura para qualquer oponente.

Foto de capa: Ralf Ibing/ firo sportphoto/Getty Images — Divulgação