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Botafogo ‘acha’ o seu meio-campo, mas notícias ruins se acumulam e preocupam; confira

O meio-campo começa a encontrar um caminho

Em uma temporada marcada por instabilidade, o Botafogo começa a encontrar uma resposta para um dos setores que mais oscilaram ao longo do ano. Danilo, Lucas Villalba e Álvaro Montoro vêm formando uma combinação capaz de oferecer mais organização ao meio-campo, com funções que se complementam e dão ao time uma referência mais clara para sair da defesa e construir suas jogadas.

É um sinal positivo, mas que aparece acompanhado de um problema maior. O empate por 1 a 1 com o Red Bull Bragantino levou o Botafogo ao sexto jogo consecutivo sem vencer no Campeonato Brasileiro, com três empates e três derrotas no período. A equipe chegou aos 32 pontos, ocupa a 14ª colocação e está apenas quatro pontos acima do Vasco, primeiro time dentro da zona de rebaixamento.

A evolução do meio-campo, portanto, precisa ser vista como um ponto de partida, não como uma solução. O Botafogo começa a encontrar alguma estabilidade justamente quando os problemas ao redor do futebol se multiplicam.

O time ainda não encontrou respostas no ataque

A dificuldade mais evidente continua sendo a produção ofensiva. O Botafogo tem criado pouco, apresenta repertório limitado e, quando encontra uma defesa organizada, frequentemente recorre aos cruzamentos como principal alternativa para chegar ao gol.

Contra o Bragantino, isso ficou ainda mais evidente. Mesmo com a expulsão de Wallace Yan no fim do primeiro tempo, o Botafogo não conseguiu transformar a vantagem numérica em uma pressão consistente. A equipe teve mais espaço para atacar, mas não encontrou maneiras suficientes de aproveitar a superioridade e buscar a vitória.

O empate saiu justamente de uma jogada aérea, com Alex Telles cruzando para Vitinho marcar de cabeça. O gol foi importante para evitar uma derrota ainda mais pesada no contexto atual, mas não escondeu a dificuldade para construir oportunidades por outros caminhos.

Montoro tem sido uma das principais referências criativas, mas o argentino não pode carregar sozinho a responsabilidade por fazer o time jogar. Se o meio-campo realmente começa a funcionar, o próximo passo precisa ser fazer essa melhora aparecer também na frente, com mais movimentação, combinações e capacidade de atacar os espaços.

Os números ajudam a dimensionar o problema: nos últimos 11 jogos oficiais, o Botafogo marcou apenas nove gols. Para uma equipe que já não disputa Libertadores, Copa do Brasil ou Sul-Americana, depender de uma produção tão baixa torna a reação no Brasileirão ainda mais difícil.

As notícias ruins vão muito além do campo

Se a situação estivesse limitada ao desempenho esportivo, o Botafogo ainda teria um problema importante para resolver. O cenário, porém, é mais amplo. Lesões, desfalques e dificuldades institucionais se acumulam justamente no momento em que o clube mais precisa de estabilidade.

Jordan Barrera sofreu uma lesão grave no tornozelo e não joga mais em 2026. A lateral esquerda também virou motivo de preocupação diante dos problemas físicos no elenco, reduzindo as alternativas disponíveis para a comissão técnica. Em paralelo, jogadores importantes ainda tentam recuperar ritmo e condição física, como Tiquinho Soares, que voltou após longo período afastado.

A ausência de peças não explica tudo, mas aumenta a dificuldade de um time que já vinha apresentando pouca consistência. O Botafogo precisa encontrar soluções dentro do próprio elenco ao mesmo tempo em que tenta recuperar resultados, e esse equilíbrio se torna mais complicado quando as opções diminuem.

Fora de campo, a situação é ainda mais delicada. A SAF declarou à Justiça do Rio estar em “inegável estado pré-falimentar” e convive com bloqueios judiciais, dificuldades financeiras e episódios de atraso em pagamentos. É um ambiente que inevitavelmente interfere na capacidade do clube de atravessar uma crise esportiva com tranquilidade.

A temporada também perdeu suas outras válvulas de escape. O Botafogo já foi eliminado da Libertadores, da Copa do Brasil e da Sul-Americana, competição na qual sofreu uma goleada por 6 a 1 para o Cienciano, no Peru. Agora, o Brasileirão é a única frente restante, e cada rodada passou a ter um peso muito maior.

O meio-campo pode ser a base da reação

É justamente nesse cenário que a evolução de Danilo, Villalba e Montoro ganha importância. O Botafogo não precisa apenas de jogadores capazes de executar boas jogadas individualmente; precisa de uma estrutura que permita ao time competir melhor e sustentar suas ações durante os 90 minutos.

Danilo pode dar mais equilíbrio e experiência ao setor, enquanto Villalba ajuda na circulação e Montoro oferece criatividade. A combinação ainda precisa ser testada e aperfeiçoada, mas apresenta uma lógica que pode ajudar a equipe a sair de uma sequência de atuações pouco convincentes.

O ponto central é não confundir uma melhora pontual com uma transformação completa. Um meio-campo mais organizado pode aproximar os setores, melhorar a saída de bola e criar melhores condições para o ataque, mas não resolve automaticamente os problemas defensivos nem a falta de repertório na frente.

O empate com o Bragantino mostrou exatamente isso. O Botafogo teve a oportunidade de jogar com um homem a mais durante praticamente todo o segundo tempo, mas não conseguiu transformar a superioridade em uma atuação dominante. Se a equipe quiser se afastar da parte de baixo da tabela, precisará fazer o meio-campo funcionar como elo entre uma defesa mais segura e um ataque mais eficiente.

O momento exige decisões rápidas

A próxima partida, contra o Grêmio, no Nilton Santos, ganha um peso ainda maior depois de mais um tropeço. O Botafogo precisa interromper a sequência sem vitórias antes que a proximidade do Z-4 transforme uma preocupação em uma crise de maiores proporções.

Também por isso, a discussão sobre o comando técnico deixou de ser uma questão secundária. A diretoria precisa avaliar rapidamente se Rodrigo Bellão é capaz de conduzir a reação ou se uma mudança pode aumentar as possibilidades de recuperação. Não se trata apenas de trocar por trocar, mas de evitar que a indecisão custe pontos que podem fazer falta nas rodadas finais.

O Botafogo ainda tem tempo para mudar o rumo da temporada, mas o espaço para erros está diminuindo. O meio-campo finalmente dá sinais de que pode ser uma solução, e isso precisa ser aproveitado. Ao mesmo tempo, a diretoria não pode ignorar a quantidade de problemas que continuam pressionando o clube.

Encontrar um setor mais equilibrado é importante. Transformar essa evolução em um time mais competitivo é urgente. E, diante de tudo o que já aconteceu em 2026, o Botafogo não pode esperar que uma única boa notícia seja suficiente para compensar tantas outras ruins.

Foto: Vitor Silva/Botafogo/Divulgação