Botafogo
Brasileirão Futebol

Botafogo decepciona na temporada com planejamento errado e problemas com Textor

O Botafogo viveu 2024 como o ano dos sonhos: a conquista da Copa Libertadores da América e do Brasileirão consagrou o clube de vez e elevou sua trajetória a um dos melhores momentos de sua história. Mas a temporada atual — que se encerra neste domingo (7), no jogo contra o Fortaleza — será lembrada como melancólica: o Glorioso passou em branco, sem erguer qualquer troféu.

Em grande parte, o fracasso pode ser atribuído a um planejamento equivocado desde o início e aos problemas internos envolvendo o empresário John Textor, acionista-majoritário da SAF do Botafogo. Entenda melhor abaixo. 

Menosprezo do Botafogo ao início da temporada

Logo após a euforia de 2024, o Botafogo subestimou a importância de entrar 2025 com pernas firmes. A diretoria demorou a definir o substituto do então treinador Arthur Jorge. Apenas meses depois, escolheu Renato Paiva, um nome questionável — e, ao mesmo tempo, retardou a chegada de reforços.

Esse atraso teve consequências imediatas: o Botafogo não começou bem a temporada, caiu no Campeonato Carioca e chegou sem ritmo para as decisões importantes. Perdeu as finais da Recopa Sul-Americana e da Supercopa do Brasil, respectivamente contra Racing Club e Flamengo. O contexto evidenciou o equívoco de menosprezar a preparação: elenco ainda em formação, entrosamento baixo e jogadores ainda se adaptando — era o oposto de como deveria se comportar o clube vitorioso de 2024.

Renato Paiva e os resultados abaixo do esperado

Quando Paiva assumiu, muitos já duvidavam de sua capacidade para repetir o sucesso do ano anterior. Com o tempo, essas dúvidas se transformaram em críticas. Apesar de alguns momentos de brilho, o técnico nunca conseguiu extrair do elenco o melhor rendimento de forma consistente.

A gota d’água ocorreu após a eliminação nas oitavas de final do Mundial de Clubes da Fifa, diante do Palmeiras: embora o time tivesse conseguido uma vitória histórica contra o Paris SaintGermain, não foi o suficiente. A diretoria optou pela demissão de Paiva.

Para seu lugar, foi contratado o italiano Davide Ancelotti, filho do consagrado técnico Carlo Ancelotti. Jovem e com pouca experiência em comando de time principal, Ancelotti tenta reconstruir o Botafogo. O trabalho tem sido razoável, ainda que com tropeços evitáveis um exemplo é a eliminação nas quartas de final da Libertadores para a LDU.

Os problemas provocados por John Textor

Se o futebol patinou, fora de campo a situação também ficou turbulenta, em torno de John Textor. Em 2025, a gestão do clube foi afetada por uma disputa judicial entre a holding controladora da SAF, Eagle Football Holdings, e Textor — que transferiu a SAF do Botafogo para uma nova empresa nas Ilhas Cayman, em uma operação que, segundo a Eagle, representaria conflito de interesses. A Justiça do Rio de Janeiro chegou a congelar as ações da Eagle na SAF.

Além disso, Textor ainda é questionado por “transferências fantasmas”: jogadores que supostamente teriam sido negociados do Botafogo para o Lyon não chegaram a ser registrados pela liga francesa, mas mesmo assim geraram dívidas vultosas. Recentemente, inclusive, a equipe da França divulgou que o time carioca deve R$ 650 milhões.

Para agravar, simultaneamente, a SAF do Botafogo cobra agora do Lyon ressarcimento de cerca de R$ 410 milhões por negociações consideradas “em condições desfavoráveis”. O embróglio não deve acabar tão cedo.

As consequências desse ambiente tóxico se refletem nos resultados dentro de campo e dificultam o planejamento para 2026. A imprevisibilidade de Textor, as disputas judiciais e a incerteza sobre finanças e contratações dificultam qualquer projeção concreta sobre o futuro.

2026? Uma incógnita com poucas certezas

Apesar das promessas de continuar com Davide Ancelotti no comando técnico e de manter o time competitivo, o ambiente que cerca o Botafogo hoje é bem diferente do que viveu em 2024. O clima interno instável, somado às complicações societárias, deixam em xeque a possibilidade de reviver o clube dominante daquele ano.

É difícil afirmar quando — ou se — veremos novamente um Botafogo capaz de brigar por Libertadores e Brasileirão com a mesma intensidade. O Glorioso de 2024 alcançou o topo. Mas para voltar a mirar as alturas, será necessário não apenas reconstruir o time, mas também recuperar credibilidade institucional, gerir melhor os bastidores e, acima de tudo, evitar os erros de planejamento que marcaram este ano.

Foto: Reprodução/AGIF