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Botafogo chegou ao fundo do poço? Qual a solução para equipe sair da crise?

O Botafogo vive o momento mais delicado da temporada. A derrota por 3 a 2 para o Athletico-PR, no Nilton Santos, não foi apenas mais um resultado ruim. O time demorou a reagir, precisou correr atrás de uma desvantagem de três gols e, quando finalmente aumentou o ritmo, já tinha deixado o adversário construir uma situação difícil de reverter.

A campanha explica a preocupação. Depois de 24 rodadas, o Botafogo tem 30 pontos e aparece em 11º lugar. São nove pontos até o Cruzeiro, que fecha o G-5, mas apenas seis de vantagem para o Mirassol, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento.

A parte de cima já começa a ficar distante. A de baixo, nem tanto. E há um agravante: o Botafogo já caiu nos torneios de mata-mata. Até o fim da temporada, o Brasileirão será a única competição do clube.

O Botafogo precisa parar de reagir tarde

O jogo contra o Athletico deixou uma impressão difícil de ignorar. O Botafogo terminou com 33 finalizações e passou boa parte do segundo tempo no campo de ataque. Só que esse volume apareceu quando o time já perdia por 3 a 0. Faltou urgência antes.

Esse talvez seja o problema mais preocupante do momento. O Botafogo tem capacidade para criar e pressionar, mas muitas vezes parece precisar de um golpe para entrar de fato na partida. Quando consegue acelerar, já está correndo atrás do prejuízo.

Não é uma questão que se resolva simplesmente trocando um jogador. A equipe precisa ser mais agressiva desde o início, mas sem transformar isso em desorganização. Também precisa encontrar um meio-termo entre atacar e se proteger, algo que não conseguiu fazer contra o Athletico.

A crise passa muito por aí. O Botafogo perdeu regularidade, confiança e, em alguns momentos, parece jogar mais preocupado com o que pode acontecer do que tentando impor aquilo que sabe fazer.

Bellão pode ganhar uma oportunidade

A dificuldade da diretoria para encontrar um treinador no mercado abre espaço para uma alternativa que, neste momento, não deveria ser descartada: manter Bellão. Não porque o interino tenha necessariamente provado ser a solução definitiva, mas porque uma troca sem convicção pode criar outro problema. O Botafogo não tem mais tempo para iniciar trabalhos do zero.

Bellão já conhece o elenco, os problemas e a rotina do clube. Se a diretoria enxergar evolução no dia a dia, dar sequência ao trabalho pode ser mais interessante do que contratar um nome apenas pela necessidade de apresentar uma novidade.

A cobrança, claro, precisa existir. O interino terá de mostrar que consegue mudar o comportamento da equipe. O Botafogo precisa defender melhor, competir mais no meio-campo e aproveitar o volume ofensivo que já consegue produzir. Não adianta terminar uma partida com 33 finalizações se a reação começa tarde demais.

Se Bellão conseguir mexer nisso, a permanência ganha lógica. Se não conseguir, o clube terá de procurar outra saída.

Próximos jogos aumentam a pressão

O calendário também não permite muita tranquilidade.

Próximos jogos do Botafogo

  • 30/08 — 16h — Flamengo — fora de casa — Brasileirão
  • 06/09 — 18h30 — Palmeiras — em casa — Brasileirão
  • Semana de 13/09 — Red Bull Bragantino — em casa — Brasileirão
  • Semana de 20/09 — Mirassol — fora de casa — Brasileirão
  • Semana de 07/10 — Vasco — em casa — Brasileirão

Flamengo e Palmeiras aparecem logo nas duas próximas rodadas. São partidas complicadas, mas também servem para medir o quanto o Botafogo ainda consegue competir contra os principais times do campeonato. Depois, Bragantino, Mirassol e Vasco ganham outro peso.

O jogo contra o Mirassol chama atenção principalmente pela situação na tabela. É justamente o adversário que hoje abre o Z-4. Se o Botafogo chegar a esse confronto sem conseguir reagir contra Flamengo e Palmeiras, a partida pode ganhar uma pressão enorme.

Por enquanto, falar em G-5 parece secundário. Nove pontos não são uma distância impossível, mas o futebol apresentado pelo Botafogo não dá motivos para colocar a Libertadores como prioridade da análise. Primeiro, o time precisa voltar a vencer.

O elenco tem qualidade para fazer uma campanha melhor. O problema é transformar isso em desempenho com alguma regularidade. A temporada já mostrou que o Botafogo consegue competir em determinados momentos, mas também que não pode continuar desperdiçando períodos inteiros dos jogos.

É justamente aí que a escolha do treinador se torna tão importante. Se a diretoria não encontrar um nome que realmente tenha convicção para assumir, Bellão merece pelo menos a chance de mostrar se consegue corrigir a rota. O pior cenário seria contratar alguém apenas para mudar o ambiente e, poucas semanas depois, voltar ao mesmo ponto.

O Botafogo ainda está seis pontos acima da zona de rebaixamento. Não é uma situação desesperadora, mas também não permite mais descuido. O fundo do poço pode não ter chegado. Mas o Botafogo está perto o suficiente para que a diretoria pare de esperar uma reação espontânea.

Com o Brasileirão como única competição restante, o clube precisa escolher um caminho e seguir nele. Seja com Bellão, seja com outro treinador. O que não dá mais é continuar chegando tarde aos jogos e esperar que o campeonato ofereça tempo para corrigir isso.

Foto: Vitor Silva/Botafogo/Divulgação