Jogando no Nabi Abi Chedid, o Botafogo conheceu sua primeira derrota no Brasileirão de 2025 ao ser derrotado por 1 a 0 pelo Red Bull Bragantino, que contou com um gol relâmpago de Eduardo Sasha para garantir os três pontos. O resultado coloca ambas as equipes com quatro pontos após duas rodadas, mas acende um alerta para o time carioca, que mostrou falhas preocupantes tanto no início do jogo quanto na criação ofensiva, apesar da reação na etapa final.
O triunfo foi o primeiro do Bragantino nesta edição da Série A e mostra que o time de Fernando Seabra, apesar da reformulação em curso, segue competitivo, especialmente quando atua em casa. O Massa Bruta foi eficiente ao aproveitar um começo sonolento do Botafogo e depois resistiu à pressão com uma defesa sólida e um Cleiton inspirado.
O jogo
O roteiro da vitória começou a ser escrito logo aos quatro minutos. O Bragantino aproveitou uma cobrança de escanteio ensaiada para abrir o placar de maneira precisa e veloz. Jhon Jhon, destaque técnico da equipe, trocou passes rápidos com Juninho Capixaba e invadiu a área pela direita antes de cruzar rasteiro para Eduardo Sasha finalizar livre na pequena área. Foi o típico gol que quebra o planejamento do adversário e coloca o time da casa em vantagem estratégica desde os primeiros momentos.
O Botafogo, por sua vez, sentiu o golpe. Nos primeiros 20 minutos, mostrou uma postura apática, erros na saída de bola e pouca capacidade de reação. A pressão alta do Bragantino complicou a construção de jogadas alvinegra. Patrick de Paula foi anulado na articulação, e Marlon Freitas teve dificuldades com a saída em linha de três, um dos recursos que funcionou bem na campanha do título de 2024, mas que nesta partida mostrou-se ineficaz.
Apesar da instabilidade, o Botafogo chegou perto do empate em lance de Igor Jesus, que finalizou com precisão e acertou a trave. Pouco depois, Sasha quase ampliou em nova falha botafoguense na defesa. John salvou na saída, e Jair evitou o segundo gol em cima da linha, demonstrando que, mesmo com a desorganização, o time ainda se salvava no esforço individual.
Na volta do intervalo, o Botafogo mostrou outra postura. Mais agressivo, passou a ocupar o campo ofensivo com mais frequência e encontrou liberdade para finalizar. Patrick de Paula, apagado na primeira etapa, apareceu melhor nos primeiros minutos da etapa complementar. Arriscou de fora e iniciou jogadas que colocaram Savarino e Igor Jesus em boa posição.
O Bragantino, então, recuou. A estratégia de Caixinha foi clara: proteger a vantagem e tentar matar o jogo em contra-ataques. E quase funcionou. Vinicinho, em jogada individual pela esquerda, quase ampliou, mas parou em boa defesa de John. Apesar disso, o domínio territorial passou a ser alvinegro, com o Botafogo pressionando mais e apostando em cruzamentos constantes para a área.
O melhor momento do time carioca veio aos 36 minutos, quando Igor Jesus girou bem na área e soltou uma pancada. Cleiton fez grande defesa, evitando o empate. No fim do jogo, com Mastriani em campo para aumentar o poder de fogo, a pressão aumentou, mas o Bragantino resistiu bravamente. Cleiton quase complicou em um erro de saída após cruzamento de Cuiabano, mas o time paulista segurou o resultado até o apito final.
Botafogo continua oscilando bastante e mostra a importância do tempo de trabalho
A derrota do Botafogo tem dois significados importantes. Primeiro, revela como o time ainda não encontrou o mesmo padrão de 2024 — algo natural após uma campanha tão excepcional. Em segundo, expõe um problema recorrente: o desempenho fora de casa, que já era um ponto de atenção no ano passado, voltou a aparecer.
O Bragantino, por sua vez, fez um jogo inteligente. Foi letal quando teve a chance, soube explorar os espaços deixados na pressão do adversário e contou com grande atuação de Cleiton, que garantiu o resultado com defesas importantes. A equipe ainda precisa melhorar em termos de volume ofensivo, mas mostrou capacidade de competir com os grandes.
Em certo momento do ano, John Textor disse que não estava com pressa de achar um novo treinador, mas essa decisão está se provando cada vez mais errada. Apesar de ter uma ideia de jogo bem definida, a falta de tempo de trabalho de Renato Paiva o está atrapalhando em certos momentos, e o fato de ele ter pego o “trem andando” vai incomodar o Fogão por mais algumas rodadas.
Para o Botafogo, o jogo serve de lição. O próximo desafio, contra o São Paulo no Nilton Santos, será um teste para a recuperação imediata. Já o Bragantino visita o Sport, e tem a chance de embalar. Num campeonato tão longo, tropeços são naturais. Mas, para o atual campeão, cada ponto perdido é também um lembrete: manter-se no topo exige mais do que memória. Exige constância, e, nesta partida, ela faltou.