Na semana passada, Botafogo e São Paulo se enfrentaram no Rio de Janeiro, na partida de ida das quartas de finais da Libertadores, e o duelo terminou do jeito que começou, mesmo com o time carioca tendo muito mais volume de jogo.
Entretanto, a expectativa para a volta, no Morumbis, era de um jogo mais emocionante, com as equipes buscando o gol por ser tudo ou nada.
Dentro de campo o que se viu foram dois tempos distintos, com cada time dominando uma etapa. Com isso, nada mais claro e merecido que o empate, levando a decisão para as penalidades máximas.
Nos pênaltis, John brilhou na cobrança de Rodrigo Nestor e o Botafogo voltou às semifinais da Libertadores após 51 anos.
Botafogo é melhor, conta com pênalti desperdiçado e sai na frente
Jogando fora de casa, o Botafogo optou por tomar uma postura ofensiva. O time foi a campo com as linhas altas, não permitindo que o São Paulo saísse jogando com tranquilidade.
O Tricolor queria equilibrar o jogo na base da vontade, mas a maior organização do Glorioso era nítida. O Botafogo tinha mais posse de bola e ditava o ritmo da partida.
Melhor em campo, o Glorioso finalmente chegou ao seu tento. Savarino roubou a bola de Luiz Gustavo, rolou para Igor Jesus, que devolveu ao venezuelano. Ele chutou, Rafael defendeu, mas Almada apareceu no rebote para fazer o primeiro gol do jogo, de cabeça.

Mesmo após o gol, o Fogão seguiu melhor e não sentou em cima da vantagem, o time carioca queria o segundo gol.
O Botafogo estava em casa no Morumbis, criando boas oportunidades. Aos 26’, Igor Jesus bateu com muito perigo. O volume de jogo dos visitantes era muito maior, mesmo em vantagem.
Não era só na criação que o Botafogo era melhor, quando o São Paulo tentava atacar, dava espaço e o clube carioca aproveitava. Em um contragolpe bem armado, Almada levou o alvinegro para o ataque e Vitinho por pouco não fez o dele.
O jogo estava muito mais para os visitantes, mas nos acréscimos, uma cabeçada despretensiosa de Lucas Moura pegou no braço de Alexander Barboza e, depois de muito olhar no VAR, o árbitro marcou a penalidade.
Morumbis em festa, torcedores se abraçando, o jogo estava muito difícil e o São Paulo tinha a chance de ir para o intervalo em pé de igualdade, só que Lucas Moura bateu no travessão, desperdiçando uma chance de ouro.
Depois da ducha de água fria na torcida tricolor, nada de importante aconteceu na etapa inicial e os times foram para o intervalo com a vitória parcial do Botafogo.
São Paulo melhora, Calleri empata e decisão vai para os pênaltis
O São Paulo voltou do vestiário com um senso de urgência maior, querendo imprimir velocidade pelas pontas. Apesar disso, jogando de forma mais espaçada, o Tricolor não conseguia dominar a partida.
Do lado dos visitantes, a tendência era cadenciar o jogo, entretanto, o alvinegro não conseguia ter a mesma posse de bola do primeiro tempo.
Com o São Paulo mais incisivo, a partida ganhava uma dinâmica diferente. Aos 10’, Wellington Rato deu o primeiro chute no gol, mas John espalmou para escanteio sem maiores problemas.
Os donos da casa aumentavam a pressão conforme o jogo se desenrolava, aos 15’ Luciano fez ótima jogada pela esquerda e bateu cruzado, Calleri, sozinho, na pequena área, bateu para fora.
Dois minutos depois, mais uma bela jogada do São Paulo, Lucas Moura deu um lindo drible em Almada e bateu cruzado para uma defesaça de John.
Depois de uma grande pressão dos donos da casa, a cera e o jogo parado do Botafogo esfriaram a partida. Os visitantes encaixotavam o São Paulo, dando a bola para o tricolor, mas segurando com todos os jogadores atrás da linha da bola. O tempo passava e nada mais acontecia.
Entretanto, essa camisa pesada do Tricolor do Morumbi não pode ser subestimada, o técnico Zubeldía colocou o time pra frente e o resultado veio. André Silva avançou bem pela esquerda e cruzou na medida, perfeito, na cabeça de Calleri, que escorou para o fundo das redes, o São Paulo empatava o duelo.

O gol de empate incendiou o Morumbis e fez o Tricolor ir para frente com tudo. Dois minutos depois, Rodrigo Nestor chutou para fora com muito perigo.
O jogo ganhava em emoção, mas uma confusão na lateral do campo com muita briga perto dos bancos de reserva paralisou a partida e terminou com Rafinha, do São Paulo, e Gatito Fernández, do Botafogo, expulsos. Ambos não estavam jogando.
A partida voltou mais morna e, só aos 53’ aconteceu uma chance de perigo. Almada bateu o escanteio e Adryelson teve uma chance de ouro de cabeça, mas mandou por cima.
E assim, o duelo pela classificação para as semifinais da Libertadores foi parar nos pênaltis.
Botafogo faz a festa no Morumbis
Calleri abriu a disputa de pênaltis chutando no travessão. Já Tchê Tchê, bateu com categoria, deslocando Rafael para fazer o Fogão sair na frente.
Luiz Gustavo, Danilo Barbosa, Lucas Moura (com muita dificuldade) e Marçal fizeram, deixando o Botafogo na frente por 3 a 2.
Igor Vinicius empatou para o São Paulo, mas a explosão no Morumbis aconteceu na cobrança seguinte, com Vitinho batendo (muito) por cima.
Luciano fez a quinta cobrança e jogou uma enorme pressão para Almada, mas o meia argentino fez a melhor cobrança da série, deixando tudo igual.
No início das cobranças alternadas, Rodrigo Nestor bateu muito fraco, facilitando a vida de John, que fez a defesa e colocou o Botafogo a um passo da semifinal, confirmada com uma cobrança perfeita de Matheus Martins.
Final: São Paulo (4) 1×1 (5) Botafogo

Comentários finais da classificação do Botafogo
O Glorioso fez um primeiro tempo muito bom, dominou o jogo fora de casa e saiu na frente. Apesar disso, os visitantes recuaram muito e chamaram o São Paulo para cima.
O Tricolor não tinha a organização do Botafogo, mas empurrado pela torcida e com mais ofensividade, conseguiu a igualdade com o faro de gol de Calleri.
Na decisão por pênaltis, deu o time que trata melhor a bola, que tem mais elenco, vive uma fase prolífica e, em toda a sua história, raramente esteve tão próximo de ganhar uma Libertadores da América.
Na sequência da temporada, o Botafogo segue líder do Brasileirão e como um dos favoritos a conquistar a América, algo que tá longe de ser por acaso, já que John Textor, com grande investimento e organização profissional, resgatou essa potencia do futebol brasileiro que parecia esquecida.
Ao São Paulo, basta recolher os cacos e lutar para estar novamente na Libertadores no ano que vem, via Brasileirão.


