Num movimento que expõe a gravidade extrema das suas finanças, a SAF do Botafogo oficializou perante a Justiça um pedido de recuperação judicial, declarando-se em “estado pré-falimentar”. O diagnóstico, embora alarmante, é o passo necessário para tentar reorganizar um passivo que atinge a marca histórica de R$ 1.119.102.671,96. O Fogão, que vive um paradoxo entre o investimento de John Textor e a herança de dívidas asfixiantes, luta agora para evitar o colapso total das suas operações cotidianas.
O recurso à justiça não é apenas uma estratégia contabilística, mas uma medida de sobrevivência. Ao declarar o estado pré-falimentar, a SAF procura proteção contra penhoras imediatas que poderiam paralisar o futebol. Recentemente, o clube viu-se obrigado a acelerar negociações de venda de jogadores para garantir o pagamento de salários e compromissos operacionais básicos, evidenciando que nem mesmo o aporte de investidores estrangeiros foi suficiente para estancar o sangramento causado por juros e dívidas acumuladas.
Para compreender a magnitude deste colapso, é necessário detalhar para quem o clube deve e como essa dívida se ramifica por diversos setores do mercado financeiro, pois o Botafogo possui débitos pendentes com instituições de todo o mundo, o que coloca o clube sob risco constante de transfer ban pela FIFA mais uma vez.
Uma visão em relação aos credores do Botafogo
O maior credor é com o Atlanta United (EUA), com um crédito de cerca de R$ 191 milhões, segundo documentos oficiais. Seguem-se o Nottingham Forest (Inglaterra), com R$ 118,6 milhões, e o Benfica (Portugal), com R$ 67 milhões. No Brasil, o Santos lidera a lista de credores esportivos com R$ 22,2 milhões, seguido pelo Grêmio (R$ 20,4 milhões) e pelo Ceará.
A folha de pagamentos e os direitos de imagem em atraso compõem uma fatia sensível de todo o valor passivo, pois jogadores do atual elenco e antigos profissionais também aparecem na lista de credores do Botafogo. O atacante Igor Jesus detém o maior crédito individual entre os jogadores, com R$ 17,2 milhões, mas outros nomes de peso, como Thiago Almada, Tiquinho Soares, Jeffinho e até o ex-treinador Bruno Lage, também possuem valores consideráveis a receber.
Toda essa “bola de neve” financeira é alimentada por empréstimos com juros elevados junto a bancos e fundos de investimento, com destaque para a dívida com o grupo GDA Luma Onshore (R$ 124,8 milhões) e a Oliveira Trust (R$ 67,5 milhões). Instituições globais, como o Macquarie Bank (com divisões em Paris e Londres), também aparecem como credores relevantes, mostrando a internacionalização do problema financeiro alvinegro.
Botafogo está atravessando momento de recuperação judicial
O objetivo da recuperação judicial é permitir que a SAF apresente um plano de pagamento unificado, com descontos no valor total e prazos alongados. Caso o plano seja aprovado pelos credores, o Botafogo ganha o fôlego necessário para honrar as dívidas sem comprometer a competitividade da equipa em campo. Contudo, o cenário atual é de “terapia intensiva”, onde cada decisão administrativa tem o peso da manutenção da própria existência do clube.
Enquanto isso, John Textor segue em uma briga judicial com cada vez menos adeptos e fãs, em uma tentativa desesperada para seguir no comando do Botafogo, apesar da situação estar cada vez mais delicada.
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