A vitória heroica do Botafogo por 3 a 2 sobre o Racing, em pleno El Cilindro, não foi apenas um resultado de superação emocional, mas um triunfo de ajustes táticos precisos sob o comando de Franclim Carvalho. Em um duelo válido pela fase de grupos da Copa Sul-Americana 2026, o Glorioso conseguiu quebrar a hegemonia recente dos argentinos com uma estratégia que puniu a exposição defensiva do adversário.
Botafogo transformou jogo difícil em vitória memorável
O Racing de Gustavo Costas entrou em campo fiel ao seu DNA: linhas altas e uma pressão asfixiante na saída de bola alvinegra, enquanto o Botafogo optou por um 4-3-3 mais conservador, com Allan e Edenilson dando sustentação ao setor central para liberar Cristian Medina na articulação.
A estratégia inicial do Racing parecia funcionar, explorando as costas dos laterais Mateo Ponte e Alex Telles. No entanto, o ponto de virada tática aconteceu quando o Botafogo identificou o espaço deixado pelos alas argentinos. Aos 23 minutos, a conexão entre o vigor físico de Júnior Santos e a presença de área de Arthur Cabral rendeu o primeiro gol, mantendo a ótima fase do centroavante.
O Botafogo passou a buscar o “jogo direto”, saltando o meio-campo pressionado para explorar a velocidade de Matheus Martins na sequência da partida. Júnior Santos, atuando como um ponta de força, desequilibrou o sistema de três zagueiros do Racing, permitindo que Cabral empatasse e o próprio Júnior virasse o jogo antes do intervalo aos 41 minutos.
Na etapa final, o Racing parecia que sofreria o terceiro gol a qualquer momento e assim poderia ter ocorrido caso Júnior Santos tivesse acionado Edenílson em lance de transição muito bem encaixada, mas o time argentino buscou o empate com Adrián Martínez logo na sequência, aproveitando um momento de desatenção da dupla Ferraresi e Alexander Barboza.
Taticamente, o jogo se tornou um “caos controlado” depois do gol do empate, mas precisamos ressaltar que Franclim Carvalho mexeu bem, recuando as linhas para atrair o Racing e explorando o cansaço dos mandantes. O golpe de misericórdia veio nos acréscimos, quando em uma transição rápida puxada pelo corredor central, o volante Danilo (que entrou para dar fôlego ao meio) infiltrou-se como elemento surpresa na área para selar o 3 a 2.
Danilo está cada vez mais perto de vaga na Copa do Mundo
Entrando no segundo tempo com a missão principal de estancar o volume de jogo argentino, o volante entregou uma performance que uniu disciplina tática e um oportunismo ofensivo raro para a sua função, ficando cada vez mais próximo da lista final da Seleção Brasileira para a disputa da Copa do Mundo.
No momento em que Danilo substituiu Edenilson, o Botafogo sofria com a perda rápida da posse de bola, mas o meio-campista ofereceu uma saída de jogo muito mais limpa e segura. Enquanto o Racing subia a marcação para forçar o erro, Danilo utilizou seu corpo para proteger a bola e encontrar passes curtos, acalmando os ânimos do setor defensivo alvinegro.
Taticamente, Danilo atuou como uma “âncora” móvel, lendo com precisão as subidas de Mateo Ponte, cobrindo o corredor direito e impedindo que o Racing explorasse os cruzamentos em diagonal que vinham castigando o Botafogo. Sua presença permitiu que Cristian Medina ficasse mais solto para pensar o jogo, sem a preocupação constante de retornar até a própria área.
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