Futebol Brasileirão

Apesar do empate, Botafogo tem mais notícias boas do que ruins para o resto do Brasileirão

O empate sem gols com o Vitória, no Nilton Santos, naturalmente deixou um gosto amargo. O Botafogo controlou a partida, criou volume ofensivo, finalizou muito mais que o adversário, mas esbarrou na falta de eficiência e em uma grande atuação do goleiro Lucas Arcanjo. Em um campeonato de pontos corridos, tropeços como esse custam caro, mas, olhando além do placar, o cenário para o clube carioca é bem mais positivo do que a tabela sugere.

O resultado escancarou um problema que precisa ser corrigido, mas também trouxe sinais importantes de evolução coletiva e uma notícia boa para o restante da temporada: a permanência de Danilo no elenco ao menos até o fim do Brasileirão. Em um momento em que o Botafogo busca estabilidade para disputar as competições que restam, isso pode pesar mais do que dois pontos positivos.

O desempenho mostrou um Botafogo superior, mas ainda pouco eficiente

É difícil analisar apenas o placar de Botafogo x Vitória sem considerar o contexto da partida. O time de Franclim Carvalho dominou a posse de bola, controlou territorialmente o jogo e terminou com ampla vantagem nas finalizações. Foram 18 chutes contra apenas cinco do Vitória, sendo seis na direção do gol, enquanto os visitantes acertaram a meta apenas uma vez. Os números mostram um roteiro muito diferente daquele de um empate equilibrado.

O problema esteve justamente onde partidas desse tipo costumam ser decididas: dentro da área. O Botafogo conseguiu construir jogadas, fez a bola chegar ao último terço e encontrou espaços na defesa adversária, mas faltou precisão nas conclusões. Em outras palavras, não foi um time incapaz de criar; foi uma equipe que produziu menos do que poderia na hora de transformar domínio em gols.

Esse tipo de atuação costuma ser mais fácil de corrigir do que uma partida em que o sistema coletivo simplesmente não funciona. A organização ofensiva existiu, o controle territorial também, e o Vitória passou boa parte da noite defendendo próximo da própria área. O desafio agora é aumentar a eficiência dos atacantes, porque a produção ofensiva apresentada tende a gerar vitórias quando acompanhada por melhores decisões nas finalizações.

Danilo pode valer mais do que uma contratação

Se o empate trouxe frustração dentro de campo, o segundo tempo reservou uma notícia importante para o planejamento do clube. Danilo entrou na partida e completou seu 13º jogo no Campeonato Brasileiro, o que o impede de defender outro clube da Série A nesta edição da competição. Com isso, uma eventual transferência para um rival direto, como o Palmeiras, deixa de ser uma possibilidade.

Mais do que impedir uma saída para um concorrente nacional, o episódio representa uma vitória esportiva para o Botafogo. Danilo é um dos jogadores de maior nível técnico do elenco e sua permanência aumenta significativamente a qualidade do meio-campo para a sequência da temporada.

Sua presença oferece equilíbrio defensivo, capacidade de recuperar bolas e qualidade na saída de jogo, características que poucos volantes brasileiros conseguem reunir ao mesmo tempo. Em um elenco que ainda busca maior regularidade ofensiva, manter um jogador capaz de acelerar a circulação da bola e dar segurança ao sistema pode ser tão importante quanto contratar um novo reforço.

Além disso, a permanência do volante reduz a necessidade de uma reposição imediata no mercado. Em uma janela normalmente inflacionada, encontrar um jogador do mesmo nível exigiria investimento elevado e um inevitável período de adaptação. Manter Danilo evita esse risco justamente quando o calendário começa a entrar em sua fase decisiva.

O problema existe, mas é diferente daquele que costuma preocupar

Empates como esse normalmente geram preocupação porque levantam dúvidas sobre a qualidade do futebol apresentado. No caso do Botafogo, porém, a leitura parece diferente.

Há uma distância importante entre um time que não consegue criar oportunidades e outro que cria bastante, mas desperdiça suas chances. O primeiro precisa reconstruir seu modelo ofensivo praticamente do zero. O segundo necessita, sobretudo, de ajustes de tomada de decisão, confiança e eficiência dos atacantes.

Naturalmente, isso não significa que o empate deva ser comemorado. Dois pontos foram deixados pelo caminho em casa, e isso pode fazer diferença mais adiante. Mas também seria um erro ignorar que o desempenho coletivo foi superior ao resultado.

Se o Botafogo conseguir repetir esse volume ofensivo nas próximas rodadas e elevar seu aproveitamento nas finalizações, a tendência é que os resultados acompanhem o desempenho. E, com Danilo permanecendo como peça central do elenco, o clube ganha uma estabilidade importante justamente no momento em que a temporada começa a exigir mais de todos os candidatos às primeiras posições.

(Foto: Vitor Silva/Botafogo)