O início da era Davide Ancelotti no Botafogo não poderia ter sido mais promissor. Em sua estreia no comando da equipe alvinegra, o treinador italiano viu seu time vencer o Vasco por 2 a 0, em clássico disputado no estádio Mané Garrincha, em Brasília, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Mais do que os três pontos e a escalada momentânea para a quinta posição na tabela, a atuação botafoguense deixou boas impressões sobre os primeiros sinais do trabalho do novo técnico, que tenta imprimir sua identidade em um elenco ainda em adaptação.
Um Botafogo agressivo e mantendo a posse
Ancelotti, filho e auxiliar de longa data de Carlo Ancelotti, trouxe consigo a promessa de um futebol mais estruturado, com organização tática e valorização da posse de bola. Mesmo com pouco tempo de preparação, foi possível identificar algumas mudanças sutis, mas significativas no comportamento da equipe, especialmente no segundo tempo da partida contra o Vasco.
No primeiro tempo, o Botafogo demonstrou uma leve superioridade na posse e tentou controlar as ações, ainda que tenha enfrentado dificuldades no último terço do campo. O gramado irregular do Mané Garrincha comprometeu a fluidez das jogadas e exigiu soluções alternativas.
A equipe buscou bolas alçadas na área, e Arthur Cabral teve a melhor chance da etapa inicial, exigindo grande defesa de Léo Jardim. Mesmo com o placar zerado ao intervalo, já se via um time que procurava manter a bola, girar com paciência e buscar espaços com critério.
O intervalo foi o ponto de virada. A volta para o segundo tempo escancarou uma equipe mais agressiva, compacta e coordenada. A pressão na saída de bola do Vasco foi um dos aspectos mais diferentes. O Botafogo adiantou suas linhas e passou a recuperar a posse no campo ofensivo. Foi justamente em uma dessas pressões que surgiu o primeiro gol: Kaio Fernando roubou a bola, Montoro finalizou e Arthur Cabral, bem posicionado, marcou no rebote.
A intensidade com que o time passou a jogar após o gol mostra um Botafogo mais confiante, com clara orientação tática. Os atacantes voltavam para recompor, os volantes pressionavam na zona da bola e a defesa mantinha a linha alta. Essa compactação evitou que o Vasco criasse chances relevantes, mesmo após estar atrás no placar.
Ainda é cedo para conclusões definitivas, mas a primeira impressão do Botafogo de Ancelotti é de um time que pretende unir posse de bola e intensidade. A escolha por manter a posse, pressionar alto e controlar o ritmo do jogo, mesmo diante das limitações técnicas do gramado, indica um plano de médio prazo mais ambicioso.
Davide Ancelotti também demonstrou sintonia com o grupo. Nas entrevistas, elogiou o comprometimento dos jogadores e evitou qualquer euforia. Falou em “processo”, “tempo de adaptação” e “equilíbrio”. São palavras que mostram maturidade e uma abordagem cuidadosa em sua primeira experiência como treinador principal.
Os nomes que podem fazer a diferença para Ancelotti no Botafogo
No aspecto individual, alguns nomes se destacaram nesse novo contexto. Arthur Cabral, que ainda buscava seu espaço na equipe, ganhou confiança com o gol e foi mais participativo. Montoro, atuando como um elo entre defesa e ataque, mostrou visão e intensidade.
Outro ponto interessante foi a entrada de Nathan Fernandes. O jovem atacante, que marcou seu primeiro gol com a camisa do clube, mostrou personalidade e velocidade na transição. Sua movimentação constante pelas pontas e a capacidade de infiltração foram potencializadas por um sistema que privilegia amplitude e ataques verticais.
A jogada do segundo gol foi exemplar: saída rápida, inversão de jogo, cruzamento rasteiro de Marlon Freitas e finalização consciente de Nathan. A movimentação coordenada do time no lance evidenciou treino e foco nos detalhes.
Claro, há muito a evoluir. A equipe ainda apresenta dificuldades de criação em certos momentos do jogo e precisa encontrar mais variações ofensivas além dos cruzamentos e contra-ataques. A consistência ao longo dos 90 minutos também precisa ser trabalhada. Mas, como primeiro passo, o que se viu em Brasília foi encorajador.
Se o Botafogo conseguirá manter esse nível de atuação e evoluir nas próximas rodadas, só o tempo dirá. Mas a estreia de Ancelotti já deixou claro que há trabalho sendo feito e que o Glorioso pode, sim, sonhar alto na temporada de 2025.
(Foto: Mateus Bonomi/AGIF)
