Red Bull Bragantino x Grêmio
Futebol

Bragantino insiste até o fim pelo alto e Grêmio paga caro por postura reativa

O Grêmio até ensaiou uma reação no segundo tempo, mas a derrota por 1 a 0 para o Red Bull Bragantino escancarou um problema claro: o time de Luís Castro passou mais tempo tentando sobreviver do que jogando futebol. O gol de Gustavo Marques aos 50 minutos foi um balde de água fria pelo momento, mas retratou fielmente o que foram os 90 minutos.

O resultado não veio apenas de um detalhe no fim. O Bragantino construiu ao longo da partida uma superioridade territorial e ofensiva que, mesmo sem uma atuação brilhante, colocou o Grêmio em situação desconfortável durante grande parte do confronto.

Os números ajudam a explicar. O Bragantino finalizou 27 vezes contra 14 do Tricolor e teve 54% de posse de bola no jogo. Na segunda etapa, a diferença de posse foi ainda maior: 55% a 45%. A estratégia do técnico Vagner Mancini também ficou evidente na quantidade de bolas jogadas na área: foram 37 cruzamentos contra 18 do rival.

A pontaria na bola aérea nem era tão boa — apenas seis cruzamentos do Bragantino encontraram o destino desejado —, mas a repetição constante acabou criando um desgaste sobre a defesa gremista. E foi justamente assim que a partida se resolveu.

Bragantino impôs o ritmo no primeiro tempo

O início já mostrava qual seria o roteiro. O Bragantino entrou mais agressivo, ocupando o campo ofensivo e tentando acelerar as jogadas pelos lados. Antes dos três minutos, Isidro Pitta perdeu uma boa chance de cabeça.

A insistência pelo alto rapidamente voltou a aparecer. Aos 12 minutos, Herrera cabeceou após cruzamento e o árbitro chegou a validar o gol. Wallace, porém, havia conseguido tirar a bola sobre a linha. O VAR corrigiu a decisão e confirmou que ela não havia ultrapassado completamente.

O lance foi um alerta para o Grêmio. O Bragantino encontrava uma maneira simples de atacar: levar a bola para a área e colocar seus jogadores físicos em condições de disputar pelo alto.

O Grêmio demorou para reagir. Somente próximo dos 20 minutos conseguiu colocar a bola no chão com maior frequência e tentar construir suas próprias jogadas. Mesmo assim, a equipe encontrou dificuldades para infiltrar. No último terço, passes errados e decisões equivocadas interrompiam boas tentativas de avanço.

A primeira chegada realmente perigosa veio aos 26 minutos, quando Krovinovic avançou pelo meio, acionou Amuzu pela esquerda e o atacante cruzou de primeira, rasteiro. Tetê apareceu para finalizar, mas pegou mal.

A partir daí, o jogo ficou mais aberto. O Grêmio encontrou algumas escapadas, principalmente com Amuzu pelo lado esquerdo, enquanto o Bragantino continuava sendo mais perigoso. Aos 30, Tetê voltou a finalizar, em lance originado de um escanteio, mas Tiago Volpi defendeu.

O Bragantino respondeu e terminou a primeira etapa com mais volume. Foram 12 finalizações contra sete do Grêmio, além de quatro escanteios contra dois.

Melhoria tímida no segundo tempo

Luís Castro tentou mexer no cenário com a entrada de Pavón no lugar de Tetê no intervalo. O Grêmio, de fato, voltou melhor, mas a evolução não significou domínio.

O segundo tempo começou em ritmo de trocação. Havia mais espaço para os dois lados, mas também faltava qualidade na tomada de decisão. Bragantino e Grêmio conseguiam avançar, porém erravam justamente na hora de encontrar o último passe ou a assistência.

O time gaúcho chegou a ameaçar de longe com Diego Caito e Noriega, enquanto o Bragantino continuava apostando na pressão e nas bolas levantadas para a área.

Aos 18 minutos, Jovane Cabral entrou no lugar de Amuzu e trouxe uma nova alternativa pelo lado. O cabo-verdiano participou diretamente da melhor oportunidade gremista da etapa. Aos 27, recebeu pela esquerda, cortou para dentro e cruzou para Noriega, que cabeceou forte e obrigou Volpi a fazer uma grande defesa.

Pouco depois, o Grêmio ainda colocou a bola nas redes, mas o lance já estava parado. Após lançamento de Cabral, a bola tocou na mão de Diego Caito e o árbitro marcou a infração antes da finalização de Braithwaite. Como o apito havia acontecido antes do chute, o VAR não poderia revisar a jogada para validar o gol.

Falta de recursos no ataque

Apesar da melhora, o Grêmio continuou com enorme dificuldade para articular jogadas no campo de ataque. O Bragantino aumentou a pressão e, em determinados momentos, o time de Luís Castro se defendia praticamente com os 11 jogadores atrás da linha da intermediária.

Nas poucas vezes em que superava a primeira linha de marcação, o Grêmio encontrava espaço para acelerar. O problema era o que vinha depois. Faltava qualidade para aproveitar essas situações.

Jovane Cabral teve outra oportunidade aos 36 minutos, quando recebeu lançamento rasteiro e avançou para ficar em condição de sair cara a cara com Volpi. O atacante, porém, escorregou e caiu ao tentar dominar a bola, permitindo que a defesa afastasse.

Foi uma imagem simbólica da atuação ofensiva do Grêmio: havia espaço para machucar o adversário, mas faltava precisão para transformar as oportunidades em algo concreto.

Ao todo, o Grêmio terminou com apenas uma finalização no alvo. O Bragantino teve três.

Castigo no fim

Enquanto o Grêmio tentava resistir, o Bragantino continuava procurando o gol. Aos 38 minutos, Weverton precisou fazer grande defesa em chute de Rodriguinho da entrada da área. Aos 43, Juninho Capixaba arriscou de longe e Sasha desviou na frente do goleiro, mas a bola ganhou altura e saiu por cima.

As mudanças de Vagner Mancini mantiveram o time ativo até os minutos finais. E, quando o jogo parecia caminhar para o empate, a principal arma da equipe finalmente funcionou.

Aos 50 minutos, em cobrança de escanteio, Gustavo Marques subiu mais alto que todo mundo e testou para as redes.

O gol foi a tradução perfeita da partida. O Bragantino insistiu durante 90 minutos em cruzamentos, bolas paradas e jogadas aéreas. O Grêmio conseguiu sobreviver durante quase toda a partida, mas não resistiu no momento decisivo.

Alerta ligado no campeonato

Estacionado nos 25 pontos, o Grêmio continua perigosamente próximo do Z-4. A situação preocupa não apenas pela pontuação, mas pelo desempenho apresentado em um confronto direto na parte de baixo da tabela.

Luís Castro conseguiu fazer o time competir melhor no segundo tempo e as entradas de Pavón, Jovane Cabral e Carlos Vinícius deram novas alternativas ofensivas. Ainda assim, a reação foi insuficiente.

O Grêmio mostrou que pode encontrar espaços quando o jogo fica aberto, mas precisa fazer mais quando tem a bola. Não dá para depender exclusivamente dos erros e dos espaços concedidos pelo adversário.

No fim, a derrota veio justamente pela arma que o Bragantino mais utilizou durante toda a tarde. O Grêmio tentou sobreviver pelo chão. O Bragantino insistiu pelo alto. E, no último lance, a bola aérea decidiu.

FOTO: Fernando Roberto/GRÊMIO FBPA