O Grêmio pisou no acelerador para garantir a permanência de Carlos Vinícius e tem motivos de sobra para acreditar que vai fechar o negócio. O clube, que convivia com pendências financeiras e atrasos em relação ao centroavante, colocou os pagamentos em dia e limpou o terreno para avançar com a renovação. A regularização dos débitos, revelada pelo ge, acontece em um momento estratégico para criar um ambiente mais favorável no vestiário e mostrar ao atleta que o projeto tem sustentação.
O momento do jogador dentro de campo também joga a favor da diretoria gaúcha. O camisa 9 vive uma fase de seca e já soma cinco partidas consecutivas sem balançar as redes. Para a diretoria gremista, quanto menor for o assédio externo e mais distante o atacante estiver do seu ápice, maiores são as chances de acelerar o acordo pelo “fico”.
Jejum de gols deu uma esfriada nos concorrentes
Carlos Vinícius não sabe o que é comemorar um gol desde a derrota por 2 a 1 para o Mirassol, no dia 17 de julho, pelo Campeonato Brasileiro. De lá para cá, passou em branco nos duelos contra o Fluminense, contra o próprio Mirassol (em duas partidas decisivas pela Copa do Brasil), além dos confrontos diante de São Paulo e Atlético-MG. Já são cinco jogos consecutivos de jejum, número que liga o alerta por ser a segunda pior marca do centroavante com a camisa tricolor.
A maior seca do atacante no clube aconteceu entre 2 de fevereiro e 8 de março, quando acumulou seis partidas em branco contra São Paulo, Juventude e Atlético-MG, além dos dois clássicos contra o Internacional pelo Gauchão. A fase atual passa longe do melhor momento do atleta. Porém, para a diretoria do Grêmio, o momento é conveniente na mesa de negociação: uma seca de cinco jogos tira o holofote do atacante, reduz a urgência de concorrentes e diminui o interesse de clubes que poderiam atravessar o negócio.
Fechamento da janela europeia joga a favor
O relógio é outro grande aliado da diretoria do Tricolor. A janela de transferências do futebol europeu está nas suas horas finais e o tempo para surgirem propostas do Velho Continente é cada vez menor.
Mesmo que o nome de Carlos Vinícius esteja no radar de alguma equipe do exterior, o encerramento iminente do mercado dificulta bastante que simples sondagens virem propostas oficiais com valores e condições capazes de balançar o atleta e o clube. Assim, o clube gaúcho ganha tempo valioso em uma negociação na qual o cenário se desenha progressivamente mais favorável à sua permanência em Porto Alegre.
Polos internacionais em alta tensão reduzem opções
O cenário político e econômico no exterior também entra nessa conta de otimismo dos gaúchos. As guerras entre Rússia e Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio deixam alguns polos financeiros do futebol instáveis, fechando portas em destinos que costumavam ser altamente lucrativos para atletas em busca de grandes contratos.
Isso não significa que os conflitos sejam o motivo direto para a falta de ofertas por Carlos Vinícius, mas eles reduzem o leque de opções em mercados alternativos e deixam o cenário internacional muito menos aquecido do que em outros momentos. Somando a seca de gols, o fim do prazo na Europa e a retração nesses mercados, o Grêmio ganha moral para negociar. Com a casa organizada, salários quitados e sem grandes concorrentes no horizonte, a convicção nos bastidores é de que o “fico” do centroavante está cada vez mais encaminhado.
Foto: Lucas Uebel/Grêmio/Divulgação



