O Brasileirão chega naquele momento da temporada em que alguns clubes olham para a pausa da Copa do Mundo quase como quem vê um copo d’água no deserto. Tem time precisando recuperar confiança, outros tentando entender como desaprenderam a jogar bola em tão pouco tempo, e alguns simplesmente lutando para apagar incêndios antes que o CT inteiro vire fumaça.
Entre os gigantes do Brasileirão que mais precisam desse respiro estão Palmeiras, Fluminense, São Paulo, Bahia e Santos. Cada um vive uma crise diferente, mas todos possuem algo em comum: o calendário finalmente dará um tempo precioso para reorganizar a casa.
E sinceramente? Alguns deles estão sobrevivendo no puro modo “vai no improviso e seja o que Deus quiser”.
Brasileirão e seus 5 times que sonham com a pausa para Copa
Palmeiras parece perdido ofensivamente na era Abel Ferreira
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Falar que o Palmeiras vive um momento turbulento já não é exagero, seja no Brasileirão ou na Copa Libertadores. A equipe de Abel Ferreira atravessa talvez uma das fases mais confusas desde que o treinador português chegou ao clube. E o problema vai muito além da ausência de Vitor Roque.
Claro, perder um atacante desse nível pesa, mas o grande buraco parece estar na construção ofensiva. O Palmeiras não cria com naturalidade, não consegue acelerar o jogo e muitas vezes parece depender exclusivamente de jogadas individuais ou bolas paradas para assustar adversários.
As novas peças ainda não encaixaram, Arias, Marlon Freitas, apesar de conhecerem bem o Brasileirão e as competições que o Verdão costuma estar presente. O time perdeu fluidez e intensidade. O que antes era um sistema quase automático virou uma equipe previsível. O mais estranho é que o Palmeiras continua tendo jogadores bons o suficiente para entregar mais, mas nada parece funcionar de maneira coletiva.
A derrota em casa na Libertadores, algo extremamente raro na era Abel, foi quase um símbolo desse momento. O torcedor olha para o campo e sente um Palmeiras sem identidade ofensiva. E isso talvez seja o mais preocupante. Dá para falar também sobre o empate contra o Cruzeiro no Brasileirão.
A pausa pode servir justamente para Abel reorganizar funções, recuperar confiança e entender quais peças realmente fazem sentido nesse elenco.
Fluminense sente demais a falta de Martinelli
O Fluminense talvez seja o caso mais curioso da lista. Porque em alguns momentos da temporada, o time parecia ter encontrado um caminho muito sólido com Zubeldía. Existia intensidade, organização e principalmente segurança dentro do Maracanã.
Hoje? A sensação é completamente diferente.
O tricolor carioca carrega uma pressão absurda por conta da Libertadores, precisando de uma combinação complicada de resultados para avançar. E o futebol apresentado não transmite nenhuma confiança de que isso vai acontecer naturalmente. Pode até estar bem no Brasileirão, mas sobre o futebol jogado, a questão é outra.
Defensivamente, o time despencou. A saída de Martinelli do meio virou um problema enorme porque o Fluminense perdeu equilíbrio. O setor ficou mais vulnerável, menos físico e muito mais exposto.
Além disso, o time passou a depender quase exclusivamente dos lampejos de Jhon Kennedy. Quando ele resolve, o Fluminense compete. Quando não resolve, o cenário vira sofrimento puro.
Existe também um aspecto emocional. O elenco claramente sente o peso da má fase. Antes existia uma sequência gigantesca sem derrotas no Maracanã e um ambiente de confiança. Agora, qualquer pressão parece virar instabilidade.
A pausa chega em ótima hora para Zubeldía respirar, reorganizar conceitos defensivos e recuperar mentalmente um elenco que parece desgastado.
São Paulo tenta sobreviver ao caos pós-Roger Machado
O São Paulo basicamente entrou em 2026 acumulando problemas atrás de problemas. A eliminação para o Juventude na Copa do Brasil foi o estopim de uma crise que já vinha sendo construída há meses sob comando de Roger Machado.
O futebol até entregava alguns resultados, mas ninguém estava convencido. O desempenho era fraco, o ambiente pesado e o time parecia caminhar sem direção.
Então veio Dorival Júnior para apagar o incêndio.
Só que não existe mágica imediata. Dorival chegou em meio a um cenário caótico, com pressão absurda da torcida, elenco emocionalmente abalado e até problemas internos explodindo publicamente, como o caso envolvendo Dória e seu pedido de rescisão.
O São Paulo precisa desesperadamente de tempo. Tempo para treinar. Tempo para Dorival implementar ideias. Tempo para o elenco absorver um novo modelo de jogo.
Hoje, o tricolor parece um time tentando reaprender fundamentos básicos de organização coletiva. A pausa pode não resolver todos os problemas, mas ao menos oferece uma oportunidade rara no calendário brasileiro: trabalhar sem jogar quarta e domingo o tempo inteiro.
Bahia vive um futebol assustadoramente pobre
A situação do Bahia talvez seja uma das mais delicadas da lista porque não existe apenas crise de resultado. Existe também uma sensação de falta total de perspectiva.
A eliminação vexatória na pré-Libertadores já havia deixado cicatrizes profundas. Depois veio a queda precoce para o Remo na Copa do Brasil. E o pior: o futebol do time não mostra sinais claros de evolução.
Rogério Ceni está extremamente pressionado.
E não é difícil entender o motivo. O Bahia apresenta um jogo lento, previsível e ofensivamente muito pobre. Falta criatividade, intensidade e principalmente confiança.
Existe até qualidade individual em alguns setores, mas o coletivo parece travado. Muitas vezes o time entra em campo transmitindo aquela energia clássica de “qualquer coisa pode dar errado hoje”.
A pausa da Copa pode acabar sendo literalmente a última chance de reorganização antes que a situação fique insustentável para Rogério.
Porque continuar jogando da forma atual é pedir para a crise crescer ainda mais.
Santos sofre com ou sem Neymar e mostra um elenco abalado mentalmente
O Santos talvez represente o retrato mais emocional dessa lista.
O clube provavelmente perdeu Neymar para o restante da temporada após a convocação do craque para a Copa do Mundo de 2026. Dá para dizer que é um problemão, assim como não, dá espaço para Cuca trabalhar o elenco sem uma peça que é considerada egoista no sistema, um nome a menos quando o assunto é intensidade física ou marcação.
Entretando, é necessário pegar exemplos interessantes na ausência do camisa 10, e talvez esse seja um dos probleas. Só ver o último embate do Santos na Sul-Americana foi assustador, e se quiser ir mais longe, o Coritiba no Brasileirão, mostra que Neymar não faz tanta diferença positiva assim. Sem misturar ideias, vamos pela competição internacional, o Peixe abriu 2 a 0 e conseguiu permitir o empate no mesmo confronto. Não foi apenas uma queda técnica. Foi um colapso mental.
As entrevistas recentes de Gabriel Barbosa deixam isso claro. Existe ansiedade, insegurança e pressão acumulada dentro do elenco.
O Santos parece um time que joga constantemente com medo de errar. E quando um grupo entra nesse estado emocional, qualquer gol sofrido vira uma avalanche.
A pausa da Copa chega como uma oportunidade de reconstrução psicológica. Mais até do que tática. Porque antes de pensar em esquema, reforço ou tabela, o Santos precisa voltar a acreditar minimamente em si mesmo.
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