Na última quarta-feira (20), o Santos empatou por 2 a 2 com o San Lorenzo, na Vila Belmiro, em jogo válido pela quinta rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. O resultado manteve o Peixe em uma situação muito complicada dentro do torneio continental. Afinal, a equipe segue na última posição do Grupo D, correndo até mesmo risco de não conseguir uma vaga sequer nos playoffs da competição.
E o cenário se torna ainda mais preocupante quando observamos o contexto da partida. Isso porque o Santos chegou a abrir 2 a 0 no placar e, naquele momento, parecia caminhar com tranquilidade para uma vitória fundamental. No entanto, o time simplesmente “apagou” fisicamente na segunda etapa e permitiu a reação do San Lorenzo.
O começo da partida parecia perfeito para o Peixe. Logo no primeiro minuto de jogo, Gabriel Bontempo abriu o placar e inflamou a torcida santista na Vila Belmiro. O gol trouxe esperança para uma equipe que vive pressionada e precisava desesperadamente dos três pontos para seguir viva na competição continental.
Ainda no primeiro tempo, aos 46 minutos, Gabigol ampliou a vantagem santista, deixando a sensação de que o time finalmente conseguiria uma atuação tranquila. No entanto, tudo mudou no segundo tempo.
Aos 25 minutos da etapa final, De Rits descontou para o San Lorenzo. O gol abalou completamente o Santos, que já apresentava sinais claros de desgaste físico naquele momento da partida. Sem conseguir mais pressionar ou sustentar intensidade, o Peixe passou a sofrer cada vez mais defensivamente.
O empate acabou acontecendo aos 38 minutos, com Auzmendi, em um gol que naquele momento já parecia praticamente inevitável. Inclusive, o cenário poderia ter sido ainda pior para os santistas, enquanto o Santos demonstrava dificuldades enormes para reagir fisicamente dentro do jogo.
Santos sofre com o desgaste físico
Mais do que o empate em si, o que chama atenção é a forma como o Santos perdeu o controle da partida. O time conseguiu construir uma vantagem confortável, mas simplesmente não teve condições físicas para sustentar o resultado. E o problema parece cada vez mais grave.
O desgaste físico do elenco já virou uma preocupação real dentro do clube. Desta forma, o mais preocupante é que nem mesmo um cenário favorável dentro do jogo foi suficiente para evitar o colapso da equipe.
Inclusive, o próprio Cuca deixou isso muito claro na entrevista coletiva após o empate. Bastante incomodado, o treinador afirmou que a queda física do time foi “impressionante”, embora tenha ressaltado que isso não serve como justificativa para o resultado decepcionante.
Além disso, o técnico revelou um detalhe extremamente preocupante: nenhuma das cinco substituições realizadas ocorreu por questões técnicas ou táticas. Todos os jogadores substituídos deixaram o campo por desgaste físico. O treinador ainda afirmou que Rollheiser pediu para sair ainda no primeiro tempo devido ao cansaço.
A declaração ajuda a ilustrar o tamanho do problema enfrentado pelo Santos neste momento da temporada. E aqui está justamente o maior drama do Peixe: o elenco não parece possuir profundidade suficiente para lidar com esse cenário.
O Santos já possui um grupo considerado curto, sem muitas opções capazes de manter o nível da equipe. Porém, ao mesmo tempo, os próprios titulares já demonstram dificuldades enormes para suportar a sequência pesada de jogos. Dessa forma, o clube vive um cenário muito delicado.
A equipe claramente precisa rodar mais o elenco para diminuir o desgaste. O problema é que o Santos não parece ter condições de fazer isso e praticar um futebol aceitável. Ou seja, o clube fica preso em um cenário complicado: os jogadores precisam descansar, mas o time também não parece possuir peças suficientes para sustentar desempenho competitivo.
Além do desgaste físico, existe também um desgaste psicológico evidente. A equipe demonstra fragilidade emocional durante os jogos, principalmente quando sofre pressão. Isso acaba tornando o cenário ainda mais pesado e dificulta qualquer tentativa de reação dentro da temporada.
Santos está completamente pressionado
Na Sul-Americana, o cenário é extremamente preocupante. O Santos aparece na última posição do Grupo D, com apenas quatro pontos conquistados. O San Lorenzo lidera a chave com sete pontos, enquanto o Deportivo Cuenca possui seis e o Deportivo Recoleta soma cinco.
Na última rodada, o Peixe enfrentará justamente o Deportivo Cuenca e precisará vencer se quiser manter chances de classificação. Mesmo assim, a situação continua muito delicada.
Enquanto isso, no Campeonato Brasileiro, a situação é ainda pior, afinal, a ameaça do rebaixamento é real. O Santos ocupa atualmente a décima sexta posição, com os mesmos 18 pontos do Corinthians, primeiro time dentro do Z4.
Agora, o time terá outro desafio extremamente complicado pela frente. No próximo sábado, o Peixe enfrenta o Grêmio, na Arena, em confronto direto na luta contra o rebaixamento. Ambas as equipes possuem os mesmos 18 pontos, o que aumenta ainda mais o peso do duelo.
E o problema é justamente o contexto físico santista. O Santos chega claramente desgastado para enfrentar um adversário direto fora de casa. Dessa forma, o clube precisará superar novamente os próprios limites físicos para evitar uma derrota que poderia piorar ainda mais o ambiente do time antes da parada para a Copa do Mundo.
Inclusive, a pausa da temporada talvez seja justamente uma das poucas notícias positivas para o Santos neste momento. Afinal, o elenco demonstra necessidade urgente de descanso. O problema é que, até lá, o clube ainda possui jogos importantes e corre risco real de se complicar ainda mais, o que pode comprometer completamente o restante de 2026.
Créditos da foto de capa: Raul Baretta / Santos.