Vencedores do duelo na última quinta, o Bucaramanga tem cinco gols nesta Libertadores.
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Atlético Bucaramanga: o time colombiano que vem surpreendendo gigantes na Libertadores 2025

Na última quinta-feira (10), o Atlético Bucaramanga venceu o Racing, por 2 a 1, dentro do El Cilindro, pela Libertadores. Mesmo que a partida tenha sido de portões fechados, o resultado surpreendeu a todos devido aos colombianos não serem tão tradicionais em Libertadores em comparação com os argentinos. Para sanar a dúvidas dos torcedores, conheça a equipe dos Leopardos.

75 anos de história e primeiro título em 2024

Os Leopardos venceram o Santa Fé nos pênaltis, por 6 a 5.
Os Leopardos venceram o Santa Fé nos pênaltis, por 6 a 5. Foto: Sebastian Barros/Long Visual Press/Universal Images Group — Divulgação.

 

Sediado em Bucaramanga, capital do departamento de Santander, na Colômbia, o Atlético Bucaramanga foi fundado em 1949 por Rafael Chaberman. De origem judaica, Chaberman se uniu a simpatizantes da Liga de Futebol de Santander e deu vida ao clube, que carrega as cores verde e amarela e é um dos mais tradicionais da região.

Somando 75 anos de existência, Los Leopardos, alcunha da qual são conhecidos, retornaram a elite do futebol colombiano em 2015. Desde sua fundação, a equipe auriverde não soma muitas conquistas, assim como participações em Libertadores. Antes de disputar a atual edição da ‘Glória Eterna’, sua última ação pelo torneio mais desejado pelos clubes da América do Sul foi em 1998.

Depois de mais de 25 anos de espera, o Bucaramanga pôde celebrar o retorno à Libertadores. Porém, mais importante que retornar a competição continental, os Leopardos puderam comemorar o primeiro feito expressivo em sua história, ao faturar a edição do Apertura 2024, vencendo o Santa Fé.

Triunfo diante do Racing, em Avellaneda

O árbitro da partida Racing 1 x 2 Atlético Bucaramanga foi Andrés Matonte, do Uruguai.
O árbitro da partida Racing 1 x 2 Atlético Bucaramanga foi Andrés Matonte, do Uruguai. Foto: Marcelo Endelli/Getty Images — Reprodução.

 

Pela 2ª rodada do Grupo E da Libertadores, a equipe, atualmente comandada por Leonel Álvarez, enfrentou o Racing no El Cilindro. O estádio em Buenos Aires estava de portões fechados devido a penalização clube mandante, portanto, os colombianos tinha um fator a menos para se preocupar. Nesse sentido, os Leopardos puderam desfrutar de uma tranquilidade ao enfrentar La Academia.

Dispondo de uma equipe experiente, média de idade de 29.6 anos, os auriverdes jogaram de forma reativa e com muita inteligência para acelerar a troca de passes. Romaña, Hinestroza, Sambueza e Pons, pilares do time, tiveram uma performance exemplar contra um time jovem e rápido do Racing — um dos maiores algozes brasileiros nos últimos anos e atual campeão da Sul-Americana.

Os principais destaques do Bucaramanga — e também responsáveis por construir as jogadas de ataque — são Castañeda, Londoño e Sambueza, trio que tem a missão de municiar o centroavante Luciano Pons. Mas um detalhe chama atenção nesse quarteto que comanda a parte ofensiva da equipe: todos já passaram dos 30 anos. A partir daí, surge a dúvida — como um time que aposta nos contra-ataques consegue ser veloz tendo como referência jogadores mais experientes?

A resposta pra essa dúvida é simples: inteligência pra acelerar o jogo na hora certa. Mesmo que alguns jogadores ainda tenham explosão, a percepção de que o físico pode não ser suficiente pra aguentar o ritmo o tempo todo faz a diferença. Saber quando dar velocidade às jogadas é fundamental.

E foi justamente essa paciência que marcou o estilo de jogo do Bucaramanga. Mas não dá pra dizer que o time deixou de ser perigoso. Pelo contrário: quando o momento pedia, as trocas rápidas de passes funcionaram muito bem — especialmente pelas pontas, nas combinações de Londoño e Castañeda, sempre com o apoio dos laterais.

Foi assim que saiu o primeiro gol da noite: triangulação pela direita, inversão de jogo e cruzamento perfeito na cabeça de Luciano Pons, que mostrou faro de artilheiro pra mandar pra rede. 1 a 0 pra Los Leopardos.

Na etapa final, mais uma aula de precisão no contra-ataque. Castañeda lançou no ponto certo pra Sambueza, que partiu no mano a mano com o zagueiro do Racing. O camisa 10 levou a melhor, invadiu a área e finalizou cruzado, sem chances pro goleiro. 2 a 0.

O Racing até descontou com Barrios, nos minutos finais, mas já era tarde. Vitória colombiana com autoridade — e um recado claro: correr o tempo todo nem sempre é necessário. No Bucaramanga de Leonel Álvarez, quem corre mesmo é a bola.

O grupo E da Libertadores

Na estreia, no empate por 3 a 3 contra o Colo-Colo, os tentos foram marcados por Londoño, Pons e Carlos Henao.
Na estreia, no empate por 3 a 3 contra o Colo-Colo, os tentos foram marcados por Londoño, Pons e Carlos Henao. Foto: Luis Acosta/AFP — Divulgação.

 

Mais do que a vitória sobre La Academia, os Leopardos já tinham deixado um cartão de visitas logo na estreia da Libertadores. Diante do Colo-Colo, do Chile, o Bucaramanga chegou a abrir 3 a 1 no placar, jogando no estádio Américo Montanini — sua casa. No fim, acabou cedendo o empate, mas já mostrava que não seria presa fácil no Grupo E. O resultado contra os chilenos chamou atenção. Mas vencer o multicampeão Racing, fora de casa, elevou o nível da surpresa.

Em um grupo que ainda conta com Fortaleza e Colo-Colo, os colombianos vão, pouco a pouco, se colocando como protagonistas. Líderes com 4 pontos em duas rodadas, o próximo desafio dos Leopardos já tem data marcada: dia 23 de abril, às 23h (horário de Brasília), contra o Fortaleza, mais uma vez no Montanini.

Foto: Marcelo Endelli —Getty Images