Campeão do mundo em 1962 com a seleção brasileira e ídolo de Botafogo e Milan, o ex-atacante Amarildo, de 84 anos, foi internado no Rio de Janeiro após sofrer um AVC. O ex-jogador teve seu quadro de sáude agravado nos últimos dias após o acidente vascular cerebral, e se encontra em observação num hospital de Copacabana, Zona Sul da capital fluminense.
O ponta-esquerda que se destacou no Brasil, na Europa e no Mundial disputado no Chile, apelidado de O Possesso, há anos já convive com o mal de Alzheimer e segue em acompanhamento médico para tratar deste e do AVC sofrido recentemente que o levou a uma internação. Amarildo tem passado por uma bateria de exames, como análises laboratoriais, tomografia e ressonância.
Além do acidente vascular cerebral e do Alzheimer sofrido há anos, Amarildo já teve câncer, e se recuperou da doença. Porém, com esta combinação de fatores, a idade avançada e o histórico de saúde, tem sido observado de perto pelos médicos e pela família, que já sinalizou trazer o ex-atacante para se tratar em Porto Alegre.
Infelizmente, o AVC deixou algumas sequelas. Ele já teve carcinoma na laringe e agora estamos aguardando fazer outros exames para ver o teor da massa tumoral que foi detectada na altura da garganta. Em breve, vou trazer meu pai e minha mãe aqui para Porto Alegre, onde moro há quase quatro anos, para estarem comigo, minha esposa e minha filha.
— Rildo Silveira, filho de Amarildo e perito criminal.
A história de Amarildo nos gramados
A decepção com o Flamengo e a chance no Botafogo
Figura decisiva na Copa do Mundo de 1962 disputada no Chile, Amarildo surgiu em um time de sua cidade, o Goytacaz, e após uma decepção no Flamengo, por pouco não abandonou a carreira no futebol. Convencido por Paulistinha, defensor do Botafogo, se apresentou em um teste da equipe de General Severiano e acabou aprovado. Pelo Fogão, foram 238 partidas, 135 gols e quatro títulos conquistados, atuando ao lado de nomes como Didi, Quarentinha, Garrincha e Zagallo.

A substituição ao Rei
No Mundial de 1962, com a lesão de Pelé no início da competição, Amarildo assumiu a responsabilidade de vestir a camisa 10 no decorrer da Copa e repetiu sua parceria de sucesso do Botafogo com Garrincha e Zagallo, tendo anotado quatro gols em quatro partidas da campanha que levou o Brasil ao bicampeonato. Na seleção brasileira, O Possesso atuou em vinte e cinco jogos e marcou nove gols.
Amarildo, seu prestígio na Itália e o final da carreira no Brasil
Após a Copa do Mundo, Amarildo terminou negociado com o futebol italiano, vestindo as cores do Milan, entre 1963 e 1967, formando o ataque da equipe vice-campeã no Mundial Interclubes disputado contra o Santos de Pelé, Dorval, Mengálvio, Coutinho e Pepe. Tendo feito dois dos quatro gols que a equipe rossonera fez no primeiro jogo, viu seu time sofrer uma virada nos dois confrontos seguintes, e o Peixe conquistar o bicampeonato mundial.

Depois de deixar o Milan, Amarildo esteve na Fiorentina, onde conquistou a Serie A de 1968/1969 e também permaneceu quatro anos, tendo feito dezesseis gols. Em 1971, foi para a Roma, ficando até 1974, após encerrar sua carreira no Vasco da Gama, conquistando o Campeonato Brasileiro diante do Cruzeiro.
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