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Futebol Seleção Brasileira

Acusada de homofobia, CBF nega em nota ter barrado uso de cabelo rosa de Yan Couto, entenda:

Após a má repercussão dada pela entrevista do lateral do Girona (ESP), Yan Couto, ao Portal UOL, onde afirmou que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recomendou o não uso do seu cabelo pintado de rosa nos jogos da Seleção Brasileira, a entidade publicou uma nota nesta sexta-feira (14) negando a proibição, e afirmou que tem compromisso com a liberdade de expressão de seus atletas e colaboradores, mas não citando o nome do atleta.

Veja a nota na íntegra:

“A CBF reafirma seu compromisso com a liberdade, a pluralidade, o direito à autoexpressão e livre construção da personalidade de cada indivíduo que trabalhe na entidade ou defenda a Seleção Brasileira. Para a entidade, o desempenho do colaborador fala por si só.

O compromisso da CBF é com o bom futebol e as melhores práticas de gestão. Cada colaborador ou atleta deve ter autonomia sobre sua própria aparência, credo, orientação sexual, expressão de gênero. Desde o início da atual gestão, a CBF tem como uma das prioridades a luta contra o racismo e qualquer tipo de preconceito no futebol.

A entidade é parceria do Observatório da Discriminação Racial no Futebol e do coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+, e está sempre aberta a novas iniciativas para que o futebol brasileiro se torne um espaço mais inclusivo e livre de preconceitos.”

 

O CASO YAN COUTO X CBF

Em entrevista publicada na última quinta-feira (13), Yan Couto afirmou que a entidade fez uma recomendação para que ele não utilizasse o seu cabelo tingido de rosa nos jogos da Seleção Brasileira. O lateral não informou quem deu essa recomendação. A entrevista foi gravada antes de se apresentar ao técnico Dorival Júnior, nos Estados Unidos:

“Foi um pedido, basicamente. Falaram que o rosa é meio ‘vacilão’ assim. Eu não acho, mas vou respeitar, né. Me pediram, vou fazer” – disse Yan Couto, a repórter Yara Fantoni.

O atleta realmente acatou o pedido e se apresentou nos Estados Unidos com o cabelo raspado rente a cabeça. Ele atuou de titular na vitória contra o México por 3 a 2 e foi banco no empate em 1 a 1 contra os Estados Unidos. 

Ao ser questionado sobre o veto em entrevista coletiva realizada no dia 4 de Junho, Yan se esquivou do tema e colocou a mudança como “fim de ciclo”:

“Estava jogando com o cabelo rosa a temporada toda. Na verdade, foi uma escolha minha, estava dando certo, foi legal, foi maneiro. Mas foi uma coisa mais para o Girona, muita gente lá pintou o cabelo, foi meio que moda. Aqui na Seleção, o ciclo encerrou. Sou o Yan de cabelo preto, não muda nada, continua sendo o mesmo. Vou tentar fazer uma Copa América para ajudar a Seleção”.

 

YAN CHEGOU A ATUAR COM O CABELO NA SELEÇÃO

O lateral já atuou com o cabelo tingido na Seleção em quatro oportunidades. Nas Eliminatórias contra Venezuela e Uruguai em Outubro, e contra Inglaterra e Espanha em Março. Yan também utilizou o cabelo nas rodadas finais da La Liga, além da pintura virar tendência entre os torcedores do clube. 

A CBF se manifestou após surgir diversas acusações de homofobia a entidade (apesar do atleta não ser homossexual), além de teorias de “masculinidade frágil” nas redes sociais.  

(Foto: Vitor Silva/CBF)