O Boston Celtics desperdiçou uma chance de ouro e deu vida ao Philadelphia 76ers
Basquete NBA

O Boston Celtics desperdiçou uma chance de ouro e deu vida ao Philadelphia 76ers

O Boston Celtics tinha tudo para fechar a série contra o Philadelphia 76ers em casa no Jogo 5. Liderando por 13 pontos no terceiro quarto, o time parecia caminhar tranquilamente para a vitória e o descanso merecido antes da próxima rodada. 

No entanto, o que se viu foi o retorno de um velho hábito: o Celtics deixou o adversário respirar, recorreu ao jogo individual e permitiu que os 76ers virassem o placar, vencendo por 113 a 97. 

Agora a série vai para o Jogo 6 na Filadélfia com o Celtics ainda na frente por 3 a 2, mas com um gosto amargo de oportunidade perdida.

Joel Embiid foi o grande responsável pela reação dos 76ers. Menos de três semanas após uma apendicectomia, o pivô dominou o garrafão com 33 pontos, 8 assistências e 4 rebotes em 39 minutos. 

Ao atrair duplas marcações, ele abriu espaço para os companheiros, especialmente Tyrese Maxey, que contribuiu com 25 pontos, 10 rebotes e 5 assistências. A dupla Embiid-Maxey mostrou que, quando está inspirada, tem poder de fogo suficiente para ameaçar qualquer adversário.

O velho problema dos Celtics reaparece

O que mais preocupa os Celtics não é apenas a derrota, mas a forma como ela aconteceu. No momento decisivo, o time abandonou o jogo coletivo que o levou ao topo da Conferência Leste durante a temporada e voltou ao individualismo que já custou caro no passado.

Em vez de manter a movimentação, as telas e a distribuição de bola que caracterizaram seu bom momento, o Celtics permitiu que o ataque ficasse previsível, facilitando o trabalho da defesa dos 76ers. 

Esse padrão não é novo. Nas últimas temporadas, o Celtics já deixou escapar vitórias importantes contra New York Knicks (2025) e Miami Heat (2023) ao relaxar quando tinha vantagem. Mesmo com um elenco mais limitado após as saídas de Jrue Holiday, Kristaps Porziņģis e Al Horford, o time ainda tem talento suficiente para vencer, mas falta consistência mental e disciplina tática nos momentos de pressão.

Jayson Tatum e Jaylen Brown seguem sendo os pilares, mas o apoio dos coadjuvantes tem sido irregular. Neemias Queta, Nikola Vučević e Luka Garza não conseguiram conter Embiid no garrafão, e o ataque dependeu demais de jogadas isoladas. Quando o Celtics “joga com o alimento”, como costuma acontecer em séries longas, o risco de tropeço aumenta.

Os 76ers ganham vida e confiança

Do lado dos 76ers, a vitória reacende a esperança. Apesar de estarem em desvantagem na série, eles agora acreditam que podem forçar o Jogo 7 em Boston. Embiid mostrou que, mesmo longe de sua melhor forma física, ainda é capaz de dominar jogos. Maxey, por sua vez, continua sendo um armador perigoso e eficiente.

Nick Nurse, técnico dos 76ers, destacou a importância de atacar pelo garrafão com Embiid para criar espaços abertos para os arremessadores. Se o pivô continuar atraíndo duplas marcações e os companheiros converterem as bolas abertas, o Celtics terá trabalho sério pela frente.

Celtics precisa jogar de forma coletiva para fechar a série

Para evitar um desastre, o Celtics precisa voltar ao que funcionou durante a temporada: jogar de forma coletiva, com movimentação constante, defesa agressiva e distribuição equilibrada de responsabilidades. Tatum e Brown não podem carregar o time sozinhos. Os reservas precisam aparecer e o time não pode mais dar vida a adversários que já estavam praticamente eliminados.

A série contra os 76ers deveria ter sido encerrada em Boston. Agora, o Celtics terá que viajar para a Filadélfia sabendo que qualquer vacilo pode custar a classificação. A falta de “guts” (garra) no Jogo 5 foi um sinal perigoso. Boston ainda é favorito, mas a vantagem psicológica mudou de lado.

O basquete de playoffs pune quem relaxa. Os Celtics tiveram uma oportunidade de ouro e a desperdiçaram. Agora, precisarão mostrar maturidade e foco para não repetir erros do passado. A série continua viva e o risco de uma grande decepção também.

Foto: Charles Krupa/AP.