Charles Oliveira conquistou o cinturão simbólico de lutador mais “casca-grossa” do UFC. O título BMF veio com autoridade e dominância sobre um dos strikers mais temidos da organização: o havaiano Max Holloway. Para não dar chances ao perigoso adversário, Do Bronx mostrou que aprendeu com erros do passado e apresentou uma atuação estratégica, madura e disciplinada. No fim, vitória por decisão unânime dos juízes (50-45) e mais um capítulo importante na construção de um legado dentro do octógono.
A performance teve um elemento claro: controle absoluto da luta. Charles Oliveira neutralizou a principal arma de Holloway, o volume de golpes em pé, e impôs um ritmo baseado em grappling, pressão e inteligência tática. Não foi uma luta de trocação frenética ou de momentos caóticos, marcas registradas da carreira do brasileiro. Desta vez, a estratégia foi tão importante quanto a agressividade. O resultado foi uma vitória segura, que não deu margem para discussão.
Mais do que conquistar um cinturão simbólico, Charles Oliveira mostrou que segue evoluindo mesmo após mais de uma década no mais alto nível do MMA. A luta foi um exemplo de adaptação, algo fundamental para atletas que desejam permanecer competitivos em um esporte cada vez mais técnico.
Estratégia corrigida após lição contra Topuria
A vitória de Charles Oliveira também evidenciou uma mudança clara de abordagem. O brasileiro apresentou uma estratégia muito bem executada, mostrando que aprendeu com as falhas cometidas contra Ilia Topuria.
Há nove meses, em junho de 2025, Charles Oliveira foi derrotado na luta pelo cinturão dos leves justamente para Topuria. Na ocasião, o paulista entrou em uma luta emocional, aceitando trocar golpes com um boxeador de elite. A escolha se mostrou fatal: o georgiano radicado na Espanha encontrou o momento certo e nocauteou o brasileiro.
O cenário deste novo combate poderia se repetir. Afinal, Holloway também é temido por dominar as lutas em pé, com volume alto de golpes, precisão e resistência fora do comum. No entanto, Charles Oliveira não caiu na mesma armadilha.
Desde os primeiros segundos, o brasileiro deixou claro que a estratégia seria outra. Na maioria dos rounds, Charles Oliveira começava a luta aplicando chutes na panturrilha e no corpo de Holloway, criando distância e obrigando o rival a reagir. Logo em seguida, porém, vinha a mudança de nível: o paulista grudava no adversário e buscava a queda.
O padrão se repetiu diversas vezes. Em muitos rounds, Charles Oliveira derrubava Holloway ainda no primeiro minuto e passava o restante do tempo controlando a posição no chão. O grappling do brasileiro foi dominante, impedindo qualquer reação significativa do havaiano.
É verdade que Charles Oliveira não conseguiu finalizar Holloway, algo que já fez em 17 lutas ao longo da carreira. Ainda assim, chamou atenção a facilidade com que derrubou e controlou um adversário conhecido pela durabilidade e resistência. Tudo fruto de uma estratégia bem executada e, principalmente, de uma lição aprendida.
Charles Oliveira consolida um legado
Embora o cinturão BMF não seja um título oficial de categoria, ele carrega um peso simbólico importante dentro do UFC. A ideia é que apenas lutadores extremamente duros, agressivos e “cascas grossas” possam disputar essa honraria.
Nesse contexto, Charles Oliveira aparece como um nome perfeitamente adequado. Mesmo sendo um grappler de elite, algo menos comum entre os perfis tradicionalmente associados ao BMF, o brasileiro construiu sua carreira com lutas intensas, ritmo alto e postura ofensiva.
Charles Oliveira é dono de um dos jogos de finalização mais perigosos da história do UFC, mas sua trajetória também inclui batalhas memoráveis na trocação. Ao longo dos anos, ele mostrou que não depende exclusivamente do jiu-jitsu para vencer.
A conquista do cinturão BMF reforça justamente essa versatilidade. Charles Oliveira é um lutador completo, capaz de finalizar, nocautear ou controlar combates com inteligência tática. A vitória sobre Holloway acrescenta mais um adversário de elite à sua lista e fortalece ainda mais sua posição histórica dentro da organização.
Para um atleta que já foi campeão dos leves e detém recordes de finalizações no UFC, o resultado ajuda a consolidar um legado, embora haja críticas quanto ao “espetáculo” da última luta.
Charles Oliveira pode voltar a ser campeão dos leves
Se a conquista do BMF fortalece o legado, ela também reposiciona Charles Oliveira na corrida pelo topo da divisão dos leves. Ex-campeão da categoria, o paulista volta a aparecer como um dos principais nomes na disputa por um novo title shot. A atuação dominante contra Holloway reforça sua relevância esportiva e recoloca seu nome nas conversas sobre o futuro da divisão.
Atualmente, o campeão é Ilia Topuria. O georgiano enfrentará o campeão interino, Justin Gaethje, no evento chamado UFC Casa Branca, marcado para 14 de julho. O vencedor desse duelo deverá se consolidar como campeão linear da categoria. Na sequência, Charles Oliveira pode surgir como um dos candidatos naturais a desafiar pelo cinturão.
Depois da lição aprendida contra Topuria e da performance dominante contra Holloway, Charles Oliveira mostra que continua sendo um dos lutadores mais perigosos do UFC — e ainda plenamente capaz de voltar ao topo da divisão dos leves.
Foto: Reprodução/UFC