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Charles Oliveira nos meio-médios? Veja a análise

Recentemente, o campeão peso-mosca do UFC, Alexandre Pantoja, falou que enxerga com bons olhos a ida de Charles Oliveira para os meio-médios. A ideia de Pantoja surgiu após a derrota de ‘Do Bronx’ para Ilia Topuria.

O campeão analisou a volta de Charles no UFC Rio e também abordou a questão sobre ‘Do Bronx’ subir para os meio-médios.

“Acho que todo mundo entende quando dizemos que ele voltará cedo demais depois de um nocaute como o do Topuria”, disse Pantoja no ‘Overdogs Podcast’.

“Mas ele tem todas as habilidades, sabe? O Charles gosta de lutar nesse clima, principalmente quando vai para o Brasil… ele tem toda a energia. Ele quer lutar com essa energia. Lutar uma vez no Brasil, como quando defendi meu cinturão no ano passado. Isso me deixou muito feliz, sabe, a responsabilidade. Você precisa vencer essa luta.”, seguiu.

“Todo mundo está lá para ver o povo brasileiro com o cinturão e tudo, mas o Charles gosta desse clima. … E sabe o que eu acho? O corte de peso talvez seja demais. Quando você corta muito peso, precisa entender que toda a sua água vai embora. Seu cérebro tem água. Se você se secar demais, ficará vulnerável. Talvez o Charles seja pesado demais para essa divisão. (Peso Meio Médio) tornaria tudo mais fácil para ele.”, analisou Pantoja.

Seria bom para Charles Oliveira subir para os meio-médios?

Charles Oliveira teria muita dificuldade contra o plantel dos meio-médios do UFC
Charles Oliveira teria muita dificuldade contra o plantel dos meio-médios do UFC (Imagem: Mark J. Rebilas-USA TODAY Sports)

A derrota de Charles “Do Bronx” Oliveira para Ilia Topuria, por nocaute na disputa pelo cinturão dos pesos-leves do UFC, reacendeu um debate inevitável: qual o futuro do brasileiro dentro da organização?

Com o revés diante do georgiano naturalizado espanhol, somado à perda anterior do cinturão para Islam Makhachev, o caminho de Charles rumo ao topo da divisão dos leves parece mais estreito do que nunca. Uma alternativa natural para lutadores em situações similares é a mudança de categoria. Mas, no caso de Oliveira, essa decisão se revela particularmente complexa.

Subir para os meio-médios seria, em tese, a próxima etapa lógica de sua carreira. No entanto, a divisão dos 77 kg talvez represente um desafio ainda maior do que aquele encontrado entre os leves. Nomes como o campeão Jack Della Maddalena, o próprio Makhachev (que enfrentará o australiano pelo título da divisão), além de Sean Brady, Kamaru Usman, Belal Muhammad, Leon Edwards e Michael Morales, entre outros, compõem um dos plantéis mais densos e fisicamente exigentes do UFC na atualidade.

Trata-se de uma geração de meio-médios atléticos, completos e, sobretudo, naturalmente mais fortes do que Charles Oliveira, que passou a maior parte da carreira competindo nos penas e leves, e mesmo sendo alto, não tem o biotipo forte como o de Kamaru, por exemplo.

A diferença física é um fator determinante. Charles Oliveira sempre foi um lutador técnico, com um jiu-jítsu afiado e um estilo agressivo no striking, mas já demonstrou vulnerabilidades defensivas diante de atletas mais potentes, como vimos contra Makhachev e, mais recentemente, Topuria. Subir de categoria colocaria o brasileiro frente a adversários não apenas mais pesados, mas com maior envergadura, força física e capacidade de absorção de golpes, atributos que podem neutralizar boa parte do arsenal ofensivo de Charles.

Por outro lado, a opção de descer para os penas, onde competiu anteriormente, parece cada vez mais distante. O corte de peso para os 66 kg sempre foi um processo extremamente desgastante para o atleta, que em diversas ocasiões teve dificuldades para bater o peso dos leves (70,3 kg). A exigência fisiológica para alcançar o limite dos penas, especialmente em uma fase mais madura da carreira, aos 36 anos, tornaria essa manobra arriscada do ponto de vista médico e esportivo. E vale lembrar: os tempos de tolerância com falhas na balança, mesmo para grandes nomes, são cada vez menores dentro do UFC.

Esportivamente, não resta dúvida de que o caminho menos espinhoso, ao menos no papel, seria retornar à divisão dos penas, onde o jogo técnico de Charles Oliveira poderia ter mais impacto contra rivais menores e menos potentes. Mas essa via está praticamente fechada por limitações físicas.

Restaria, então, a alternativa de permanecer nos leves, onde, apesar dos tropeços recentes, Charles ainda figura entre os principais nomes da divisão. Uma sequência convincente de vitórias pode colocá-lo de volta no radar do title shot, especialmente em uma categoria onde o título tende a mudar de mãos com relativa frequência, mesmo com a tendência de vermos Ilia Topuria dominando a categoria por um bom tempo.

Subir para os meio-médios, portanto, parece mais uma aposta de risco do que uma evolução natural de carreira. Enfrentar nomes como Della Maddalena ou Usman, sem a devida adaptação física, seria jogar Charles Oliveira em um terreno hostil, onde seus pontos fortes poderiam ser anulados com mais facilidade. E, diante de um cenário sem opções ideais, o mais prudente para o brasileiro talvez seja reorganizar sua trajetória nos leves, adotando uma estratégia de reconstrução cuidadosa.

Uma opção que funcionaria bem para o brasileiro seria buscar superlutas, como a revanche contra Max Holloway, ser a porta de entrar de um Alexander Volkanovski nos leves ou até mesmo ser o adversário de Conor McGregor na edição do UFC na Casa Branca. Situações que dariam enorme evidência para um nome que já é gigante no mundo do MMA.

Charles Oliveira ainda é um dos maiores finalizadores da história do UFC, com uma legião de fãs ao redor do mundo e prestígio junto à organização, por isso, planejar o futuro corretamente, pode torná-lo um dos maiores da história do esporte, porque no peso-leve ele já é.

(Imagem de Capa: Reprodução X/Charles Oliveira – Getty Images)