Charles Oliveira tentará tirar o cinturão BMF de Max Holloway na luta principal do UFC 326, marcado para este sábado (7), em Las Vegas. Mais do que aplicar uma revanche no havaiano e se aproximar de um title shot na divisão dos leves, o brasileiro pode dar um novo significado ao título. Caso vença, Charles Oliveira não apenas ampliará seu legado dentro do UFC, como também poderá redefinir a forma como o cinturão simbólico é interpretado dentro da organização.
Criado em 2019, o cinturão BMF — sigla para “Baddest Motherf***er” — nasceu com uma proposta diferente dos títulos tradicionais do Ultimate. A ideia era premiar o lutador mais “casca grossa” da organização, aquele que entrega combates intensos, violentos e memoráveis para os fãs. A honraria surgiu em um contexto de grande rivalidade e acabou rapidamente se tornando um elemento curioso dentro da narrativa do MMA moderno.
Até hoje, apenas três atletas conquistaram o cinturão. O primeiro foi Jorge Masvidal, que venceu Nate Diaz no UFC 244, evento que marcou a estreia da iniciativa. Anos depois, Justin Gaethje também entrou para a lista ao derrotar Dustin Poirier em uma batalha brutal. O atual dono do cinturão é Max Holloway, que conquistou o título ao protagonizar outra luta eletrizante.
Há um detalhe que chama atenção nessa pequena galeria de campeões: todos são conhecidos principalmente pelo poder na trocação. Masvidal, Gaethje e Holloway são strikers consagrados, especialistas em combates agressivos em pé. Isso não é exatamente uma coincidência. O próprio conceito do cinturão BMF costuma valorizar lutas francas, cheias de ação e com grande volume de golpes.
Na prática, o cinturão funciona quase como um incentivo narrativo dentro do UFC. Ao colocá-lo em disputa, a organização cria uma expectativa adicional em torno da luta. Mais do que simplesmente vencer, os atletas são instigados a entregar um espetáculo para o público. O BMF, portanto, acaba funcionando como uma forma simbólica de pressionar os lutadores a protagonizarem batalhas memoráveis.
É justamente nesse contexto que Charles Oliveira pode trazer uma nova camada de significado ao título. O brasileiro é, sim, um lutador perigoso na trocação e já protagonizou diversas guerras dentro do octógono. No entanto, sua principal característica sempre foi outra: o jiu-jitsu de altíssimo nível.
“Do Bronx” é o recordista de vitórias por finalização na história do UFC, com 17 triunfos por submissão. Esse dado por si só já mostra como seu estilo difere dos campeões anteriores do cinturão BMF. Caso conquiste o título, Charles Oliveira pode demonstrar que ser “casca grossa” vai além de apenas trocar golpes no centro do octógono — também envolve técnica, inteligência e capacidade de finalizar adversários em qualquer momento da luta.
Charles Oliveira mostrou valorizar o BMF
Apesar de muitas vezes tratado como um elemento de marketing, Charles Oliveira deixou claro que enxerga o cinturão BMF com seriedade. Durante a semana da luta, o brasileiro destacou que a conquista teria um peso simbólico importante, especialmente por representar algo inédito para o país.
“Com certeza, este é um título – este é um cinturão”, disse Oliveira na coletiva de imprensa de quarta-feira. “A oportunidade de levá-lo para o Brasil é algo inédito para um atleta brasileiro. Quando falo de legado, de bater recordes e tudo mais, é disso que estou falando.”
A fala mostra que Charles Oliveira vê o BMF como parte de sua trajetória dentro do esporte. Para um atleta que já foi campeão dos leves e construiu uma carreira marcada por superação, qualquer conquista que amplie o legado tem valor significativo.
O brasileiro também ressaltou que os campeões anteriores ajudaram a legitimar o cinturão ao longo dos anos. “Acho que todos os lutadores que já o conquistaram deram a ele a devida importância”, disse Oliveira. “Cada um à sua maneira, e agora Max encontrou um jeito de dar ainda mais importância a um cinturão como esse.”
Independentemente do simbolismo do BMF, Charles Oliveira sabe que a luta deste sábado tem implicações esportivas relevantes. Uma vitória sobre Holloway pode recolocá-lo diretamente na rota por uma nova disputa do cinturão dos leves, objetivo que Charles Oliveira já deixou claro em diversas entrevistas.
Há também o componente da revanche. Charles Oliveira enfrentou Holloway no início de sua trajetória no UFC, em um combate marcado por circunstâncias que impediram o brasileiro de mostrar todo o seu potencial.
Agora, anos depois, Charles Oliveira retorna muito mais experiente, consolidado como um dos grandes nomes da divisão e com a oportunidade de reescrever essa história. Ao mesmo tempo em que busca se aproximar novamente do topo da categoria, ele também tenta provar que o cinturão BMF pode representar algo maior — não apenas violência e trocação, mas também versatilidade, técnica e legado dentro do MMA.
Foto: Zuffa LLC