Alex Poatan x Magomed Ankalaev
Lutas UFC

3 chaves da vitória para Alex Poatan contra Magomed Ankalaev no UFC 320

O UFC 320 traz como luta principal uma das rivalidades mais intrigantes do MMA atual: Magomed Ankalaev contra Alex “Poatan” Pereira, em revanche pelo cinturão dos meio-pesados.

No primeiro confronto, Ankalaev saiu vencedor, aproveitando falhas estratégicas do brasileiro, principalmente no aspecto físico e defensivo. Poatan, que já fez história ao conquistar cinturões em duas categorias diferentes em tempo recorde, agora busca se redimir e provar que ainda pode comandar uma das divisões mais difíceis do UFC.

Para vencer, Pereira precisará ajustar pontos fundamentais do seu jogo. A seguir, estão as três chaves para que ele consiga superar Ankalaev e reconquistar o cinturão.

1 – Gestão do gás e controle do ritmo da luta

Um dos principais fatores que explicam a derrota de Poatan no primeiro duelo foi o desgaste físico. Desde os primeiros rounds, percebeu-se que Ankalaev conseguiu ditar o ritmo da luta, impondo clinches prolongados e situações em que obrigava o brasileiro a se defender mais do que atacar. Poatan, famoso por sua potência em pé, viu seu rendimento cair progressivamente à medida que a luta se alongava.

Para a revanche, a preparação física e mental terá de ser diferente. Poatan já afirmou que estava em apenas “40%” de sua capacidade na primeira luta. Agora, com um camp mais focado e sem os problemas relatados anteriormente, ele precisa entrar no octógono com um plano claro de economia de energia.

Isso não significa lutar de forma passiva, mas sim usar melhor o tempo e o espaço. É importante não desperdiçar combinações completas que possam deixá-lo vulnerável a quedas, e sim trabalhar em jabs, chutes baixos e golpes isolados, capazes de pontuar e desgastar o adversário sem comprometer o fôlego.

Outro ponto crucial é não cair no jogo cadenciado de Ankalaev. Se deixar o russo ditar o ritmo, Pereira pode se ver novamente em uma luta longa e exaustiva. O ideal é manter o combate em um ritmo que favoreça a trocação, onde seu poder de nocaute pode aparecer a qualquer momento.

2 – Defesa de quedas e trabalho ativo no clinch

O segundo grande desafio para Poatan será lidar com o grappling e o clinch de Ankalaev. Embora o russo não seja um wrestler puro como outros atletas da região do Daguestão, ele mostrou na primeira luta que sabe usar quedas oportunas e pressão contra a grade para diminuir o arsenal do brasileiro.

A primeira chave, portanto, é melhorar a defesa de grappling. Movimentação lateral constante, uso de golpes para manter distância — especialmente o jab e o low kick — e atenção redobrada às entradas do adversário podem reduzir as chances de ser colocado no chão.

No clinch, Poatan precisa ser mais ativo. Se na primeira luta ele se deixou envolver por longos períodos de controle, agora deve usar sua experiência no kickboxing para punir essas situações com joelhadas curtas, cotoveladas e empurrões que criem espaço. Transformar o clinch de uma posição de sobrevivência em uma oportunidade ofensiva pode virar o jogo a seu favor.

Além disso, há o aspecto psicológico: se Poatan mostrar logo nos primeiros minutos que não será fácil ser derrubado ou controlado, Ankalaev pode se sentir desconfortável e ser forçado a arriscar mais em pé — exatamente o cenário que favorece o brasileiro.

3 – Agressividade controlada e imposição da trocação

O maior trunfo de Alex Poatan continua sendo sua trocação afiada. Dono de um dos socos mais potentes do UFC e com histórico de nocautes espetaculares, ele é sempre uma ameaça. No entanto, no primeiro encontro com Ankalaev, faltou impor o seu jogo.

Parte disso se deve ao respeito excessivo pelo contra-ataque do russo. Agora, Alex precisa encontrar o equilíbrio entre cautela e agressividade. O ideal é manter o centro do octógono, usar a envergadura a seu favor e ditar o ritmo da luta em pé.

O jab constante pode ser uma das armas mais importantes, tanto para pontuar quanto para manter a distância. Os low kicks também podem ser decisivos: ao minar a base de Ankalaev, Poatan limita as chances de quedas e aumenta suas próprias oportunidades de ataque. Além disso, variar chutes médios e até altos pode abrir brechas em um adversário que tende a se proteger mais das mãos do que das pernas.

A chave, no entanto, está na chamada agressividade controlada. Pereira não precisa partir para o tudo ou nada logo nos primeiros minutos, mas sim acumular vantagem e desgastar o adversário até encontrar a oportunidade perfeita para conectar o golpe decisivo.

(Foto: Divulgação/UFC)