Antes de enfrentar o Palmeiras nesta sexta-feira (4) pelas quartas de final da Copa do Mundo de Clubes, o Chelsea está próximo de finalizar as contratações do ponta-esquerda Jamie Bynoe-Gittens, do Borussia Dortmund, e do centroavante João Pedro, do Brighton, ainda nesta semana. Com isso, a dupla se tornará a sexta e a sétima aquisição dos Blues para o elenco principal na próxima temporada, durante a janela de transferências de verão, reforçando um ataque já repleto de estrelas promissoras.
O clube londrino segue determinado a reunir os maiores talentos do futebol mundial, em meio à política de transferências inovadora implementada pela Clearlake Capital, e Gittens e João Pedro devem ser anunciados em breve como os mais novos reforços. Nas últimas duas décadas, desde a chegada de Roman Abramovich em 2003, quando investiu cerca de 120 milhões de libras (o equivalente a 220 milhões de libras hoje, ajustados pela inflação), o Chelsea se transformou de mero candidato ao top 4 em uma potência capaz de conquistar a Premier League e a UEFA Champions League.
Mesmo com a proibição de contratações entre 2019 e 2020, os Blues gastaram mais de 2 bilhões de euros desde então. Na era BlueCo, o Chelsea manteve os altos investimentos, mas com foco em jovens talentos ao invés de grandes astros já consolidados, abandonando a política Galactico-lite por uma abordagem similar à do Brighton, porém em escala muito maior. Após três anos de transição, o clube começou a demonstrar evolução consistente, retomando seu status como um time competitivo e empolgante, capaz de brigar por títulos expressivos.
Depois de já terem fechado com Dario Essugo, Mamadou Sarr e Liam Delap na minijanela de junho, Jamie Gittens, do Borussia Dortmund, e o atacante versátil João Pedro, do Brighton, devem ser os próximos a chegar em Cobham. Mais uma vez, os gastos elevados do Chelsea geram questionamentos, mas há indícios de maior planejamento por trás dessas movimentações nesta temporada. Resta saber como a dupla será utilizada em Stamford Bridge e se terão espaço no time preferido de Enzo Maresca no próximo ciclo.

Como o Chelsea pode se organizar com Jamie Gittens e João Pedro em 2025/26?
Na prática, é pouco provável que Gittens e Pedro estejam entre os titulares absolutos no Chelsea, sob o comando do técnico Enzo Maresca. Liam Delap e Nicolas Jackson devem disputar a posição de centroavante, enquanto Pedro Neto, Estevão Willian e Noni Madueke (caso permaneça) brigarão pela ponta direita, com Cole Palmer atuando como meia-atacante.
Por outro lado, Gittens pode oferecer a Maresca a opção de um ponta natural pelo lado esquerdo no Chelsea, enquanto Pedro pode ser escalado como ponta invertido, com Cucurella garantindo a amplitude. O melhor futebol de João Pedro acontece como segundo atacante, mas ele só jogará nesta função caso Palmer esteja lesionado ou poupado. No geral, será utilizado como peça versátil, atuando em diferentes posições, provavelmente entrando como substituto de impacto.
A expectativa é que Robert Sanchez siga como goleiro titular do Chelsea após as negociações com o francês Mike Maignan fracassarem, junto ao Milan. A defesa deverá ter Reece James na lateral-direita, Wesley Fofana formando dupla com Levi Colwill na zaga, e Marc Cucurella na lateral-esquerda, desde que Maresca conte com todos disponíveis.
No meio-campo, o treinador do Chelsea deve realizar rodízios ao longo da temporada para manter a equipe física e mentalmente pronta em todas as competições, mas Enzo Fernandez e Moises Caicedo continuam como os titulares absolutos. Já Andrey Santos, Romeo Lavia e Dario Essugo tendem a receber minutos relevantes, mas podem não começar os jogos mais importantes.
Por fim, o destaque de Pedro Neto na Copa do Mundo de Clubes, tende a consolidá-lo como ponta direita titular do Chelsea, enquanto Estevão se adapta à Premier League, e Gittens possivelmente assumirá a esquerda. Palmer atuará como camisa 10, com Delap centralizado no comando de ataque. João Pedro será titular em partidas de copas nacionais e alguns compromissos da Premier League, mas deve iniciar no banco na Champions League.

Chelsea ainda tem lacunas a preencher na próxima temporada
Os olhares críticos para cada rumor de contratação envolvendo o Chelsea são, em parte, justificados. Apesar do progresso em três temporadas sob a BlueCo, houve uma quantidade impressionante de chegadas e saídas a cada janela desde a compra em 2022. As colocações de 12º, 6º e 4º na Premier League configuram a pior sequência de três anos do clube desde antes da era Abramovich.
Ainda assim, o Chelsa precisa reforçar o setor ofensivo. Delap já chega como, no mínimo, uma alternativa equivalente a Nicolas Jackson, senão uma melhora, sendo visto como solução de longo prazo para o ataque. O Chelsea também devolveu Jadon Sancho ao Manchester United após um empréstimo abaixo das expectativas e perdeu Mykhailo Mudryk por tempo indeterminado devido à acusação de doping. Além disso, há grandes chances de Christopher Nkunku ser negociado, apesar de seu papel crucial no Mundial de Clubes.
A chegada de Gittens, capaz de acelerar no espaço, cadenciar no drible curto e finalizar bem , ficando entre os 18 melhores pontas em chutes por jogo, com média de 2,58 a cada 90 minutos, pode oferecer ao Chelsea o equilíbrio que tinha com Mudryk e Sancho. No passado, as críticas ao modelo de contratações do clube se concentravam na aleatoriedade das compras, além de questionamentos sobre a idade dos reforços e possíveis valores inflacionados.
Com Delap custando 30 milhões de euros (US$41 milhões) e Pedro pouco mais de 50 milhões de euros (US$69 milhões), ambos oferecem boa relação custo-benefício, enquanto Gittens, por 55 milhões de euros (US$76 milhões), representa um investimento arriscado no Chelsea, mas ainda mais calculado do que contratações anteriores. Em teoria, eles terão participação menos esporádica que outros recém-chegados do elenco e poderão contribuir consistentemente quando a maratona de jogos apertar.
Crucialmente, ambos chegam ao oeste de Londres já com experiência relevante em seus currículos. João Pedro soma 216 jogos como profissional e três convocações pela seleção brasileira, enquanto Gittens acumula 107 partidas e três participações em Champions League aos 20 anos. Chegar antes da pré-temporada no Chelsea, e no caso do atacante brasileiro ex-Fluminense e Brighton sem ter disputado a Copa do Mundo de Clubes, dará à dupla mais tempo de adaptação antes do início da temporada 2025/ 26.
(Foto: Getty Images)