O começo de Liam Rosenior no comando do Chelsea até parece positivo quando se olha apenas para os números. Três vitórias e apenas uma derrota nos primeiros quatro jogos, sendo o único tropeço um 3 a 2 apertado contra o Arsenal. No papel, é um início aceitável. Na prática, porém, o cenário preocupa.
O Chelsea tem apresentado um futebol apenas mediano desde a troca de comando. Em nenhum dos jogos a equipe mostrou um desempenho realmente convincente, e isso acende um alerta para a reta final da temporada 2025/26.
A vitória por 5 a 1 sobre o Charlton, por exemplo, engana bastante. O time sofreu muito no primeiro tempo e só construiu o placar elástico graças a dois gols nos acréscimos, marcados por Pedro Neto e Enzo Fernández, que maquiaram uma atuação bem abaixo do esperado.
Atuações fracas seguem se repetindo
Contra o Arsenal, pela semifinal da Copa da Liga, o Chelsea teve outra atuação apagada. Os Gunners dominaram boa parte do jogo e poderiam ter resolvido a classificação ainda em Stamford Bridge. O placar só não foi mais elástico porque Alejandro Garnacho marcou dois gols no segundo tempo e manteve o confronto aberto.
Diante do Brentford, no sábado, o roteiro se repetiu. O Chelsea foi novamente inferior e contou com erros do adversário para marcar. João Pedro aproveitou uma falha grosseira na saída de bola, enquanto Cole Palmer converteu um pênalti após falta de Kelleher em Liam Delap.
Já na Champions League, contra o Pafos, o resultado positivo por 1 a 0 veio apenas aos 78 minutos, com um gol de cabeça de Moisés Caicedo. O adversário cipriota se fechou com uma linha de cinco defensores e apostou apenas nos contra-ataques, enquanto o Chelsea teve enorme dificuldade para furar o bloqueio.
Problema antigo que ainda não foi resolvido
A dificuldade contra defesas fechadas não é novidade. Esse mesmo problema já existia com Enzo Maresca e continua com Rosenior, que utiliza um sistema muito parecido com o de seu antecessor.
O desenho tático se repete: Garnacho e Pedro Neto abertos pelos lados, Delap preso entre os zagueiros e um meio-campo congestionado com Enzo, Caicedo, Reece James e Malo Gusto entrando por dentro. A posse existe, as chances aparecem, mas a criatividade no terço final é limitada.
O Chelsea até controla os jogos, mas raramente transforma esse domínio em pressão real. Falta agressividade ofensiva e soluções diferentes quando o plano inicial não funciona.
Chelsea quer Jeremy Jacquet, mas decisão preocupa
Nesse contexto, a possível contratação de Jeremy Jacquet levanta muitas dúvidas. O Chelsea está em negociações avançadas com o Stade Rennais pelo zagueiro francês, visto como um talento de elite no futebol europeu.
A ideia inicial era contratar Jacquet agora e integrá-lo imediatamente ao elenco principal. No entanto, surgiram informações de que o clube pode fechar o negócio e emprestá-lo de volta ao Rennes até o fim da temporada.
Mesmo que isso reduza o valor da transferência, a estratégia parece sem sentido. O Chelsea corre risco real de não se classificar para a próxima Champions League e precisa de reforços que impactem imediatamente.
Impacto esportivo seria quase nulo
Jacquet é extremamente promissor e pode virar um dos melhores zagueiros do mundo até 2030. Mas ele não resolve os problemas atuais do Chelsea, especialmente contra blocos baixos.
Além disso, o clube já conta com jovens zagueiros destros muito bem avaliados, como Josh Acheampong, Mamadou Sarr e Aaron Anselmino. A chegada de Jacquet apenas fecharia ainda mais o caminho desses jogadores para o time principal.
Acheampong, inclusive, é um caso delicado. O jovem inglês já despertou interesse de grandes clubes, foi afastado das equipes de base no passado e só renovou no fim de 2024. Sem minutos consistentes no profissional, ele pode voltar a considerar uma saída.
Falta criatividade, não zagueiro
Outro ponto importante é que Jacquet não resolve a principal deficiência do Chelsea: a criação ofensiva. Apesar de ter boa saída de bola e condução, ele não muda o cenário no último terço do campo.
Se chegar apenas no meio do ano, também não ajudará na luta por uma vaga na Champions League nesta temporada. Gastar mais de 60 milhões de euros agora para não usar o jogador parece um luxo que o clube não pode se permitir.
No sistema de Rosenior, os pontas são fundamentais. Estevão Willian deve assumir o lado direito no futuro, mas o lado esquerdo ainda carece de um nome mais decisivo. Jamie Gittens oscila muito, enquanto Garnacho é útil, mas talvez não suficiente para ser titular absoluto.
Alternativa faria mais sentido no momento
Kenan Yildiz, da Juventus, seria o reforço ideal para esse Chelsea. Jovem, criativo e capaz de decidir jogos. Embora seja uma negociação difícil, redirecionar parte do investimento previsto para Jacquet faria mais sentido esportivamente.

Diante do elenco atual e das necessidades imediatas, o Chelsea estaria muito mais bem servido ao buscar um reforço ofensivo em janeiro do que fechar com um zagueiro para emprestar.
Se o objetivo é salvar a temporada e manter o crescimento recente, insistir em Jeremy Jacquet agora pode acabar sendo um erro grande demais.