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Futebol Premier League

Chelsea é punido por pagamentos secretos em contratações de estrelas entre 2011 e 2018; entenda

O Chelsea recebeu uma multa recorde da Premier League após uma investigação que revelou pagamentos secretos ligados a diversas contratações realizadas pelo clube entre 2011 e 2018. A punição final foi de 10,75 milhões de libras, além de um transfer ban suspenso que pode ser ativado caso novas irregularidades ocorram nos próximos anos.

A liga inglesa divulgou um relatório detalhado de 28 páginas explicando o caso. O documento descreve como o clube realizou pagamentos ocultos a agentes não registrados e terceiros envolvidos em negociações de transferências. No total, foram identificadas 36 transações que somam cerca de 47,5 milhões de libras.

Apesar da gravidade das irregularidades, o clube evitou uma punição ainda mais severa após admitir as falhas e cooperar com a investigação.

Pagamentos ocultos e empresas offshore

Segundo a investigação, os pagamentos foram feitos por meio de empresas intermediárias registradas principalmente nas Ilhas Virgens Britânicas. Esses repasses tinham como objetivo facilitar transferências de jogadores ou garantir opções futuras de negociação sem que os valores aparecessem diretamente nas contas oficiais do clube.

A liga classificou as ações como “violações deliberadas e evidentes”, além de afirmar que houve tentativas claras de ocultação das transações financeiras.

O relatório também aponta que essas operações ocorreram com conhecimento de dirigentes importantes da época e com recursos ligados ao antigo proprietário do clube, o empresário russo Roman Abramovich.

O magnata foi dono do Chelsea durante quase duas décadas e liderou um dos períodos mais vitoriosos da história do clube antes de vender a equipe em 2022.

Transferências de jogadores famosos entram na investigação

Entre os casos analisados, alguns dos maiores nomes que passaram pelo Chelsea naquele período aparecem nas negociações investigadas. Os atletas não são acusados de qualquer irregularidade, mas suas transferências foram citadas no relatório por causa dos pagamentos paralelos feitos a agentes.

O maior repasse identificado foi de 23 milhões de libras, pago a sete agentes ou empresas associadas para facilitar a contratação de jogadores importantes.

Entre eles estavam o meia belga Eden Hazard, que chegou ao clube vindo do Lille, além do volante Ramires e do zagueiro David Luiz, ambos contratados junto ao Benfica.

Também aparecem na lista o meio-campista Nemanja Matić e o atacante alemão André Schürrle, que chegou do Bayer Leverkusen.

Outras duas contratações investigadas foram as do atacante Samuel Eto’o e do brasileiro Willian, que vieram do Anzhi Makhachkala. No caso desses dois jogadores, cerca de 19,3 milhões de libras foram pagos fora dos registros oficiais da negociação.

Além disso, parte do dinheiro também foi direcionada a funcionários do próprio clube. Cerca de 1,37 milhão de libras foram pagos ao então diretor de futebol Frank Arnesen, ao influente olheiro Piet de Visser e a um terceiro membro da equipe, valores considerados como remuneração.

Sucesso esportivo durante o período investigado

O período em que ocorreram as irregularidades coincidiu com uma fase extremamente bem-sucedida do Chelsea dentro de campo.

Entre 2011 e 2019, o clube conquistou diversos títulos importantes. Durante essa era, os Blues levantaram dois troféus da Premier League, nas temporadas 2014-15 e 2016-17, além de duas FA Cup e uma EFL Cup.

O time também conquistou a UEFA Europa League de 2019, reforçando sua posição entre as principais potências do futebol europeu.

Muitos dos jogadores citados no relatório tiveram papel central nesse sucesso. Hazard, por exemplo, tornou-se um dos grandes ídolos da história recente do clube, marcando 110 gols em 352 partidas.

Outros atletas também tiveram grande impacto, como Willian, que disputou 339 jogos pelo Chelsea, e Ramires, que atuou em 251 partidas com a camisa azul.

Até momentos históricos de rivalidade ficaram marcados por esse elenco. Em 2014, vários desses jogadores participaram da vitória por 6 a 0 sobre o Arsenal, partida que marcou o milésimo jogo de Arsène Wenger como técnico do clube londrino.

Por que a punição não foi mais dura

Mesmo com a gravidade das infrações, a punição poderia ter sido significativamente maior.

Inicialmente, a própria direção da Premier League considerou aplicar uma multa de 20 milhões de libras e impor uma proibição de transferências por duas janelas consecutivas.

No entanto, alguns fatores acabaram reduzindo a punição final.

Após a venda do clube para o grupo BlueCo, liderado por Todd Boehly, os novos proprietários realizaram uma análise interna das contas do clube e decidiram reportar voluntariamente as irregularidades às autoridades do futebol inglês.

Além disso, os novos dirigentes forneceram documentos, colaboraram com a investigação e aceitaram as conclusões da liga.

Essa postura foi considerada “cooperação excepcional” pelos responsáveis pelo processo disciplinar, o que levou à redução da multa para pouco mais de 10 milhões de libras e à suspensão do transfer ban do Chelsea.

A punição, porém, pode ser ativada se o Chelsea cometer novas infrações semelhantes nos próximos dois anos.

Processo ainda não terminou para o Chelsea

Mesmo com a decisão da Premier League, o caso ainda não está completamente encerrado.

O clube já havia sido punido anteriormente pela UEFA com uma multa de 10 milhões de euros pelos mesmos pagamentos irregulares.

Além disso, o Chelsea ainda enfrenta 74 acusações separadas apresentadas pela The Football Association, a federação inglesa de futebol. Esse processo ainda será julgado e pode resultar em novas sanções financeiras.

Por isso, embora tenha evitado consequências esportivas mais graves, como perda de pontos ou suspensão imediata no mercado, o clube londrino ainda pode enfrentar novos capítulos nesse escândalo administrativo.

O episódio expõe um dos casos mais complexos de irregularidades financeiras envolvendo transferências no futebol inglês moderno e mostra como práticas do passado ainda podem gerar consequências anos depois, inclusive para o Chelsea.