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Futebol Premier League

Chelsea cria nova lista de dispensas, mas precisa driblar regras da FIFA; entenda

O Chelsea parece ter encontrado uma nova maneira de lidar com um problema que já virou tradição em Cobham: um elenco grande demais e uma lista de jogadores que o clube gostaria de negociar antes do fechamento da janela.

A diferença é que, desta vez, os Blues precisam tomar cuidado com a forma como fazem isso. Nicolas Jackson, Liam Delap, Axel Disasi e Tosin Adarabioyo estão entre os jogadores que não vêm participando dos treinamentos com o grupo principal comandado por Xabi Alonso, enquanto o Chelsea tenta encontrar novos destinos para eles.

A situação lembra imediatamente a famosa lista de dispensas das últimas temporadas. O clube já utilizou essa estratégia em outros mercados, separando jogadores considerados fora dos planos e colocando-os para treinar longe do elenco principal.

Só que existe uma diferença importante em 2026: a FIFA mudou as regras.

O Chelsea ainda pode dividir seu elenco em grupos e organizar atividades simultâneas, mas não pode simplesmente impedir determinados jogadores de participarem dos treinamentos regulares. O clube, portanto, precisa encontrar uma linha bastante fina entre administrar um elenco gigantesco e criar uma situação que possa gerar problemas trabalhistas.

Chelsea tem nova lista de dispensas, mas não pode chamá-la assim

Segundo informações divulgadas pela Sky Sports, alguns jogadores que não fazem parte dos planos imediatos de Xabi Alonso estão treinando separados do grupo principal. Isso inclui nomes importantes e relativamente caros, como Nicolas Jackson e Liam Delap.

Na prática, o Chelsea utiliza o tamanho de seu elenco para organizar dois grupos de treinamento simultaneamente. Os jogadores continuam utilizando as mesmas instalações e treinam no mesmo horário, mas não necessariamente trabalham juntos.

É uma diferença pequena no papel, mas bastante significativa.

Nas temporadas anteriores, jogadores como Raheem Sterling chegaram a ser colocados em instalações diferentes e obrigados a treinar em horários alternativos. Em alguns casos, os atletas eram enviados para sessões no período da noite.

A nova situação é bem mais discreta. O Chelsea pode dizer que está apenas administrando um elenco enorme e dividindo os jogadores em grupos. E, tecnicamente, isso é verdade.

Mas ninguém precisa ser especialista em futebol para perceber que alguns atletas estão muito mais próximos dos planos de Xabi Alonso do que outros. É a lista de dispensas versão 2.0. Só que agora com um nome bem menos chamativo.

Por que a FIFA mudou as regras?

A mudança não aconteceu por acaso. Em junho, FIFA e FIFPro anunciaram novas medidas para impedir que clubes isolem jogadores e impeçam sua participação nos treinamentos regulares.

A preocupação é que afastar um atleta das atividades do elenco possa ser interpretado como uma forma de pressioná-lo a deixar o clube. E isso pode entrar em conflito com direitos trabalhistas e com a própria liberdade profissional do jogador.

As novas regras dão aos atletas uma proteção maior. Em determinadas circunstâncias, impedir um jogador de participar normalmente dos treinamentos pode abrir espaço para que ele tente rescindir unilateralmente seu contrato.

Para clubes que trabalham com elencos muito grandes, como o Chelsea, a mudança é especialmente relevante.

Os Blues contrataram muitos jogadores nos últimos anos e, ao mesmo tempo, passaram a oferecer contratos longos. O resultado é um elenco enorme, com vários atletas que continuam vinculados ao clube mesmo quando deixam de fazer parte dos planos esportivos.

Agora, simplesmente mandar o jogador para “treinar sozinho até alguém aparecer com uma proposta” ficou muito mais arriscado.

Caso Lassana Diarra ajudou a mudar o mercado

A discussão sobre o poder dos clubes sobre seus jogadores também tem relação com um caso antigo envolvendo Lassana Diarra.

O ex-meio-campista do Chelsea e do Real Madrid entrou em conflito com o Lokomotiv Moscou em 2014. Depois de uma discussão com o treinador e de uma tentativa do clube de reduzir seu salário, Diarra se recusou a treinar.

O Lokomotiv o demitiu e a FIFA inicialmente decidiu a favor do clube. Diarra, porém, levou o caso à Justiça europeia, argumentando que as regras de transferência da FIFA restringiam sua liberdade profissional e violavam leis trabalhistas.

Em 2024, o Tribunal de Justiça da União Europeia concordou com parte dos argumentos do jogador. A decisão obrigou a FIFA a rever algumas de suas regras de transferência.

O impacto foi muito maior do que apenas uma disputa entre jogador e clube. A decisão abriu espaço para uma discussão sobre até onde uma equipe pode ir ao tentar controlar o futuro profissional de um atleta que ainda possui contrato. E o futebol europeu descobriu que a resposta não é tão simples quanto “o clube paga o salário, então manda”.

Outro caso aumentou o alerta

A preocupação da FIFA ganhou ainda mais força com o caso de Lucas Ribeiro.

O jogador teve uma disputa com o Mamelodi Sundowns depois que o clube rejeitou uma proposta do Qatar SC. Ribeiro considerava que a oferta estava acima de seu valor de mercado e, após a situação se deteriorar, conseguiu rescindir seu contrato utilizando como argumento o precedente criado pela decisão relacionada a Diarra.

Depois disso, ele assinou com o Cultural Leonesa, da Espanha.

O caso mostrou que o precedente não era apenas uma discussão teórica envolvendo um jogador famoso e uma decisão judicial.

Existe a possibilidade real de atletas utilizarem os novos entendimentos para contestar situações em que considerem que seu clube está impedindo o desenvolvimento de suas carreiras.

É exatamente por isso que a FIFA e a FIFPro decidiram agir.

Chelsea precisa encontrar equilíbrio

O Chelsea não está necessariamente fazendo algo ilegal ao dividir seu elenco em dois grupos. O problema está na maneira como essa separação é realizada e no tratamento dado aos jogadores que estão fora dos planos.

O clube possui um dos elencos mais numerosos do futebol inglês e precisa encontrar soluções para jogadores que não terão espaço. Ao mesmo tempo, não pode transformar o treinamento em uma ferramenta de pressão para forçar uma saída.

Essa diferença será fundamental para Xabi Alonso e para a direção.

Se um grupo trabalha simultaneamente ao outro, com acesso às mesmas estruturas e condições profissionais adequadas, a situação pode ser defendida como simples gerenciamento de elenco.

Se determinados atletas forem deliberadamente isolados ou privados de condições normais de trabalho, o cenário pode ficar muito mais complicado. E o Chelsea certamente não quer descobrir isso da pior maneira possível.

Problema continua sendo o tamanho do elenco

No fim das contas, a situação também expõe um problema que o Chelsea conhece muito bem.

O clube montou um elenco enorme nos últimos anos, apostando em jogadores jovens e contratos longos. A estratégia permitiu acumular muitos talentos, mas também criou um problema quando alguns deles deixaram de fazer parte dos planos.

Agora, Xabi Alonso precisa trabalhar com um grupo que ainda está longe de ser enxuto.

A solução mais óbvia é vender. O problema é que vender jogadores nem sempre é simples. Existem salários, valores de mercado, duração dos contratos e interesse de outros clubes envolvidos.

Enquanto as propostas não aparecem, os jogadores continuam sendo patrimônio do Chelsea.

É aí que a antiga “Bomb Squad” costumava entrar em cena. Só que agora a FIFA colocou uma placa de “cuidado com o que você está fazendo” na porta de Cobham.

Xabi Alonso terá que administrar mais do que o campo

A missão de Xabi Alonso no Chelsea, portanto, não será apenas montar um time competitivo.

O treinador também terá que lidar com um elenco gigantesco, encontrar espaço para seus principais jogadores e trabalhar junto à direção para reduzir o número de atletas sem criar conflitos desnecessários.

Nicolas Jackson, Liam Delap, Axel Disasi e Tosin Adarabioyo estão entre os nomes que podem deixar o clube, mas a maneira como esse processo será conduzido será tão importante quanto as próprias transferências.

O Chelsea ainda pode separar grupos de treinamento. Pode organizar o elenco de maneira diferente. Pode deixar claro quem está nos planos e quem precisa procurar outro clube.

O que não pode mais fazer é simplesmente transformar jogadores indesejados em peças esquecidas dentro de um depósito esportivo.

A antiga lista de dispensas talvez tenha mudado de nome, mas o problema que a criou continua existindo. Agora, o Chelsea precisa resolver essa questão sem entrar em rota de colisão com a FIFA e, principalmente, sem transformar a limpeza do elenco em uma nova dor de cabeça para Xabi Alonso.

Foto: IMAGO