O Chelsea é mais um daqueles times europeus que chegaram com moral na Copa do Mundo de Clubes e, logo de cara, mostraram que as coisas não são tão simples assim. Nesta última segunda-feira (16), os londrinos enfrentaram o Los Angeles FC, que havia eliminado o América-MEX para chegar nesse Grupo D. Apesar da vitória por 2 a 0, os ingleses sofreram mais do que o esperado e levaram boas dores de cabeça para casa.
Na real, nenhum time europeu pisa nesse torneio sem carregar um caminhão de expectativas nas costas, simplesmente por serem os favoritos naturais. Mas o Super Mundial vem quebrando essa narrativa. As distâncias entre os europeus e os times de fora do Velho Continente estão bem menores do que muita gente pensa, e o empate entre Boca Juniors e Benfica, depois dos argentinos abrirem 2 a 0, é só mais uma prova disso.
Focando no Chelsea: o time até garantiu aquela vitória que faz a aposta parecer segura, mas o futebol apresentado foi bem abaixo do hype. Mesmo com nomes como Cole Palmer, Pedro Neto e Moisés Caicedo em campo, o Chelsea teve dificuldade para criar perigo, para manter a posse com tranquilidade e, principalmente, para demonstrar aquela superioridade que se espera num jogo como esse.
E aqui vale levantar a bola: será que os Blues estavam 100% ligados? O time de Enzo Maresca chegou carregando o peso de uma temporada cansativa em 2024/25. Lutaram até o fim por uma vaga na próxima Champions League via Premier League e ainda levantaram o caneco da Conference League. Cansaço acumulado pode, sim, ter batido.
Chelsea na estreia: venceu, mas não convenceu

O Chelsea marcou seus dois gols com Pedro Neto, que fez uma jogada individual linda no primeiro tempo, e Enzo Fernández, que fechou o caixão na segunda etapa após uma boa jogada coletiva. Mas antes do argentino ampliar, os Blues passaram por maus bocados. Um desses sustos veio quando o goleiro Robert Sánchez salvou o time ao defender, com os pés, uma finalização perigosa de Bouanga, que poderia ter empatado o jogo.
Muito se fala da diferença de clima entre América do Norte e Europa, e talvez isso ajude a explicar o sumiço de Cole Palmer. O inglês, considerado o cérebro e o principal finalizador do Chelsea, não conseguiu se impor diante de uma equipe da MLS. Seus dribles não encaixaram e, quando teve a chance, nem acertar o gol ele conseguiu.
Madueke também teve uma atuação para esquecer. O ponta parecia travado, matou vários contra-ataques e não conseguiu dar sequência às jogadas. E ele não foi o único problema. A atuação fraca do Chelsea na Copa do Mundo de Clubes também passou por outro detalhe: a demora de Enzo Maresca para reagir ao que estava acontecendo.
Mesmo com a vantagem no placar, o Chelsea tinha um meio-campo praticamente nulo, talvez pela questão física e o calor. Caicedo segurava as pontas, mas Lavia e Palmer já não conseguiam entregar mais nada. E aí foi só quando Maresca acionou o banco que o time voltou a respirar.
A entrada de Nkunku no lugar de Palmer e a estreia de Enzo Fernández mudaram o jogo. Sangue novo, frescor e um jogador acostumado a atuar no continente americano. O camisa 8 tinha sido poupado para descansar, já que a partida mais aguardada desse grupo é justamente contra o Flamengo, confronto que provavelmente vai decidir quem fica com a liderança.
Só que, depois do que o Los Angeles FC apresentou, ninguém pode tirar eles da conversa. O Chelsea venceu, mas se quiser evitar sufoco, vai precisar acelerar o ritmo urgentemente. E para esse reafirmar, o Flamengo já será o próximo adversário.
Foto: Reuters