A recente movimentação nos bastidores do UFC voltou a colocar Khamzat Chimaev no centro das atenções — mais uma vez, muito mais pelo que ele diz e provoca do que pelo que efetivamente entrega dentro do octógono. E é justamente aí que mora o problema. Em um momento em que o esporte vive de atividade, consistência e narrativa esportiva, Chimaev simboliza o oposto disso tudo. Campeão ou não, ele hoje representa um dos piores exemplos do que significa carregar um cinturão no UFC.
Chimaev chegou ao topo cercado de aura, hype e destruição rápida. Seu talento nunca esteve em discussão. O problema começa quando o cinturão passa a existir mais nas redes sociais do que em defesas reais. Lutar uma vez por ano, e às vezes nem isso, é incompatível com o status de campeão da maior organização de MMA do mundo. O título do UFC não é um troféu simbólico, é uma responsabilidade. E Chimaev, até agora, falhou em honrá-la.
Chimaev precisa se calar e defender seu cinturão
Antes de pensar em “superlutas”, duelos históricos ou provocações a campeões de outras categorias, Chimaev precisa fazer o básico: defender o próprio cinturão. O campeão não dita desafios para cima quando sequer consolidou seu reinado. O UFC sempre funcionou com uma lógica simples: quem limpa a divisão, sobe. Quem ainda não fez isso, permanece onde está. No caso de Chimaev, nem isso aconteceu.
É nesse contexto que surge, de forma quase deslocada, o nome de Alex “Poatan” Pereira. E aqui a crítica precisa ser direta: Poatan não tem absolutamente nada a ganhar dando atenção a Chimaev neste momento. Pelo contrário. O brasileiro está em uma trajetória muito mais ambiciosa, histórica e coerente do que cruzar caminhos com alguém que simplesmente não aparece.
Poatan já fez o que Chimaev ainda não conseguiu: defendeu cinturão, enfrentou a elite, assumiu riscos e construiu legado em tempo recorde. Campeão em duas categorias, ele hoje ocupa um patamar completamente diferente na hierarquia do UFC. Seu próximo passo lógico não é olhar para baixo ou para os lados, mas para cima, literalmente. A subida para os pesos pesados e a tentativa de conquistar um terceiro cinturão seriam um feito inédito na história da organização e algo que conversa diretamente com o tamanho de sua carreira.
Comparar os dois neste momento é até injusto, mas não para Chimaev no sentido técnico, e sim no profissional. Enquanto Poatan se mantém ativo, relevante e disposto a enfrentar qualquer desafio que faça sentido esportivo, Chimaev permanece envolto em incertezas, problemas de agenda, lesões, questões políticas e um calendário inexistente. Um campeão que luta uma vez ao ano não sustenta uma divisão; ele a paralisa.
Chimaev é o pior campeão do UFC
Historicamente, o UFC sempre puniu campeões ausentes, mesmo os mais talentosos. Já aconteceu com nomes maiores do que Chimaev e continuará acontecendo. A paciência da organização e dos fãs não é infinita, especialmente em uma era em que a profundidade técnica das categorias exige atividade constante. Um cinturão parado não valoriza ninguém, nem o campeão, nem os desafiantes.
Há também um aspecto simbólico importante. O título do “pior campeão” não está ligado apenas à qualidade das lutas, mas ao impacto negativo que um reinado causa na divisão. Quando o campeão não luta, os contenders envelhecem, perdem embalo ou são forçados a se enfrentar em eliminações eternas. O esporte perde fluidez. E é exatamente isso que acontece hoje.
Chimaev precisa entender que o próximo passo não é sonhar com lutas acima de sua realidade atual, mas reconstruir credibilidade como campeão. Defender o cinturão uma, duas, três vezes. Criar uma narrativa sólida. Mostrar que é confiável do ponto de vista físico e profissional. Só depois disso qualquer conversa sobre superlutas faria sentido.
Já Poatan não precisa esperar ninguém. Seu legado está sendo construído em tempo real, com desafios cada vez maiores. Subir para os pesados, enfrentar gigantes, buscar um terceiro cinturão, isso sim é grandeza esportiva. Dar palco a um campeão ausente seria, hoje, um desperdício de tempo e energia.
No fim das contas, o recado é simples: no UFC, cinturão não é megafone. É prova de trabalho. E até agora, Chimaev falou muito mais do que fez.
(Foto: Getty Images)