As comparações feitas por Cristian Chivu entre jogadores da Internazionale soam, muitas vezes, pouco pertinentes — sobretudo, na minha visão, quando envolvem treinadores. Cada técnico lida com grupos distintos, circunstâncias próprias e adversários diferentes daqueles enfrentados por seus antecessores e sucessores, o que torna qualquer comparação inevitavelmente injusta. No último domingo, o time Nerazzurri encarou o Milan no Derby della Madonnina e saiu derrotado por 1 a 0, no Giuseppe Meazza, perdendo também a liderança da Serie A para a Roma. Agora, o alerta está ligado para o duelo contra o Atlético de Madrid pela UEFA Champions League.
Ainda assim, se nos atemos aos fatos, seria impreciso não recordar as críticas contundentes que recaíram sobre Simone Inzaghi nos seus primeiros anos na Inter, sobretudo pela forma como administrava as substituições — escolhas que, segundo muitos torcedores e analistas, custaram pontos valiosos e até mesmo o Scudetto. Mas e quanto às decisões tomadas por Cristian Chivu na partida de ontem? Vindo de sua quarta derrota em apenas doze jogos (no ano passado foram cinco durante todo o campeonato), suas alterações deixaram boa parte da torcida desnorteada.
Uma das substituições do técnico romeno mais discutidas no clássico contra o Milan foi a saída do atacante Lautaro Martínez na segunda etapa. Sem apresentar qualquer problema físico, resta saber se a mudança teve motivação tática ou se Chivu simplesmente não estava satisfeito com o rendimento do capitão. Seja qual for o motivo, a decisão levanta dúvidas — principalmente porque o argentino, como de costume, exercia um papel de liderança fundamental, algo que jamais deveria ser ignorado.
Não surpreende que, após a saída de Lautaro, a Inter tenha perdido parte de seu ímpeto ofensivo e, ironicamente, tenha sido Bonny — seu substituto — quem mandou a bola para a Curva Nord no lance que quase resultou no empate. A entrada de Pio Esposito também pareceu tardia, especialmente em um cenário no qual o Milan se mostrava cada vez mais sólido na defesa e a Inter incapaz de ocupar a área com efetividade. Outras duas mudanças de Chivu ocorreram apenas nos minutos finais; uma delas nem sequer chegou a ser utilizada, como nos casos de Davide Frattesi e Luis Henrique, que permaneceram no banco.
A sensação era de que a Internazionale precisava de reforços no campo, mas o lateral-esquerdo Carlos Augusto não conseguiu oferecer amplitude nem profundidade para Cristian Chivu — características que, de fato, não fazem parte de seu repertório natural. São decisões legítimas do treinador, é claro, porém, ao comandar um clube de grande porte, consequência inevitável é o escrutínio público, especialmente em 2025, após um revés em clássico e uma média de uma derrota a cada três partidas.
No fim, Cristian Chivu, profissional sério e de inteligência indiscutível, certamente também evoluirá nesse aspecto. Ainda assim, é inegável que partidas decididas nos detalhes muitas vezes são vencidas pela mão do treinador, e ontem Massimiliano Allegri demonstrou que experiência, no futebol, jamais deve ser subestimada. Com o romeno no comando, a Internazionale já havia perdido outro clássico na Serie A — o Derby d’Italia contra a Juventus — antes da derrota para o Milan no Giuseppe Meazza, logo após a Data Fifa de novembro.

Chivu tenta reconstruir a confiança da Internazionale antes de duelo decisivo contra o Atlético de Madrid
Após ser derrotado em seu primeiro grande teste à frente da Internazionale, Cristian Chivu chega pressionado para o confronto desta quarta-feira (26), diante do Atlético de Madrid, pela UEFA Champions League. A derrota no dérbi — marcada por críticas às substituições tardias e escolhas táticas conservadoras — escancarou fragilidades de uma equipe ainda em adaptação ao novo comando.
O encontro com o Atlético surge como uma chance imediata de resposta. Chivu sabe que, para recuperar confiança e credibilidade, precisa entregar mais do que boas ideias: requer consistência competitiva, leitura de jogo mais precisa e, principalmente, capacidade de corrigir em 90 minutos os mesmos pontos que comprometeram sua estreia em um clássico.
Nos bastidores, o técnico tenta blindar o elenco e conter a ansiedade. A avaliação interna é de que o desempenho no dérbi não foi totalmente negativo — a Inter criou chances claras e manteve organização por longos trechos —, mas a falta de eficiência e a dificuldade em mudar o ritmo nos momentos decisivos seguem preocupando. Há autocrítica: Chivu admitiu que o time oscila “na agressividade e na gestão dos detalhes”, algo que diante de um adversário pragmático como o Atlético pode ser fatal.
A equipe de Diego Simeone, especialista em punir erros mínimos, exigirá da Inter compactação, disciplina e firmeza mental. A expectativa é de que Chivu ajuste o meio-campo, setor que perdeu intensidade no dérbi, e que esteja disposto a alterações mais ousadas caso o jogo peça respostas rápidas — algo que faltou no clássico. Essa flexibilidade será um dos pontos mais observados.
Além do peso esportivo, o confronto também possui valor simbólico. Uma boa atuação na Champions contra o Atlético de Madrid pode recolocar Chivu no rumo desejado, aliviar a pressão da derrota para o Milan e reforçar seu comando diante de um elenco acostumado a treinadores de impacto imediato. Um novo tropeço, porém, pode intensificar as dúvidas sobre sua capacidade de liderar a Inter em jogos de alto nível competitivo.
Na arena europeia, e diante de um rival que exige perfeição, o técnico Cristian Chivu encara seu segundo grande teste no comando da Internazionale — e, desta vez, não há espaço para repetir os erros do primeiro.

Após derrotas para Juventus e Milan, Chivu tenta provar que a Internazionale pode competir de igual para igual na Champions League
O técnico Cristian Chivu chega à fase de liga da UEFA Champions League sob forte pressão, mesmo que mantenha 100% de aproveitamento nos quatro jogos anteriores. As derrotas consecutivas para Juventus e Milan, ambas pela Serie A, ampliaram as dúvidas sobre sua capacidade de conduzir a Internazionale nos momentos de maior exigência competitiva. Agora, diante de um grupo formado por Atlético de Madrid, Liverpool, Arsenal e Borussia Dortmund, o desafio é direto e implacável: mostrar que sua equipe pode enfrentar gigantes europeus de igual para igual.
Os tropeços recentes deixaram marcas. Contra a Juventus, a Internazionale demonstrou dificuldades na organização do meio-campo e perdeu duelos individuais importantes. Diante do Milan, críticas recaíram sobre substituições tardias e pouca criatividade tática diante da pressão adversária. A soma desses fatores alimenta a pergunta central: Chivu está preparado para o nível de adaptação, leitura e intensidade que a Champions League exige?
Ainda assim, dentro do clube há convicção de que o potencial existe — mas precisa se traduzir em consistência. A equipe tem solidez defensiva e jogadores capazes de decidir, mas carece de regularidade e, principalmente, de uma identidade clara do treinador em partidas grandes. E é exatamente isso que será colocado à prova contra adversários de estilos muito distintos, porém igualmente desafiadores.
O Atlético de Diego Simeone representa o teste da disciplina e da resiliência mental. O Liverpool exige intensidade ininterrupta e transições rápidas. O Arsenal de Mikel Arteta cobra complexidade tática e circulação constante. O Borussia Dortmund impõe velocidade e verticalidade. Cada um desses desafios exige um plano diferente — e uma Inter flexível, algo que Chivu ainda busca consolidar.
No CT de Appiano Gentile, o discurso é de reconstrução imediata. Chivu sabe que não basta competir: é preciso responder. Uma atuação convincente — mesmo contra um gigante — pode mudar a percepção externa e fortalecer sua posição interna. O contrário, porém, alimentará a narrativa de que a Inter perdeu impacto sob sua direção nos momentos decisivos.
A Champions surge como vitrine e veredito, especialmente após a Inter ter ficado com o vice-campeonato da última temporada ao ser goleada pelo PSG na final. É nela que Chivu terá a chance de provar que os tropeços domésticos foram circunstanciais — e não sinais de que a Inter caiu um degrau em relação às maiores forças do continente.
(Foto: Getty Images)



