Chris Weidman já conquistou praticamente tudo o que a maioria dos lutadores sonha alcançar. Foi campeão do UFC, derrotou algumas das maiores lendas da história do MMA, construiu uma carreira respeitada e agora terá seu nome eternizado no Hall da Fama da organização. Ainda assim, existe uma sensação que continua acompanhando o ex-campeão dos médios: a de que ele poderia ter ido ainda mais longe.
Em uma reflexão sincera sobre sua trajetória, Weidman admitiu que acredita ter tido potencial para se tornar o maior lutador de todos os tempos. O problema, segundo ele, foi um adversário que nenhum golpe consegue nocautear: as lesões.
A declaração surgiu pouco depois do anúncio de sua entrada no Hall da Fama do UFC, homenagem que será oficializada em julho. Embora tenha recebido a notícia com enorme alegria, o norte-americano deixou claro que ainda carrega aquela famosa pergunta que atormenta muitos atletas depois da aposentadoria: “e se?”.
Uma surpresa que pegou até a família desprevenida
Ao contrário do que muitos imaginam, Weidman não recebeu nenhuma pista sobre sua entrada no Hall da Fama. Nem familiares. Nem treinadores. Nem empresários. Ninguém sabia.
O ex-campeão contou que estava participando normalmente de um evento do UFC quando tudo aconteceu. A organização pediu que ele e Dustin Poirier ficassem próximos ao octógono para uma aparição rápida durante a transmissão.
Até aí, nada fora do comum. Mas o pedido pareceu estranho.
Segundo Weidman, ele e Poirier chegaram a comentar que a mesma ação poderia ter sido feita diretamente da mesa de transmissão. Foi então que veio a surpresa.
Enquanto conversava com algumas pessoas, ouviu seu nome ecoar pela arena. Logo depois, ouviu Jon Anik mencionar o Hall da Fama. Naquele momento, a ficha caiu. O anúncio havia chegado. E não poderia ter acontecido em um lugar mais simbólico.
O local perfeito para uma homenagem histórica
A cerimônia de anúncio aconteceu em Nova Jersey, estado que possui um significado especial para a trajetória do ex-campeão.
Antes de chegar ao UFC, Weidman construiu toda sua carreira profissional no estado vizinho a Nova York. Como o MMA enfrentou diversas restrições legais em Nova York durante muitos anos, praticamente todas as suas primeiras lutas aconteceram em território de Nova Jersey.
Por isso, receber a homenagem diante de fãs que acompanharam sua caminhada desde o início tornou tudo ainda mais especial. E talvez também tenha servido como um lembrete de quão longe ele chegou.
Porque, por mais que hoje seja fácil lembrar de Weidman como membro do Hall da Fama, houve uma época em que ele era apenas mais um jovem lutador tentando encontrar espaço em um esporte dominado por estrelas consagradas.
Chris Weidman simplesmente chocou o mundo
Para entender o tamanho do legado de Chris Weidman, é impossível não voltar a julho de 2013. Naquele momento, Anderson Silva parecia praticamente invencível.
O brasileiro era considerado por muitos o maior lutador da história do MMA, acumulava defesas de cinturão em sequência e reinava absoluto na categoria dos médios.
Então apareceu Weidman. Muita gente acreditava que ele seria apenas mais uma vítima do “Spider”. Não foi.
O norte-americano chocou o mundo ao nocautear Anderson Silva no UFC 162 e conquistar o cinturão dos médios.
A cena do brasileiro sendo surpreendido após exagerar nas provocações continua sendo uma das imagens mais marcantes da história do esporte.
Como se isso não bastasse, Weidman ainda venceu a revanche meses depois. Poucos atletas podem dizer que derrotaram Anderson Silva. Menos ainda podem afirmar que fizeram isso duas vezes.
Weidman nunca se contentou
Mesmo com conquistas que garantiriam tranquilidade para a maioria dos atletas, Weidman admite que nunca foi do tipo que olha para trás e celebra excessivamente seus feitos.
Pelo contrário. Ele afirma ser extremamente crítico consigo mesmo. Durante a entrevista, explicou que sempre esteve focado na próxima meta e raramente parava para analisar o que já havia alcançado.
Talvez seja justamente esse perfil competitivo que tenha ajudado a levá-lo ao topo. Mas também ajuda a explicar por que ele ainda sente que faltou algo.
Segundo o ex-campeão, a mesma sensação já existia durante sua carreira no wrestling.
Ele conquistava objetivos importantes, mas imediatamente passava a pensar no próximo desafio. A satisfação nunca era completa.
Weidman e seu sonho de ser o GOAT
Quando perguntado sobre o que considera ter deixado escapar durante sua carreira, Weidman foi direto. Ele acreditava que tinha potencial para se tornar o maior lutador da história do MMA. Não apenas um campeão. Não apenas um Hall da Fama. O maior de todos.
O ex-campeão afirmou que queria enfrentar e derrotar todos os grandes nomes de sua geração, construindo um currículo capaz de colocá-lo acima de qualquer discussão. E, honestamente, durante um período da carreira, isso não parecia um objetivo impossível, mesmo que já existissem nomes fortíssimos na briga, só que fácil não era.
Afinal, ele era campeão do UFC, havia derrotado Anderson Silva duas vezes e parecia estar apenas começando seu reinado.
As lesões mudaram tudo
Na visão de Weidman, o principal motivo para não ter alcançado esse patamar foi seu próprio corpo. As lesões começaram a aparecer com frequência e afetaram diretamente sua preparação. Para um atleta cuja confiança sempre esteve ligada à intensidade dos treinamentos, isso representou um problema enorme.
Segundo ele, quando não conseguia treinar no mesmo nível de antes, também não conseguia manter a mesma confiança. E no MMA, confiança é quase tão importante quanto técnica.
A sequência de problemas físicos acabou interrompendo o ritmo de uma carreira que parecia destinada a voos ainda maiores. Mesmo assim, Weidman faz questão de destacar que não guarda arrependimentos. Ele acredita que poderia ter conquistado mais, mas também reconhece tudo o que alcançou dentro do esporte.
Um legado que ninguém pode apagar
Poucos lutadores conseguem encerrar a carreira sem questionamentos sobre o que poderiam ter feito diferente.
Chris Weidman não é uma exceção. Mas existe uma diferença importante. Mesmo com todas as dúvidas, lesões e oportunidades perdidas, seu nome estará para sempre gravado na história do UFC. Campeão mundial. Algoz de Anderson Silva. Membro do Hall da Fama. E, para ele, talvez fique apenas aquela curiosidade impossível de responder.
Até onde Chris Weidman teria chegado se o corpo tivesse acompanhado o talento durante toda a sua carreira?
Foto: Esther Lin, MMA Fighting