México e suas chuteiras rosas
Futebol Copa do Mundo

Chuteiras rosas dominam a Copa do Mundo: entenda por que a cor virou tendência entre as estrelas

Chuteiras rosas estão por toda parte nesta Copa do Mundo. Basta ligar a televisão por alguns minutos para perceber que vários dos principais craques do torneio deixaram de lado os tradicionais modelos pretos, brancos ou coloridos em tons discretos para apostar em um visual muito mais chamativo. Vinicius Júnior, Kylian Mbappé, Harry Kane, Gio Reyna e diversas outras estrelas entraram em campo usando praticamente o mesmo tom de rosa, criando uma das imagens mais marcantes do Mundial disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.

À primeira vista, muita gente pode pensar que tudo não passa de moda ou estratégia de marketing. A verdade é que esses fatores realmente existem, mas as fabricantes garantem que há muito mais por trás da escolha. Visibilidade, confiança do atleta e até aspectos ligados à psicologia esportiva ajudam a explicar por que as chuteiras rosas se tornaram uma verdadeira febre justamente no maior torneio do futebol mundial.

O rosa virou protagonista nos gramados

Quem acompanha futebol há alguns anos certamente percebeu como o design das chuteiras mudou. Durante muito tempo, modelos pretos dominaram o mercado e eram praticamente unanimidade entre jogadores profissionais. Aos poucos, as marcas passaram a apostar em cores vibrantes, misturando amarelo, verde-limão, azul fluorescente e laranja.

Agora, a Copa do Mundo apresenta uma nova tendência: o rosa.

O tom escolhido pelas principais fabricantes chama atenção imediatamente quando aparece sobre o gramado verde. Não importa se o jogador atua como atacante, meia ou defensor. A cor salta aos olhos tanto para quem está no estádio quanto para quem acompanha as partidas pela televisão.

Curiosamente, essa tendência não ficou restrita a uma única empresa. Nike, Adidas, Puma, Skechers e New Balance chegaram ao Mundial com modelos muito parecidos visualmente, embora cada uma tenha desenvolvido sua própria identidade para a coleção.

As maiores estrelas embarcaram na tendência

A lista de jogadores que aderiram às chuteiras rosas impressiona.

Pela Nike, nomes como Kylian Mbappé, Vinicius Júnior, Cristiano Ronaldo e Erling Haaland ajudam a transformar o modelo em um dos mais vistos da competição. São atletas acostumados aos grandes holofotes e que naturalmente influenciam milhões de torcedores ao redor do planeta.

A Adidas também apostou forte na tendência. Jude Bellingham, Declan Rice, Gio Reyna, Jonathan David, Lamine Yamal e Ousmane Dembélé aparecem constantemente usando modelos em tons semelhantes durante os jogos da Copa do Mundo.

Outras marcas seguiram pelo mesmo caminho. Harry Kane e Anthony Elanga utilizam chuteiras da Skechers, enquanto Timothy Weah representa a New Balance. Já Neymar, que voltou a vestir a camisa do Brasil nesta edição do Mundial, optou por um modelo da Puma com tonalidade mais próxima do laranja, mas ainda bastante chamativa.

O resultado é curioso: em muitos momentos das transmissões, fica até difícil identificar qual marca cada jogador está utilizando apenas pela cor da chuteira.

Não é só estética: a visibilidade também conta

Existe uma explicação bastante prática para a escolha das cores.

Segundo especialistas envolvidos no desenvolvimento dos produtos, o rosa cria um contraste muito forte com o gramado. Como está praticamente na extremidade oposta ao verde no círculo cromático, ele se destaca naturalmente durante as partidas.

Na televisão, isso faz diferença.

O pé do jogador fica mais fácil de acompanhar em dribles, passes e finalizações. Para o próprio atleta, há quem defenda que essa sensação de destaque contribui para aumentar a percepção de velocidade e presença dentro de campo.

É claro que ninguém vai marcar um golaço apenas porque a chuteira é rosa. Ainda assim, detalhes visuais podem influenciar a forma como o jogador percebe seu próprio desempenho.

A confiança também faz parte do projeto

As empresas responsáveis pelos principais modelos insistem que a escolha da cor não acontece por acaso.

Odinga Nimako, diretor global de calçados da Nike, explica que muitos atletas associam o rosa à confiança e à ideia de se destacar dos demais jogadores. Segundo ele, essa percepção faz parte do desenvolvimento completo do produto.

A proposta não envolve apenas materiais mais leves ou tecnologias de amortecimento.

Quando o atleta olha para a chuteira e sente que ela transmite velocidade, agressividade e personalidade, esse conjunto pode gerar uma sensação positiva antes mesmo de a bola rolar. É uma questão de mentalidade, algo bastante valorizado por jogadores que convivem diariamente com enorme pressão por resultados.

A Nike acredita que desempenho não depende apenas das características físicas do equipamento, mas também da maneira como o atleta se sente ao utilizá-lo.

O pôr do sol de Los Angeles inspirou uma coleção

Nem todas as marcas seguiram exatamente a mesma ideia para criar seus modelos.

A Skechers, por exemplo, buscou inspiração nas paisagens do sul da Califórnia. Segundo Alex Bardini, diretor técnico de performance da empresa, as chuteiras foram desenvolvidas a partir das cores vistas durante o pôr do sol em Los Angeles.

Por isso, os modelos apresentam uma mistura de tons rosados, detalhes em roxo, áreas brancas e pequenos toques alaranjados, criando um visual bastante diferente das versões tradicionais.

Mesmo com conceitos distintos, o resultado final acabou aproximando visualmente as coleções das diferentes fabricantes.

Coincidência ou efeito dominó?

Uma das curiosidades desta Copa do Mundo é que praticamente todas as grandes marcas lançaram modelos em tonalidades muito parecidas.

Especialistas em design esportivo acreditam que isso aconteceu mais por coincidência do que por qualquer tipo de combinação entre as empresas.

Na prática, faz até pouco sentido imaginar um acordo entre concorrentes diretos.

Nike, Adidas, Puma, Skechers e New Balance disputam diariamente contratos milionários com jogadores e seleções. Cada uma tenta destacar sua identidade visual para conquistar espaço no mercado. Se todas utilizam cores semelhantes, a identificação da marca acaba ficando mais difícil durante as transmissões.

Por isso, a tendência parece ser resultado de caminhos criativos parecidos, e não de uma estratégia coletiva.

Marketing também entra em campo

Seria impossível falar sobre chuteiras na Copa do Mundo sem mencionar marketing.

O Mundial é o evento esportivo mais assistido do planeta, reunindo bilhões de espectadores ao longo de um único mês. Qualquer detalhe exibido dentro de campo ganha repercussão imediata nas redes sociais, nos programas esportivos e até nas vitrines das lojas.

Quando Mbappé, Vinicius Júnior ou Harry Kane aparecem usando determinado modelo, milhares de torcedores passam a procurar exatamente aquela chuteira no dia seguinte. É um efeito conhecido há décadas pela indústria esportiva, mas que ganhou ainda mais força com a popularização das redes sociais.

Nesse cenário, utilizar uma cor vibrante ajuda o produto a aparecer mais vezes nas fotografias, nos vídeos e nos melhores momentos das partidas.

Afinal, elas melhoram o desempenho?

Essa talvez seja a pergunta mais comum entre os torcedores.

Até o momento, não existe qualquer evidência científica de que uma chuteira rosa faça um jogador correr mais rápido, chutar mais forte ou driblar melhor do que outra de qualquer cor.

O que muda é a percepção.

As fabricantes defendem que o conjunto formado pelo peso reduzido, pelo ajuste ao pé, pela tecnologia utilizada e pelo impacto visual cria uma experiência mais completa para o atleta. Em outras palavras, a confiança gerada pelo equipamento pode contribuir para que o jogador entre em campo se sentindo mais confortável e preparado.

No fim das contas, porém, continua valendo a velha máxima do futebol: a chuteira pode até chamar atenção, mas quem realmente faz a diferença é quem está dentro dela. Ainda assim, nesta Copa do Mundo, ficou difícil ignorar que o rosa definitivamente conquistou seu espaço entre os maiores craques do planeta.

Foto: Getty Images