A forte batida de Oliver Bearman no GP do Japão do último domingo foi mais do que um incidente comum. Na curva Spoon, o britânico perdeu o controle após não conseguir desviar da Alpine de Franco Colapinto, que havia perdido velocidade em um trecho de alta. Embora a dinâmica do novo regulamento seja apontada como culpada por parte do paddock, o argentino também passou a ser criticado por ter supostamente bloqueado o rival, o que levou sua equipe de gerenciamento a se pronunciar.
No incidente, a diferença de velocidade entre os dois carros era superior a 50 km/h. Ao perceber a aproximação de Bearman, Colapinto tentou defender a linha à esquerda. Porém, o piloto da Haas precisou reagir rapidamente e acabou saindo da pista para evitar um choque com o carro à frente.
Repercussão: Colapinto rotulado como culpado

Após a corrida, Bearman afirmou que Colapinto poderia ter lhe dado mais espaço na aproximação da curva. O britânico também mencionou que as grandes diferenças de velocidade entre carros em diferentes estratégias de energia fazem parte das novas regras e que será necessário se acostumar.
Não foi apenas o envolvido no lance que considerou equivocada a reação do argentino ao defender a posição em um cenário no qual seria praticamente impossível evitar a ultrapassagem. Jacques Villeneuve, campeão de Fórmula 1 em 1997, também culpou Colapinto pelo acidente.
Diante das reações, o piloto de 22 anos passou a receber ataques de ódio nas redes sociais, e uma verdadeira guerra entre fãs se instaurou, já que os argentinos contra-atacaram e responderam com mais ofensas. Com isso, a Bullet Sports Management, empresa que gerencia a carreira de Colapinto, veio a público para pedir que a onda de comentários cessasse.
“Franco está em ótimas mãos e tem todo o apoio necessário. Ele é mais forte do que vocês pensam, e comentários negativos ou xingamentos não o afetarão. Não desperdicem sua energia com haters. Usem-na para apoiar Franco. Ele está rodeado pelas pessoas certas, que estão garantindo que se sinta seguro e feliz, então podem ficar tranquilos”, declarou a agência.
Quem com ferro fere…

Não é a primeira vez que Colapinto e os fãs argentinos se envolvem em ataques virtuais. A diferença é que, desta vez, ele tem sido o alvo. No passado, alguns adversários do nº 43 receberam mensagens de ódio e até ataques racistas após desentendimentos com o piloto.
Em 2025, as vítimas foram Jack Doohan e Yuki Tsunoda. O australiano foi ameaçado de morte nas redes sociais após o surgimento de rumores de que o argentino ocuparia sua vaga na Alpine — o que acabaria se confirmando mais tarde —, enquanto o japonês recebeu mensagens racistas após fazer gestos de irritação ao volante por ter sido atrapalhado por Colapinto no TL3 do GP de Ímola.
Outra situação que enfureceu a torcida do piloto de Buenos Aires foi uma imagem veiculada por um perfil falso, que se passava por um portal de notícias. Na ocasião, uma captura de tela adulterada atribuía a Mick Doohan, pai de Jack, comentários que ironizavam uma batida sofrida pelo argentino.
Colapinto se pronunciou à época e pediu respeito à própria torcida. “Eu sei que eles [fãs argentinos] são muito apaixonados. Eles precisam ser respeitosos, é tudo o que queremos. Há muito ódio nas redes sociais atualmente, e isso não é algo do qual fazemos parte. É claro que sempre tentamos e queremos, para todos os pilotos, um pouco de respeito, mantendo o ambiente respeitoso e calmo por lá [nas redes sociais].”
Ainda assim, os relatos de abuso racial e toxicidade por parte dos fãs argentinos nas redes sociais não cessaram. Isso vai além do caso de Colapinto e abrange também outros esportes, como o futebol, onde são frequentes os casos de racismo por parte de torcedores do país.
(Foto principal: Nicolas Economou/NurPhoto via Getty Images)
