Xabi Alonso - Chelsea
Futebol Premier League

Como o Chelsea pode jogar sob o comando de Xabi Alonso

O Chelsea definiu Xabi Alonso como o novo treinador do clube. O espanhol assinou contrato até 2030 e iniciará oficialmente o trabalho em julho, após o período de férias e a pausa para a Copa do Mundo. Até lá, resta apenas uma rodada para o encerramento da atual edição da Premier League.

Dessa forma, o Chelsea aposta no treinador espanhol para liderar mais uma reconstrução em Stamford Bridge. Após um trabalho marcante no Bayer Leverkusen, e também uma passagem pelo Real Madrid, Alonso chega ao clube londrino trazendo ideias de jogo bastante modernas e uma visão tática que costuma se adaptar às características do elenco.

Embora exista uma tendência de associar o treinador a uma linha de cinco defensores, a realidade é que Xabi Alonso não é exatamente um técnico preso a um único sistema. Ao longo dos últimos anos, o espanhol demonstrou preferência por equipes capazes de alternar estruturas durante os jogos, mudando o desenho tático sem necessariamente alterar peças.

No Bayer Leverkusen, por exemplo, o 3-4-3 ganhou destaque devido às características do elenco. Com alas muito ofensivos e jogadores rápidos pelos lados do campo, a estrutura ajudava o time a pressionar alto e acelerar transições. Já no Real Madrid, Alonso utilizou muitos momentos com linha de quatro defensores. Desta forma, o treinador aproveitava atletas mais confortáveis atuando abertos no ataque.

O ponto central aqui é que suas equipes costumam ter princípios bastante claros. Em geral, Xabi Alonso gosta de dominar a posse de bola e pressionar rapidamente após perde-lá.. Além disso, suas equipes trabalham muito com aproximação entre os jogadores, criando setores mais “apertados” no meio-campo para facilitar trocas curtas de passe e aumentar a intensidade da pressão.

É justamente neste cenário que alguns nomes do atual elenco do Chelsea podem crescer bastante com o treinador espanhol.

Como o Chelsea pode funcionar taticamente com Xabi Alonso

Independentemente da formação inicial, a tendência é de que o Chelsea se torne um time mais flexível taticamente. Xabi Alonso costuma transformar o posicionamento da equipe ao longo da partida, especialmente quando o time está com a bola.

Em muitos momentos, suas equipes atacam com cinco jogadores ocupando a última linha defensiva adversária. Isso pode acontecer tanto em uma estrutura com alas quanto em um sistema com pontas mais agressivos. No elenco atual dos Blues, isso abre espaço para diferentes soluções.

Marc Cucurella e Malo Gusto, por exemplo, aparecem como atletas que podem ganhar ainda mais importância. Ambos possuem capacidade física para atacar espaços e também conseguem atuar em zonas mais centrais do campo. Dessa forma, Alonso pode utilizá-los tanto como laterais tradicionais quanto ocupando funções híbridas durante a construção ofensiva.

Ao mesmo tempo, nomes como Pedro Neto e Alejandro Garnacho podem ser importantes justamente pela capacidade de atacar profundidade. Mesmo sendo pontas de origem, existe espaço para ambos atuarem em funções mais abertas e agressivas, algo semelhante ao que Alonso explorava com Jeremie Frimpong no Leverkusen.

Outro nome que chama atenção neste contexto é Geovany Quenda. O jovem chega ao Chelsea com características que combinam bastante com o estilo do treinador espanhol. Rápido e intenso, o atleta pode ser utilizado tanto como ponta quanto como ala.

Enquanto isso, Cole Palmer talvez seja um dos jogadores mais interessantes dentro deste novo cenário. Alonso costuma dar liberdade criativa para atletas capazes de decidir jogos tecnicamente, e isso pode favorecer bastante o inglês. No Leverkusen, Florian Wirtz tinha liberdade para circular pelo setor ofensivo e encontrar espaços entre linhas. Neste cenário, Palmer pode ocupar uma função parecida em Stamford Bridge.

Além disso, Xabi Alonso exige intensidade física, pressão constante e jogadores confortáveis atuando em espaços curtos. Desta forma, Moisés Caicedo surge como uma peça praticamente perfeita para o sistema.

Sendo um atleta capaz de pressionar e sustentar intensidade durante os 90 minutos, o equatoriano pode se tornar um dos pilares da equipe sob o comando do espanhol. Enquanto isso, Enzo Fernández, caso permaneça no clube, também pode crescer dentro da proposta de jogo do treinador.

Chelsea inicia mais uma reconstrução

Mesmo com a chegada de Xabi Alonso, o Chelsea sabe que ainda está distante de um cenário ideal. O clube deve passar por uma nova reformulação no elenco durante a janela de transferências, buscando adaptar o grupo ao perfil desejado pelo treinador.

Inclusive, um ponto importante é que Alonso chega com mais influência nas decisões internas do que outros treinadores recentes dos Blues. O espanhol terá participação mais direta na construção do elenco, algo que vinha sendo bastante debatido dentro do clube nos últimos anos.

Neste cenário, a tendência é de que o Chelsea procure atletas mais preparados para jogar em um sistema intenso, agressivo sem a bola e tecnicamente forte em espaços reduzidos.

Ou seja, além de contratar um treinador, o Chelsea parece ter escolhido também uma nova direção esportiva. Agora, resta saber quanto tempo o clube conseguirá sustentar o projeto para permitir que Xabi Alonso implemente suas ideias em Stamford Bridge.

Créditos da foto de capa: Getty Images.