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Entenda como ataques EUA-Israel x Irã impactam provas de Fórmula 1 e Mundial de Endurance

O ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel que resultou na morte do aiatolá iraniano Ali Khamenei, no último sábado (28/02), desencadeou uma retaliação do Irã contra uma base da Marinha norte-americana no Bahrein. O local, atingido por mísseis, fica a cerca de 30 km do Circuito de Sakhir, que recebeu duas semanas de testes de pré-temporada da Fórmula 1 entre 11 e 20 de fevereiro. 

Diante da escalada geopolítica, as etapas do calendário da categoria no Oriente Médio passam a ser vistas com cautela. A região, que tradicionalmente abre espaço para provas importantes da temporada, agora enfrenta um ambiente de tensão. 

O circuito está programado para receber o GP do Bahrein entre os dias 10 e 12 de abril. No entanto, surgem questionamentos sobre a segurança de pilotos, equipes e demais profissionais envolvidos no evento. A quarta etapa da Fórmula 1 estaria, afinal, sob risco de não acontecer? 

Teste de pneus cancelado em decorrência dos ataques

Teste da Pirelli Fórmula 1 cancelado no Bahrein
Foto: Reprodução / Fórmula 1

A Pirelli, fornecedora oficial de pneus da Fórmula 1, tinha um teste programado em Sakhir entre 28 de fevereiro (dia do ataque) e 1º de março. As atividades foram canceladas por razões de segurança após o desdobramento da situação. 

A empresa italiana garantiu que todos os funcionários envolvidos na operação estão em segurança em seus hotéis em Manama, capital do Bahrein. 

“Os dois dias de testes de desenvolvimento para os compostos de piso molhado foram cancelados por motivos de segurança, em função da evolução da situação internacional”, diz o comunicado da Pirelli. 

O teste se tratava de uma simulação em pista molhada e não envolveria diretamente os pilotos e equipes da Fórmula 1. Times como McLaren e Mercedes cederam “carros mula”, isto é, um chassi adaptado para testes, à fornecedora de pneus. 

GPs da Arábia Saudita e Bahrein estão sob risco?

Além do Bahrein, outros países vizinhos do Irã também foram afetados, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que sediam etapas do calendário da Fórmula 1 nas pistas de Jeddah e Yas Marina, respectivamente. 

A possibilidade de provas do calendário serem canceladas em decorrência dos conflitos não pode ser totalmente descartada, e as próximas semanas podem ser decisivas nesse sentido. Os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita devem ser realizados na segunda e na terceira semanas de abril, respectivamente. 

No caso barenita, não seria a primeira vez que conflitos políticos deixam uma prova da Fórmula 1 de fora. Em 2011, a corrida de Sakhir estava planejada para abrir a temporada no dia 13 de março e foi adiada a um mês da realização, em decorrência das revoltas e conflitos civis que o país atravessava. 

Foi estabelecida uma nova data — 30 de outubro, como 17ª etapa do campeonato — para sua realização, mas ao fim a corrida não aconteceu. A prova retornou ao calendário no ano seguinte, o que foi alvo de protestos populares e ameaças. 

Em tempos mais recentes, um míssil iemenita atingiu uma refinaria da empresa Saudi Aramco, que patrocina a Fórmula 1, durante os treinos do GP da Arábia Saudita. O ataque ocorreu na cidade de Jeddah, onde o circuito está localizado. Apesar do alarde, a prova seguiu adiante sem novos desdobramentos.

Mísseis atingem refinaria em Jeddah 2022
Foto: Reprodução / BBC

A segurança dos pilotos não é o único fator em jogo, pois muito dinheiro está envolvido na realização dessas provas. Cancelá-las representaria mais do que um prejuízo financeiro, seria também um desgaste na reputação internacional dos países em questão. 

FIA se pronuncia sobre conflitos; WEC no Catar também pode ser afetado

A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) divulgou, nesta segunda-feira (09), uma nota assinada pelo presidente da entidade, Mohammed Ben Sulayem. Embora não cite diretamente nenhum dos países envolvidos, o documento esclarece a visão do órgão sobre a situação no Oriente Médio. 

“A segurança e o bem-estar nortearão nossas decisões à medida que avaliamos os próximos eventos programados na região para o Campeonato Mundial de Endurance da FIA e o Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA”, afirma Sulayem. 

Outro país afetado foi o Catar, que também enfrenta incertezas quanto à realização da etapa de abertura do Campeonato Mundial de Endurance (WEC), programada para o final de março. 

A organização da competição de longa duração emitiu um comunicado sobre a situação e afirma estar em comunicação constante com as autoridades do país árabe. Além da disputa dos 1812 Quilômetros do Qatar, em 28 de março, a pista de Lusail receberá o prólogo de pré-temporada na semana anterior.

(Foto principal: Mark Sutton/Motorsport Images via Getty Images)