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Como o Liverpool se assemelha à outras quedas de rendimento pós-título da Premier League? Confira

A queda de desempenho do Liverpool nesta temporada foi tão brusca quanto inesperada, especialmente após uma janela de transferências movimentada no verão que, em teoria, deveria garantir ao clube ao menos uma defesa sólida do título conquistado ao quebrar a hegemonia do Manchester City. No entanto, os Reds ocupam apenas a parte intermediária da classificação depois de uma sequência desastrosa de seis derrotas em sete partidas da Premier League — a mais recente delas um vexame por 3 a 0 em Anfield diante do Nottingham Forest, logo após a Data Fifa de novembro, que empurrou o time para a 12ª colocação, com 18 pontos.

Já são duas derrotas a mais do que o Liverpool acumulou em toda a campanha vitoriosa do título de 2024/25 da Premier League, e a pressão sobre Arne Slot começa a crescer, apesar do capital de confiança ainda elevado. O holandês, contudo, está longe de ser o primeiro técnico a enfrentar uma queda abrupta de rendimento logo após conquistar a liga. A diferença é que, desta vez, a ressaca tem chamado muito mais atenção, sobretudo pelos altos investimentos realizados no mercado de transferências.

Nomes de peso com Florian Wirtz e Alexander Isak, por exemplo, ainda não alcançaram o esperado no Liverpool, e o capitão Virgil van Dijk já reconheceu publicamente que o elenco “está decepcionando Slot”. A história da Premier League mostra diversas tentativas frustradas de defender o título, muitas terminando em mudanças no comando. O Chelsea, como era recorrente, foi protagonista em três desses episódios. Carlo Ancelotti, campeão em 2009/10, até completou a temporada seguinte, mas acabou demitido em maio de 2011 após terminar com 71 pontos, nove a menos que o Manchester United.

É evidente que manter o alto nível após conquistar o título é uma tarefa complexa por inúmeros fatores. No caso do Liverpool, as expectativas criadas pelos gastos recorde tornaram o ambiente mais tenso do que o previsto. Resta saber se o técnico Arne Slot e seu elenco conseguirão reverter o cenário. Caso isso não aconteça, o técnico pode integrar a lista de treinadores que deixaram seus clubes pouco depois da celebração da taça, mesmo com o carinho da torcida ainda evidente.

Foto: Getty Images

Liverpool e a ressaca do título: como o colapso atual repete padrões pós-Premier League — e o que Slot tenta remontar

A temporada atual do Liverpool traz um roteiro já visto na Premier League: a queda acentuada que frequentemente sucede a conquista do título. O fenômeno, comum entre campeões recentes, coloca o time de Arne Slot ao lado de Chelsea, Leicester, Manchester City e outras equipes que viveram esse mesmo declínio. Assim como ocorreu com o Chelsea de Carlo Ancelotti (2010/11), Antonio Conte (2017/18) e José Mourinho (2015/16), os Reds sofrem com a perda de intensidade, instabilidade defensiva e queda emocional após atingir o ápice.

No Leicester de Claudio Ranieri, o impacto foi ainda mais drástico: da glória histórica em 2015/16 a uma luta inesperada na metade inferior da tabela. Até o Manchester City de Roberto Mancini enfrentou desafios após o título, incapaz de reproduzir o desempenho que o levou ao topo. Já no Liverpool de Slot, os paralelos são nítidos: depois da conquista, o time passou a oscilar, perdeu solidez nos dois setores e encontrou dificuldades para integrar peças caras ao novo modelo de jogo.

O peso das contratações de impacto no Liverpool elevou a cobrança — e alimentou comparações com equipes que não conseguiram repetir o sucesso logo após levantar o troféu. A diferença, porém, está no projeto de Slot: enquanto muitos técnicos sucumbiram à pressão pós-título — alguns demitidos antes mesmo de maio — o holandês tenta reverter o quadro apostando em renovação tática e reconstrução mental. Ele busca reorganizar o sistema de pressão, reativar lideranças como Van Dijk e harmonizar a convivência entre jovens talentos e reforços milionários. A meta é clara: restaurar a identidade competitiva que marcou o clube na última década, corrigindo fragilidades defensivas e devolvendo fluidez ao ataque.

Se o Liverpool repete a clássica “ressaca de campeão”, Slot tenta impedir que o enredo chegue ao colapso comum, transformando o tropeço em fase de transição — não em declínio estrutural. A temporada ainda exige respostas, mas o técnico trabalha para evitar que o clube se junte à lista de campeões que perderam completamente o rumo no ano seguinte.

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Slot aposta em resposta imediata: Liverpool tenta recuperar confiança diante de PSV e West Ham

Após semanas de instabilidade, críticas e crescente tensão interna, Arne Slot encara um ponto crucial da temporada. Os duelos contra o PSV, pela Champions League, e contra o West Ham, na Premier League, tornaram-se mais do que compromissos do calendário: são oportunidades diretas para reconstruir a confiança de um elenco que ainda não absorveu totalmente as ideias do novo treinador e que convive com o incômodo contraste entre a glória recente e a queda abrupta de rendimento.

Mesmo com contratações de peso — como Florian Wirtz e Alexander Isak, trazidos para elevar a qualidade técnica e diversificar o ataque — ambos ainda estão longe de corresponder. Wirtz segue em busca de encaixe, alternando lampejos com longas partidas apagadas; Isak, contratado como referência de mobilidade, enfrenta obstáculos físicos e táticos que resultaram em um início de temporada muito aquém do esperado. A falta de protagonismo de ambos simboliza, para grande parte da torcida, o dilema do novo Liverpool: um elenco renovado que ainda não funciona coletivamente.

Slot, porém, tenta transformar a frustração em motivação. Nos treinos mais recentes, o técnico intensificou o trabalho de pressão pós-perda e ajustes de compactação defensiva — aspectos que, segundo ele, compõem o “DNA competitivo” que o time ainda não recuperou. O plano é claro: reduzir distâncias entre setores, acelerar a circulação de bola e resgatar a agressividade característica do Liverpool em grandes jogos.

O confronto contra o PSV é tratado internamente como termômetro emocional. Uma atuação segura na Champions pode reforçar a narrativa de que “o projeto está no caminho certo”, dando a Slot espaço para redefinir hierarquias e cobrar mais dos reforços. Já na Premier League, o duelo com o West Ham exige uma resposta imediata: novo tropeço ampliaria a turbulência e aumentaria a pressão sobre um elenco já desgastado.

No vestiário, líderes como Van Dijk e Salah desempenham papel vital ao tentar estabilizar o ambiente e fortalecer a confiança no trabalho de Slot. A percepção interna é de que a crise é mais emocional do que estrutural — um bloqueio motivado pelo abismo entre a expectativa criada e a execução em campo.

Entre incertezas e cobranças, Slot encara a semana como uma chance de redefinição. A reação, se vier, terá de ser construída com ajustes táticos, recuperação da autoestima e, sobretudo, com protagonismo daqueles que ainda não entregaram o que se esperava. O Liverpool precisa responder — e Slot ainda mais.