Fàbregas Como Barcelona
Futebol Serie A

Um Como de números gigantes e clima de Champions

O Como já não é mais apenas uma boa história da Serie A. Os números colocam o time de Cesc Fàbregas em um patamar que obriga todo mundo a olhar com mais atenção. Segundo melhor ataque do campeonato, com 36 gols, e segunda melhor defesa, com apenas 16 sofridos e impressionantes 10 jogos sem ser vazado.

E neste domingo, o time deu mais uma prova clara da sua força ao golear o Torino por 6 a 0, a maior vitória do clube em uma única partida de Serie A em toda a sua história. Um resultado que não só inflou as estatísticas, mas também mandou um recado direto aos concorrentes do topo da tabela.

Com seis jogos de invencibilidade, 13 jogadores diferentes marcando gols e 40 pontos somados após 22 rodadas — algo inédito na história do clube — o termo “Champions League” já não soa mais como exagero. Pode até ser desconfortável, mas virou parte da conversa.

O equilíbrio que faz o time voar

O grande mérito do trabalho de Fàbregas está no equilíbrio. O Como consegue unir futebol ofensivo, intenso e bonito de ver com uma organização defensiva digna de times muito mais experientes na elite italiana.

Nico Paz é o rosto mais midiático desse projeto, com oito gols e um futuro que parece inevitavelmente ligado a uma grande potência europeia. Mas o sucesso do time vai muito além dele. Douvikas, por exemplo, está perto dos dois dígitos em gols e já fez a torcida esquecer nomes mais badalados que passaram pelo clube.

No meio-campo, Da Cunha, Caqueret e Perrone dão o tom de um time maduro, enquanto Jakob Roman mostra personalidade mesmo sendo muito jovem. E ainda há espaço para lampejos de outro talento em ascensão, como Baturina, que começa a mostrar por que é tratado como joia.

Um projeto que acelera mais rápido do que o previsto

Na sua segunda temporada consecutiva na Serie A, o Como parece ter queimado etapas. O clube chegou a ultrapassar momentaneamente a Juventus na tabela e vê a Roma, atual quarta colocada, a apenas dois pontos de distância.

Fàbregas evita qualquer discurso mais ousado, seja por superstição ou por uma gestão consciente da empolgação. Ainda assim, os números falam por si. O projeto vive uma aceleração clara, impulsionada por investimentos pesados da propriedade indonésia.

Foram cerca de 110 milhões de euros apenas na última janela de verão e mais de 300 milhões destinados ao crescimento estrutural do clube. Mas talvez o investimento mais certeiro tenha sido apostar em um treinador jovem, com ideias modernas e personalidade suficiente para conduzir um projeto desse tamanho em uma cidade pouco acostumada a esse protagonismo.

O mês da verdade para confirmar o sonho do Como

Se existe um momento-chave para medir até onde esse Como pode chegar, ele está logo ali. O próximo mês será decisivo para transformar esperança em realidade concreta.

Antes, há o desafio das quartas de final da Coppa Italia contra a Fiorentina. Depois, a agenda pesa ainda mais: Atalanta em casa, Fiorentina novamente, a difícil visita à Juventus em Turim e o jogo atrasado contra o Milan, em San Siro.

Serão quatro testes de altíssimo nível, que podem consolidar o Como como “a Atalanta ou o Bologna da temporada”, aquele time que ninguém colocava na briga e que, de repente, se torna presença real na disputa por vagas europeias.

Fabregas responde Allegri com serenidade

Mesmo com todo esse cenário, Fàbregas mantém o discurso sereno. Nada de frases de efeito ou promessas grandiosas. Para ele, a força do Como está justamente em caminhar longe dos holofotes.

Após Allegri não citar o Como como candidato à Champions, o espanhol respondeu com elegância e inteligência. Disse que o time não luta contra Inter, Juventus ou Roma, mas contra si mesmo, buscando evoluir a cada rodada.

É um discurso humilde, mas que combina perfeitamente com um time que goleia o Torino por 6 a 0, empilha números de elite e começa a transformar um sonho improvável em algo cada vez mais palpável. O Como segue chegando quieto, mas cada vez mais forte.