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Como o Real Madrid pode evitar o temido “pasillo” para o Barcelona no próximo “El Clasico”?

A possibilidade de o Real Madrid ser obrigado a fazer o tradicional “pasillo” ao Barcelona no próximo El Clásico, previsto para maio no Camp Nou, está diretamente ligada a um fator objetivo: o momento em que o clube catalão confirmar matematicamente o título da La Liga. Na prática, evitar esse gesto simbólico — que representa uma homenagem pública ao campeão — depende muito mais do desempenho esportivo nas rodadas finais e do calendário da competição do que de qualquer decisão protocolar ou institucional por parte dos clubes.

Segundo análises recentes da imprensa internacional, esse cenário se baseia na vantagem confortável do Barcelona na liderança da La Liga, com uma margem que pode permitir a confirmação antecipada do título antes do confronto direto com o Real Madrid. Dentro dessa lógica, a forma mais clara de evitar o “pasillo” seria impedir que o rival chegue ao clássico já como campeão. Para isso, o time merengue precisaria reduzir a diferença de pontos nas rodadas anteriores, somando vitórias e contando com possíveis tropeços do adversário, adiando a definição do campeonato para depois do duelo.

Entretanto, há um segundo elemento que relativiza a obrigatoriedade do gesto: o “pasillo” não é uma regra oficial da La Liga, mas sim uma tradição histórica do futebol espanhol. Ao longo dos anos, sua aplicação ocorreu de maneira irregular e, em várias ocasiões, foi influenciada pelo contexto da rivalidade entre Real Madrid e Barcelona. Em 2018, por exemplo, o clube merengue optou por não realizar o corredor de honra, com o então treinador Zinedine Zidane argumentando que a prática havia perdido seu significado diante de situações semelhantes no passado.

Esse precedente abre espaço para uma terceira possibilidade: mesmo que o Barcelona conquiste o título antes do clássico, o Real Madrid pode simplesmente decidir não fazer o “pasillo”. Informações recentes indicam que essa alternativa já foi considerada internamente em contextos parecidos, reforçando que a decisão final depende mais de uma posição institucional do que de qualquer imposição da liga. Ainda assim, uma escolha desse tipo tende a gerar grande repercussão midiática e reacender debates sobre fair play, como já aconteceu anteriormente.

Existe também um forte componente simbólico envolvido. O “pasillo” ganha ainda mais relevância por acontecer no contexto de um El Clásico em maio, uma das rivalidades mais intensas do futebol mundial, marcada não apenas pela disputa esportiva, mas também por dimensões históricas, culturais e políticas. Nesse cenário, evitar a guarda de honra deixa de ser apenas uma questão protocolar e passa a representar a preservação da imagem, do orgulho competitivo e da narrativa interna do Real Madrid em uma temporada marcada por oscilações e pressão por resultados.

Assim, o Real Madrid possui três caminhos principais para evitar o temido “pasillo”: impedir matematicamente o título antecipado do Barcelona por meio de resultados em campo; contar com um calendário que adie a conquista para depois do clássico; ou, em última instância, optar por não cumprir a tradição, assumindo as consequências simbólicas dessa decisão. Entre essas alternativas, a primeira é a única totalmente esportiva e menos controversa, enquanto as demais dependem de circunstâncias externas ou escolhas institucionais.

Em um ambiente de alta tensão competitiva e forte amplificação narrativa devido à rivalidade, a discussão sobre o “pasillo” mostra como elementos simbólicos continuam tendo grande impacto no futebol moderno. Especialmente quando envolve Real Madrid e Barcelona, essa prática ultrapassa o campo e se insere em um contexto mais amplo de identidade, prestígio e disputa histórica. Dessa forma, o confronto entre os clubes se consolida não apenas como um duelo esportivo, mas como um dos maiores espetáculos do futebol mundial, carregado de significado cultural e midiático.

Foto: Getty Images

Como o Real Madrid chega para o clássico contra o Barcelona em maio

O Real Madrid chega ao clássico contra o Barcelona, marcado para maio, em meio a um cenário de pressão esportiva, instabilidade recente e limitações no elenco que ajudam a explicar o momento delicado da equipe na reta final da temporada. Longe de viver sua melhor fase, o time merengue encara o confronto como uma oportunidade de reação simbólica, embora o contexto da disputa pelo título seja amplamente desfavorável.

A situação na La Liga é o principal fator que define o momento atual do Real Madrid. Após o empate recente por 1 a 1 contra o Betis, com gol sofrido nos acréscimos, a equipe viu suas chances de título diminuírem consideravelmente, permanecendo vários pontos atrás do líder Barcelona, que ainda possui jogos a menos. Esse resultado também evidencia um padrão recorrente: dificuldades para manter vantagens e perda de pontos em momentos decisivos, comprometendo a consistência da campanha nas últimas rodadas.

O desempenho recente reforça essa percepção. O Real Madrid venceu apenas uma de suas últimas seis partidas em todas as competições, mostrando uma queda de rendimento justamente no momento mais importante da temporada. Além disso, a equipe merengue tem apresentado fragilidades defensivas constantes, acumulando jogos sofrendo gols — algo incomum para os padrões históricos do clube e que afeta diretamente sua competitividade em confrontos de alto nível.

No aspecto físico, o cenário também é preocupante. O Real Madrid chega ao clássico lidando com ausências importantes e dúvidas relevantes no elenco. Os zagueiros Éder Militão e o meia Arda Guler estão fora do restante da temporada por lesão, reduzindo opções em setores estratégicos. Ao mesmo tempo, o principal nome ofensivo, Kylian Mbappé, tornou-se dúvida após sentir um problema muscular na última partida, o que pode impactar diretamente o poder de decisão da equipe.

Apesar das dificuldades, o Real Madrid ainda dispõe de jogadores capazes de decidir o clássico, como Vini Jr e Jude Bellingham, além de Kylian Mbappé, caso esteja disponível. O ataque segue como principal força, sobretudo em jogos de grande visibilidade. Ainda assim, a falta de equilíbrio coletivo e a instabilidade tornam a equipe menos consistente que em temporadas anteriores.

Outro fator relevante é o contexto psicológico. Eliminado da Liga dos Campeões e distante da liderança da La Liga, o Real Madrid entra no clássico com menor margem de erro e com a necessidade de preservar sua imagem competitiva. O confronto, portanto, ganha um caráter de afirmação, mais do que propriamente de disputa direta pelo título, especialmente se o Barcelona estiver próximo de confirmar a conquista.

Além disso, o momento da temporada influencia o comportamento do elenco. Com a proximidade da Copa do Mundo, há indícios de que parte dos jogadores atua com maior cautela física, o que pode afetar a intensidade e a tomada de decisões dentro de campo, principalmente em partidas de alta exigência como o clássico.

Diante desse panorama, o Real Madrid chega ao duelo de maio em uma posição de vulnerabilidade relativa, pressionado pelos resultados recentes, condicionado por problemas físicos e com poucas chances reais de título. Ainda assim, a natureza do clássico e o peso institucional do clube mantêm o confronto em aberto, já que, historicamente, partidas desse porte costumam escapar da lógica puramente técnica e classificatória, permitindo ao Real Madrid competir em um nível superior ao apresentado nas semanas anteriores.

Foto: AFP/Getty Images

Será que o Real Madrid pode salvar a temporada de La Liga, caso que conquiste duas vitórias no El Clásico

A possibilidade de o Real Madrid reverter sua situação na La Liga com duas vitórias no El Clásico depende tanto de fatores matemáticos quanto simbólicos. No entanto, o cenário atual da competição dificulta uma virada baseada apenas em confrontos diretos. Apesar da vitória no primeiro turno contra o Barcelona, um novo triunfo teria impacto limitado diante da diferença de pontos acumulada ao longo da temporada.

Do ponto de vista matemático, vencer os dois clássicos representa um ganho direto de seis pontos em relação ao principal rival, o que, em teoria, poderia recolocar o Real Madrid na disputa pelo título. No entanto, esse cenário só se sustenta caso o Barcelona também perca pontos em outras partidas, algo que não depende do desempenho merengue. Em competições de pontos corridos como a La Liga, a regularidade ao longo das 38 rodadas costuma ser mais determinante do que resultados isolados, mesmo quando se trata de confrontos diretos.

Além disso, o fato de o Real Madrid já ter vencido o Barcelona no primeiro turno mostra que o problema da equipe não está necessariamente nos jogos contra o rival direto, mas sim na falta de consistência diante de adversários teoricamente mais acessíveis. A perda de pontos nesses confrontos ampliou a vantagem do Barcelona, criando um cenário em que apenas vencer o clássico de maio não é suficiente para alterar significativamente a classificação.

Sob o ponto de vista simbólico, no entanto, duas vitórias no El Clásico teriam um peso considerável. Em uma temporada marcada por oscilações e pressão, derrotar o principal rival duas vezes poderia funcionar como um elemento de afirmação competitiva, suavizando críticas e reforçando a percepção de que o elenco ainda possui capacidade de decisão em jogos grandes. Esse tipo de narrativa, embora não substitua títulos, costuma influenciar a avaliação geral da temporada.

Há também o fator psicológico. Um novo triunfo sobre o Barcelona poderia interromper o embalo do líder e, dependendo do momento, gerar algum grau de instabilidade na reta final do campeonato. Ainda assim, para que isso se traduza em uma disputa real pelo título, seria necessário um encadeamento de resultados improvável, com tropeços consecutivos do adversário e uma sequência quase perfeita do Real Madrid nas demais rodadas.

Outro ponto importante é que o clássico, por sua natureza, costuma fugir da lógica da tabela. Mesmo em cenários de desequilíbrio técnico ou classificatório, o confronto tende a ser decidido por detalhes, intensidade emocional e eficiência pontual. Isso mantém aberta a possibilidade de vitória merengue, mas não altera o panorama estrutural da competição, construído ao longo de toda a temporada.

Dessa forma, embora duas vitórias no El Clásico possam fortalecer a imagem do Real Madrid e proporcionar um encerramento mais digno da campanha, é pouco provável que, isoladamente, sejam suficientes para “salvar” a temporada de La Liga em termos de conquista do título. O desfecho do campeonato depende menos dos confrontos diretos e mais da capacidade de manter regularidade — algo que, até o momento, tem sido o principal diferencial do Barcelona.

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