Zidane Madrid França Copa do Mundo
Futebol Copa do Mundo

Copa do Mundo 2026 provoca revolução nos bancos: técnicos caem, lendas voltam e seleções iniciam nova era

A Copa do Mundo não muda apenas a história dos jogadores. Ela também costuma redefinir o futuro dos treinadores. Depois de um mês de competição, eliminações traumáticas, campanhas surpreendentes e títulos históricos, o torneio de 2026 já provocou uma verdadeira revolução nos bancos de reservas das seleções.

Em poucos dias após o encerramento do Mundial, 18 seleções encerraram seus ciclos técnicos, enquanto outras ainda avaliam mudanças importantes. Alguns nomes históricos deixaram seus cargos, outros treinadores lendários estão prestes a retornar ao futebol de seleções, e gigantes do esporte iniciam projetos pensando na próxima Copa.

Se existe um período em que o mercado de treinadores fica tão movimentado quanto o de jogadores, é logo depois da Copa do Mundo.

Copa encerra ciclos e abre espaço para novos projetos

Uma Copa costuma representar muito mais do que um simples torneio. Ela funciona como uma espécie de vestibular definitivo para os treinadores. Em muitos casos, quatro anos de trabalho acabam sendo julgados em apenas sete partidas.

Foi exatamente isso que aconteceu após o Mundial de 2026.

Alemanha, Portugal, Holanda, Bélgica, Uruguai, México, Croácia, Equador, Escócia, Gana, Argélia, Coreia do Sul, República Tcheca, Jordânia e África do Sul estão entre as seleções que já confirmaram mudanças no comando técnico.

Algumas decisões eram esperadas. Outras surpreenderam.

Também houve situações curiosas, como a da Tunísia. Sabri Lamouchi foi demitido durante a própria Copa do Mundo, deu lugar a Hervé Renard e, poucas rodadas depois, o novo comandante também perdeu o cargo.

Enquanto isso, outros treinadores seguem com o futuro indefinido. Lionel Scaloni, Didier Deschamps, Néstor Lorenzo e Hajime Moriyasu ainda não anunciaram suas decisões, embora exista uma forte possibilidade de mudanças nas próximas semanas.

Já Thomas Tuchel, na Inglaterra, e Vincenzo Montella, na Turquia, continuam pressionados depois de campanhas abaixo das expectativas.

Zidane finalmente está perto da seleção francesa

Se existe um nome que desperta expectativa nesse novo ciclo é Zinedine Zidane.

Depois de construir uma trajetória histórica no Real Madrid, conquistando Champions League em sequência e se consolidando como um dos técnicos mais vencedores do século, o francês passou mais de cinco anos longe dos bancos de reservas.

Agora, tudo indica que sua espera terminou.

Com o fim da longa era Didier Deschamps, que comandou a França por 14 anos e conquistou a Copa do Mundo de 2018, Zidane aparece como favorito absoluto para assumir uma geração recheada de estrelas.

Administrar grandes egos sempre foi uma das principais qualidades do ex-camisa 10, característica que pode fazer enorme diferença em um elenco considerado um dos mais talentosos do futebol mundial.

É aquela situação em que treinador e seleção parecem finalmente encontrar o momento perfeito para trabalhar juntos.

Guardiola vive um dos maiores dilemas da carreira

Outro nome que movimenta o mercado é Pep Guardiola.

Livre após encerrar seu ciclo no futebol de clubes, o treinador espanhol recebeu sondagens importantes para assumir seleções nacionais.

A Itália procurou o técnico, mas recebeu uma resposta negativa. A Inglaterra também aparece como interessada, especialmente depois de uma campanha decepcionante na Copa do Mundo.

O dilema de Guardiola passa justamente pelo tipo de projeto.

De um lado, existe a possibilidade de iniciar uma reconstrução completa. Do outro, assumir uma seleção pronta para conquistar títulos imediatamente. Há ainda uma terceira alternativa: simplesmente descansar por mais uma temporada antes de definir seu próximo desafio.

Independentemente da escolha, o futuro de Guardiola promete ser um dos assuntos mais acompanhados do futebol internacional.

Klopp aceita novo desafio com a Alemanha

Enquanto Guardiola ainda analisa possibilidades, Jürgen Klopp parece ter encontrado rapidamente seu próximo destino.

Após dois anos afastado dos bancos, o treinador alemão está pronto para assumir a seleção da Alemanha.

A eliminação precoce da Mannschaft e mais uma campanha frustrante sob o comando de Julian Nagelsmann fizeram a federação buscar um nome capaz de reconstruir a identidade da equipe.

Klopp chega justamente com essa missão.

Depois de anos de enorme desgaste comandando o Liverpool em disputas intensas contra o Manchester City de Guardiola, o treinador encontrou nas seleções uma oportunidade para trabalhar em um ambiente diferente, com menor carga de jogos e novos desafios.

A expectativa é enorme para ver como seu estilo intenso será adaptado ao futebol de seleções.

Ancelotti e Luis de la Fuente seguem intocáveis

Nem todos os treinadores precisaram se preocupar com o futuro após a Copa do Mundo.

Os dois casos mais claros são Luis de la Fuente e Carlo Ancelotti.

O espanhol simplesmente conduziu a Espanha ao título mundial, conquistando a segunda estrela da história da seleção. Naturalmente, seu trabalho ganhou ainda mais prestígio e dificilmente será questionado nos próximos anos.

Já Ancelotti vive uma situação diferente.

O Brasil caiu antes do esperado na competição, mas o italiano segue contando com total respaldo da Confederação Brasileira de Futebol, dos jogadores e também da torcida. Existe a compreensão de que o projeto ainda está em fase de construção e que mudanças profundas no elenco serão necessárias para recolocar a Seleção Brasileira entre as favoritas ao título mundial.

Scaloni vive momento decisivo na Argentina

Se na Espanha reina a tranquilidade, na Argentina o clima ainda é de reflexão.

Depois de anos praticamente perfeitos, Lionel Scaloni sofreu uma das derrotas mais dolorosas de sua trajetória ao perder a final da Copa do Mundo para a Espanha.

O treinador havia conquistado todos os títulos possíveis pela Albiceleste e sonhava encerrar sua passagem mantendo um retrospecto impecável.

Agora, a decisão passa muito mais pelo aspecto emocional do que pelos resultados.

Seu contrato termina em dezembro, e existe uma dúvida importante: continuar liderando a renovação argentina ou encerrar um dos ciclos mais vitoriosos da história da seleção.

A presença de Lionel Messi, que ainda não definiu completamente seu futuro internacional, também pode influenciar diretamente essa escolha.

Portugal aposta na experiência de Jorge Jesus

Outra seleção que inicia uma nova fase é Portugal.

Após a saída de Roberto Martínez, a federação escolheu Jorge Jesus para comandar uma das gerações mais talentosas do país.

O desafio não será pequeno.

Mesmo contando com um meio-campo repleto de jogadores de alto nível, Portugal não conseguiu convencer durante a Copa do Mundo e deixou a sensação de que poderia ter ido muito mais longe.

Além da parte tática, Jorge Jesus também terá uma missão delicada: administrar o futuro de Cristiano Ronaldo.

O craque indicou que sua trajetória pela seleção pode ter chegado ao fim, mas ninguém em Portugal parece disposto a fechar definitivamente essa porta.

Bélgica inicia nova reconstrução

Na Bélgica, o ciclo de Rudi García também chegou ao fim.

Apesar de conseguir reorganizar uma geração em transição e recuperar a competitividade da equipe durante a Copa do Mundo, o treinador deixou o cargo após o torneio.

Seu sucessor será Mark van Bommel, ex-volante da seleção holandesa e conhecido por sua intensidade dentro de campo, característica que muitos torcedores espanhóis lembram imediatamente por causa da final da Copa de 2010.

Van Bommel assume uma Bélgica bem diferente daquela chamada “geração de ouro”. Agora, o objetivo será consolidar novos protagonistas, como Youri Tielemans, e recolocar os belgas entre as principais forças da Europa.

Uruguai também muda de direção

Quem também encerrou um ciclo foi Marcelo Bielsa.

O argentino nunca conseguiu criar uma conexão sólida com o futebol uruguaio e terminou sua passagem de forma decepcionante após a eliminação ainda na fase de grupos da Copa do Mundo.

Agora, Diego Forlán surge como o responsável por liderar uma nova reconstrução da Celeste.

Ídolo histórico do país e profundo conhecedor da identidade uruguaia, ele chega cercado de expectativa para recuperar a competitividade da seleção.

No fim das contas, a Copa do Mundo voltou a confirmar uma velha máxima do futebol: levantar a taça garante estabilidade, mas uma eliminação pode mudar completamente o destino de um treinador. Em questão de dias, projetos foram encerrados, novas ideias começaram a surgir e algumas das maiores lendas da área técnica ficaram novamente próximas dos gramados. O ciclo rumo ao Mundial de 2030 já começou e, para muitas seleções, ele inicia com um novo comandante à beira do campo.

Foto: Gerard Julien / AFP