Futebol Copa do Brasil

Copa do Brasil tem confrontos das quartas definidos; confira a análise dos duelos

A Copa do Brasil chegou às quartas de final com uma característica que transforma a competição em algo ainda mais imprevisível: três dos quatro confrontos serão clássicos estaduais. Internacional x Grêmio, Cruzeiro x Atlético-MG e Palmeiras x Santos colocam frente a frente equipes que conhecem profundamente seus adversários, enquanto Vasco x Vitória completa uma fase em que o equilíbrio parece ser a principal marca.

O sorteio realizado nesta terça-feira definiu os confrontos, com os jogos de ida marcados para 26 de agosto e as partidas de volta para 2 de setembro. Grêmio, Atlético, Vitória e Santos terão a vantagem de decidir a classificação em casa.

Mais do que definir quem está melhor ou pior neste momento, porém, as quartas colocam em jogo características completamente diferentes. Há equipes que chegam embaladas, outras que avançaram no limite e algumas que enxergam na Copa do Brasil a oportunidade de transformar uma temporada irregular em algo maior.

E, olhando para o momento atual, o Palmeiras aparece como o time que chega mais próximo do papel de favorito. Mas o caminho até a semifinal está longe de ser simples.

Internacional x Grêmio: o clássico que pode ser decidido pela capacidade de suportar a pressão

O Gre-Nal é, provavelmente, o confronto mais imprevisível das quartas da Copa do Brasil O Internacional eliminou o Corinthians nas oitavas, depois de vencer o primeiro jogo por 3 a 2 no Beira-Rio e administrar a vantagem na Neo Química Arena. O Grêmio, por sua vez, passou pelo Mirassol com uma vitória por 2 a 1 no agregado e chega ao clássico ainda tentando transformar resultados pontuais em uma sequência de crescimento.

O momento dos dois clubes ajuda a explicar por que o confronto não apresenta um favorit. O Internacional tem mais argumentos para controlar o jogo com a bola e conta com um elenco que, em condições normais, oferece mais soluções para uma partida de mata-mata. Ao mesmo tempo, a equipe ainda não conseguiu transformar sua qualidade individual em regularidade, mas vem se mostrando muito competitiva sem a bola nos pés.

Do outro lado, o Grêmio vive uma situação ainda mais delicada. O time vem convivendo com dificuldades no Campeonato Brasileiro, mas mostrou na Copa do Brasil uma capacidade importante para sobreviver aos momentos de pressão. A classificação diante do Mirassol, conquistada em um jogo de desempenho pouco convincente, é um exemplo disso.

Em um Gre-Nal eliminatório, a diferença entre jogar bem e simplesmente suportar a partida pode desaparecer. O time que conseguir controlar a ansiedade, proteger melhor a própria área e aproveitar os poucos momentos de superioridade provavelmente sairá na frente.

A vantagem de decidir na Arena coloca o Grêmio em uma posição ligeiramente melhor. Mas o primeiro jogo, no entanto, será fundamental para impedir que o Inter transforme o clássico em uma disputa de sobrevivência.

Favoritismo: Internacional, mas por margem pequena.

Cruzeiro x Atlético-MG: o confronto mais pesado da chave

Se existe uma eliminatória capaz de transformar completamente o conceito de favoritismo na Cop do Brasil, é o clássico mineiro. Cruzeiro e Atlético-MG chegam às quartas depois de eliminarem Goiás e Chapecoense, e Ceará e Juventude, respectivamente. O Galo passou pelas oitavas com uma vitória por 1 a 0 sobre o Juventude, enquanto o Cruzeiro também conseguiu avançar sem sofrer grandes sustos diante da Chapecoense.

No Brasileiro, entretanto, o Cruzeiro apresenta uma campanha mais consistente. A equipe aparece no grupo que briga pelas primeiras posições, enquanto o Atlético ainda tenta se aproximar do pelotão que disputa uma vaga na Libertadores.

Isso não significa que o Cruzeiro será favorito de maneira confortável. O Atlético de Eduardo Domínguez já demonstrou que sabe competir em mata-mata mesmo quando não apresenta um futebol dominante. A classificação diante do Ceará foi dramática, e contra o Juventude novamente veio no limite, com o gol da vitória praticamente no último lance. Esse tipo de experiência pode ser decisivo em uma competição como a Copa do Brasil. Além disso, o Galo também contará com reforços importantes, como Kevin Castaño e, muito provavelmente, Fred.

O Cruzeiro, por outro lado, tem a vantagem de decidir no Mineirão e apresenta maior estabilidade durante os 90 minutos. O desafio será não permitir que o clássico se transforme em uma partida emocional, em que a superioridade técnica desaparece diante da intensidade e da pressão.

O Atlético tem capacidade para tornar o confronto extremamente físico e equilibrado. O Cruzeiro chega com mais regularidade e com a possibilidade de decidir diante da própria torcida. É justamente por isso que este pode ser o confronto mais equilibrado das quartas da Copa do Brasil.

Favoritismo: Cruzeiro, mas praticamente em 50/50.

Vasco x Vitória: o confronto em que o momento pode pesar mais

Vasco e Vitória formam o duelo mais diferente das quartas nessa Copa do Brasil. Não existe clássico regional, não existe rivalidade histórica entre os estados e, consequentemente, há menos elementos capazes de esconder a diferença entre os momentos das equipes.

O Vasco chega embalado pela classificação sobre o Fluminense. O Cruzmaltino venceu o rival por 3 a 1 no agregado e mostrou força justamente em uma eliminatória de alta pressão. O Vitória, por outro lado, protagonizou uma das maiores surpresas da competição ao eliminar o Flamengo e depois superar o Athletico. Ou seja: os dois chegam às quartas com credenciais de mata-mata.

O Vasco, no entanto, tem uma vantagem importante na construção do confronto: decidiu bem diante de adversários que exigiram diferentes tipos de jogo e vem reforçando seu elenco durante a janela de transferências. A equipe ainda não é completamente confiável, mas ganhou alternativas que podem ser importantes justamente em partidas eliminatórias.

O Vitória chega com o mérito de ter eliminado dois adversários teoricamente superiores. O triunfo sobre o Flamengo, especialmente, mostrou que o time consegue competir quando é obrigado a defender por períodos longos e explorar os espaços deixados pelo adversário.

Essa pode ser justamente a chave da eliminatória. O Vasco deverá assumir mais responsabilidade com a bola no primeiro jogo, enquanto o Vitória tende a se sentir confortável em uma partida de transições. O primeiro jogo, em São Januário, pode obrigar o Cruzmaltino a construir uma vantagem antes de viajar para Salvador.

O fato de o Vitória decidir em casa impede que o Vasco seja tratado como favorito. Mas, entre os dois, o Cruzmaltino parece ter mais recursos para controlar diferentes cenários.

Favoritismo: Vasco, mas não se pode duvidar do Vitória.

Palmeiras x Santos: o confronto mais desequilibrado das quartas?

No papel, este é o confronto em que existe a maior diferença entre os times. O Palmeiras chega às quartas como líder do Campeonato Brasileiro e avançou na Copa do Brasil depois de eliminar Jacuipense e Fortaleza. O Santos, por sua vez, superou Coritiba e Remo para chegar entre os oito melhores.

Mais importante do que a classificação, porém, é a diferença de consistência. O Palmeiras construiu uma campanha nacional que o colocou na liderança, com 48 pontos após 22 rodadas e apenas duas derrotas no Brasileirão. O time de Abel Ferreira combina profundidade de elenco, experiência em mata-mata e capacidade de controlar diferentes tipos de partida.

O Santos tem argumentos suficientes para incomodar, principalmente se conseguir levar o confronto para um cenário de maior imprevisibilidade. A presença de jogadores capazes de decidir individualmente, como Neymar, também impede que o clássico seja tratado como uma mera formalidade.

Mas o Palmeiras tem uma vantagem estrutural. Abel consegue alterar o comportamento da equipe durante a partida sem necessariamente mudar os jogadores. Pode controlar a posse, acelerar pelos lados, defender em bloco médio ou baixo e atacar espaços nas costas da defesa. Para um confronto de 180 minutos, essa capacidade de adaptação vale muito.

Além disso, o Palmeiras pode decidir no primeiro jogo, diante da própria torcida, aproveitando o fato de que Neymar não joga em Gramados sintéticos. É o cenário ideal para o líder do Brasileiro: enfrentar um rival tradicional, mas menos consistente, e ter a oportunidade de jogar em casa contra um adversário fragilizado pela perda de seu melhor jogador.

Favoritismo: Palmeiras.

Quem chega mais forte para o título da Copa do Brasil?

Considerando elenco, momento no Campeonato Brasileiro, experiência recente em mata-mata e capacidade de decisão, o Palmeiras é o principal favorito das quartas da Copa do Brasil.

Cruzeiro e Internacional aparecem logo atrás, mas com ressalvas diferentes. O Cruzeiro apresenta maior regularidade, enquanto o Internacional possui um elenco capaz de crescer em jogos grandes.

O Vasco vem em um terceiro grupo, justamente por reunir evolução recente e capacidade de competir na Copa do Brasil. Já Atlético-MG e Grêmio são equipes perigosas porque podem jogar abaixo do esperado durante longos períodos e ainda assim encontrar maneiras de sobreviver.

O Vitória é a grande incógnita. Eliminou Flamengo e Athletico e, portanto, já provou que não pode ser subestimado. O Santos, por sua vez, tem o peso do clássico e jogadores capazes de desequilibrar, mas enfrenta o adversário mais consistente da competição.

A Copa do Brasil, afinal, chegou ao ponto em que o desempenho deixa de ser suficiente. A partir daqui, cada detalhe pode definir uma temporada.

Os oito clubes já garantiram R$ 9 milhões acumulados em premiação, e a vaga na semifinal acrescentará mais R$ 9 milhões. O campeão ainda poderá receber R$ 78 milhões apenas pela conquista, tornando cada confronto também uma disputa financeira de enorme importância.

Mas o principal prêmio é outro. Depois de seis fases e 118 eliminações, restaram apenas oito clubes. Agora, não existe mais espaço para recuperação no jogo seguinte. Em um torneio construído para premiar quem sabe sobreviver ao caos, as quartas de final prometem ser justamente o momento em que os favoritos precisarão provar que sabem fazer mais do que simplesmente sobreviver.

(Foto: Divulgação/CBF)