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Copa do Brasil tem CRB, CSA e Retrô como zebras; o que esperar desses clubes nas oitavas?

A Copa do Brasil chega às oitavas de final com um cenário atípico, mas cada vez mais comum em um torneio que consagrou o imponderável como parte da sua essência. CSA, CRB e Retrô-PE despontam como as principais zebras da competição até aqui. Representantes da Série C e Série B, esses clubes não apenas eliminaram adversários mais tradicionais, como também vêm sustentando campanhas marcadas por organização, identidade tática e boas histórias dentro e fora de campo.

No entanto, o que podemos esperar dessas equipes? Neste texto, falaremos sobre as três principais zebras da Copa do Brasil.

Em reconstrução, CSA tenta voltar a incomodar a elite

O CSA chega às oitavas da Copa do brasil com moral elevada após eliminar o Grêmio em uma das maiores surpresas da fase anterior. Com a partida de ida vencida em Maceió por 3 a 2 e o empate sem gols em Porto Alegre, o time alagoano mostrou uma aplicação defensiva eficiente e coragem para propor o jogo quando necessário.

Apesar de viver uma campanha irregular na Série C, o Azulão tem no torneio mata-mata sua válvula de escape técnica e financeira. Sob a gestão de Mirian Monte, primeira mulher a presidir o clube em mais de cem anos de história, o CSA conseguiu equilibrar suas contas e vem colhendo os frutos dessa reorganização. No elenco, nomes como o goleiro Gabriel Félix, zagueiro Islan e o meia Guilherme Cachoeira são pilares de um time que segura jogos sob pressão.

Nas oitavas, o desafio é ainda maior: encarar o Vasco da Gama, que, mesmo vivendo um momento instável, é um adversário de peso. O primeiro jogo em Maceió promete casa cheia, com a torcida azulina empurrando o time na esperança de mais uma façanha.

CRB busca se consolidar como um “matador de gigantes”

Outro alagoano que virou protagonista inesperado é o CRB. A classificação veio em cima do Santos, nos pênaltis, após dois jogos muito equilibrados. O feito é histórico — é a primeira vez que o Galo da Pajuçara chega tão longe na competição. No entanto, não é de agora que o Galo vem mostrando muita solidez contra gigantes na Copa do Brasil.

Em 2020, o time foi o responsável por eliminar o Cruzeiro na segunda fase, enquanto, no ano seguinte, foram algozes do Palmeiras. O adversário nas oitavas será justamente o Cruzeiro, clube que conhece bem as armadilhas de duelos contra times menores. O jogo de ida será no Mineirão, mas o CRB aposta no fator Rei Pelé na volta e na força de seu torcedor para seguir fazendo história.

Para surpreender novamente, a equipe tenta contar com nomes como o meia Gegê, que é o grande cérebro do meio de campo, e do atacante Mikael, ex-Sport, que vem em boa fase. O time ainda conta com nomes experientes como o atacante William Pottker e o volante Higor Meritão.

Retrô: clube novo busca espaço entre os grandes

Se CSA e CRB representam a força do futebol alagoano, o Retrô-PE surge como o símbolo da ousadia nordestina na Copa do Brasil. O clube pernambucano protagonizou uma das maiores surpresas da Copa do Brasil ao eliminar o Fortaleza, campeão da Copa do Nordeste e presença frequente na Libertadores. Após empatar em 1 a 1 no tempo normal, o Retrô levou a melhor nos pênaltis, com grande atuação do goleiro Fabian Volpi.

Com apenas cinco anos de fundação profissional, o clube mostra que planejamento e investimento em estrutura podem superar a falta de tradição. Com centro de treinamento moderno, bom trabalho de base e uma proposta de jogo clara, o Retrô vive sua melhor fase e se credencia a sonhar ainda mais alto. Agora, enfrenta o Bahia nas oitavas — outro desafio enorme, mas que não assusta um time que já mostrou ser capaz de competir contra qualquer um.

O que essa classificação representa para os clubes?

Essas campanhas têm um ponto em comum: a solidez fora de campo que permitiu construir elencos competitivos dentro das suas realidades financeiras. Nenhum dos três times é apontado como favorito em seus confrontos, mas todos já provaram que, na Copa do Brasil, favoritismo é apenas estatística.

O formato de jogo único nas fases anteriores, e agora os confrontos de ida e volta, permitem que times bem organizados e com estratégias definidas possam surpreender os chamados grandes. Além disso, os valores de premiação tornam cada avanço uma conquista esportiva e econômica. Chegar às quartas, por exemplo, significa embolsar mais R$ 4,74 milhões — um montante que, para clubes como CSA, CRB e Retrô, pode significar folha salarial por meses ou até a quitação de dívidas antigas.

Mais do que resultados, essas classificações mostram que o futebol brasileiro tem margem para competitividade fora do eixo tradicional. São clubes com torcidas engajadas, projetos em crescimento e atletas buscando afirmação nacional. O CSA vive um processo de reconstrução com base na responsabilidade financeira. O CRB se firma como clube estável na Série B e matador de gigantes, sempre mirando o acesso. E o Retrô tenta mostrar que é possível fazer futebol profissional com eficiência desde a base, mesmo longe da elite.

(Foto: Francisco Cedrim/CRB)